28/04/2014

Ansiedade

Ansiedade. Não durmo. Ou durmo mal. Passo os dias cansada e preocupada com o futuro.
Passei no concurso, para outra cidade. Daí, depois de ver o resultado provisório, fui pequisar mais sobre o lugar  e o resultado disso me fez arrepender de tê-la  escolhido. 
Ociosa, passo horas pesquisando moradia lá. Sou consumida pela angústia de como aluguel lá é caro. Como assim? Meu dinheiro não vai dar pra nada. E eu não tenho nem mesmo um pano de prato nem uma xícara, nem dinheiro no banco, como vou começar minha vida? Terei de ir para uma república, viver  super economicamente até ir comprando as coisas aos poucos. Tem um jogo de talheres de ótima qualidade que marido deu pra mãe, ela nunca usou e mo dará. Também posso levar meu guarda-roupa, minha cômoda e minha escrivaninha,  a cafeteira e a mesinha dela. Tapetes que a mãe faz tem alguns pra mim. 
Se eu permanecer nessa dieta de passarinho, nem vou precisar cozinhar, então, não deveria me preocupar com ausência de cozinha decente ou mesmo de qualquer uma
Mas, pesquisar para que? Pra que? Nem vão chamar por agora, não é mesmo? Tem copa e  eleição. Provavelmente vão demorar meses para me  chamar. Por isso volto para meu marido.
Quer dizer, tecnicamente ainda somos casados, e somos amigos. Talvez até mais que antes. Nos falamos todos os dias. Falo dos detalhes insórdidos dessa vidinha aqui, com os perrengues familiares de sempre. Sem romance. Outro dia, ele até disse que seus sentimentos esfriaram. O tempo encarregou-se de o livrar da dor da minha falta? Algum dia ele me amou de verdade? Claro que sim, mas quão profundo?
Entretanto, meu dinheiro acabou, minha relação com minha mãe nunca foi acertada. Marido se dispõe a me acolher e sustentar até eu ser chamada para trabalhar. Dele não recebo nada, quem mandou casar com pobrezinho sem juízo financeiro?
Assim, me vou para ele. Mais uma vez. Irmã e cunhado acham que reataremos. Onde já se viu, um marido e mulher se reunirem assim unicamente na base da amizade e necessidade? Se o amor  houvesse mesmo perecido, eu nem ía pensar em ir ter com ele, nem ele me aceitaria depois de tanto tempo.

19/04/2014

Tempo de remedicar

Oito meses desde que voltei. De agosto a dezembro, vivi a tristeza da volta naquelas condições- Ainda assim, consegui visitar amigas, passear  por duas cidades turísticas em Goiás, fui a Minas Gerais para o Ano Novo e tal, reaproximei das irmãs (na medida do possível).
Depois, ocupei-me plenamente com estudar para concurso público.  De outubro até fevereiro fiz curso preparatório e passava as tardes na biblioteca resolvendo exercícios e simulado, de modo que passei em oitavo lugar num pra nível médio nesse primeiro concurso. Depois, para um segundo, tive pouco tempo de estudo e  saí muito mal-Que pena. Tristeza me define. Esse outro era para cargo de nível superior na minha área, cuja lotação é o sonho de minha vida: ser analista ambiental numa UC na Amazônia, mas não foi dessa vez. Fiz um terceiro, sem estudar nada, só por fazer. E haveria um quarto para o qual estou inscrita, mas não estudei e nem vou fazer a prova.

Assim, de concreto, conseguirei uma vaga, mas pra quando é uma incógnita. O resultado sai dia 29 de abril. Há um concurso ainda válido até maio. Segue-se a Copa e as eleições, de modo que acho que entrementes a colocação, nao serei chamada para breve. E como tenho passagem de volta pra Europa para o dia 6 de maio, é provável que eu embarque e me deixe lá ficar até ser chamada. Ainda sou tecnicamente casada, e marido disse no problem, volto e fico lá.

Oito meses, sem remédio. Desde que começara a estudar, andava super bem. Agora, há 13 dias que  parei de estudar e voltei a sofrer de ansiedade e impulsos suicidas. Vejo o noticiário- mulheres dão à luz em porta de maternidades na Bahia e em São Luís, argh, que horror. No bairro, um é morto bem ali. Na TV, cenas chocantes de um faxineiro de lotérica em serviço sendo morto por assaltantes. Acho terrível isso, como pode esse país? Desespero de ter de morar aqui de novo. O caos nacional desperta meu caos interior e tenho vontade de morrer. Desanimo mesmo de viver.
O concurso para o qual passei: fiz a escolha da vaga não na minha cidade, mas para uma cidade do interior, de porte médio. Só depois que saiu o resultado, fui pesquisar sobre a cidade e veio o choque: o custo de vida lá é mais caro do que na minha cidade! A cidade cresceu significativamente e há um déficit imobiliário que fez explodir o preço dos aluguéis.Onde já se viu, uma kitnette por R$900, oo? Minha amiga mora numa das cidades turísticas mais charmosas e badaladas do estado e paga por uma apto gracinha R$580, 00! Eu bem que queria escolher concorrer às vagas na cidade dela, perdi ao optar por outra. E fiquei tão bem colocada que teria passado até mesmo aqui na capital. Triste. Desmotivada. Será o meu salário o bastante pra viver com dignidade?
Sozinha hoje em casa. Uma solidão.Crises à vista. Vou retormar a medicação.