21/07/2013

Espera dolorosa

Nao tem esperanca a ver com esperar?
Mas esse esperar sem esperanca
Que dor!
Angústia infinita.
Passagem comprada.
Eis que me vou
embora
dessa terra estrangeira.
Queria era ficar.
Mas nao dá mais pra ficar.
E se?
E se me aparece um emprego antes do dia 17 de agosto?
Ah, se me oferecem um trabalho remunerado.
Eu ficaria
com que alegria...

Porque sem emprego nao fico mais. Há tres anos e meio que nao trabalho, até dezembro do ano passado, tinha bolsas de estudo. Desde entao, produzo mais nada. Nisso, com o desemprego do meu marido, comecaram os problemas financeiros. Na idéía dele e de muitos, eu deveria trabalhar de faxineira.

Abre parenteses: (Aqui, imigrante boa é imigrante que vem pra faxinar. Na limpeza, nao falta trabalho. Na área de informática também, e manicures e emfermeiras também tem chances.... Pra quem quer ser técnica em emfermagem, há curso gratuito e bolsa de manutencao. Mas eu nao consigo ser enfermeira: eu tenho horror de sangue, e eu nao consigo ficar perto de doentes, porque eu sofro com eles, me dói o coracao ve gente sofrendo e eu fico paralizada.) Fim do parenteses.
Nunca recebi um retorno das candidaturas a emprego, E olhe que até em supermercado como repositora/caixa eu me candidatei.

Assim, sem perspectiva de trabalho, me vou. Nao que queira ir, mas vou porque já nao dá mais pra ficar. Quando me vim pra essa terra estrangeira, o fiz porque  estava com o coracao partido, desesperada pra encontrar o amor. Hoje, encontro-me muito mais desesperada do que antes: ser desempregada e sem perspectivas, dependente de marido, acuada pelas limitacoes da falta de dinheiro, os conflitos com o marido advindos dessa falta... Tudo isso  me enlouqecem mais que o desamor. Por isso, me vou.
Oh, mas como eu queria fica nessa cidade linda que eu amo de coracao. Adoro tudo aqui. Mas há tempos que sao pouquissimos os dias em que saio para aproveitar tudo o que a cidade oferece, porque estou mal e/ou nao tenho o dinheiro.
E porque nao trabalho de faxineira? Primeiro, porque odeio limpeza: minha casa deixa a desejar, eu odeio limpar casa, como faria isso profissionalmente? Além disso, essa desqualificacao pessoal haveria de intensificar minhas crises existenciais, afinal, pra ser faxineira, eu nao precisaria ter me esforcado a vida inteira conciliando trabalho e estudos numa jornada louca de pobre que rala. Pra eu ser faxineria, minha mae nao precisaria ter passado roupa até dez da noite em casas alheia pra pagar meu cursinho prévestibular. Pra ser faxineira, eu poderia ter me casado aos 15 com o vizinho e "terminado" meus estudos na 5 série, como fizeram muitas das meninas de meu bairro. Nao, eu nao construir as estradas por onde queria passar pra voltar ao ponto null.
Alguém querida me lembrou que eu também tinha depressao antes de vir. Sim, eu tinha. Na verdade, essa doenca me acompanha desde meus 17 anos, com períodos intercalados em maior ou menor intensidade. Tomar essa decisao drástica num período de intensa depressao seria arriscado. Mas nao tomar nenhuma decisao agora, pode significar o fim de minnha vida. Porque sou  torturada pela minha angústia, nao vejo saída. Nao quero ir e correr o risco de perder me amor. Mas pequenas grandes adversidades cotidianas aqui estao me asfixiando.

Espera dolorosa

Nao tem esperanca a ver com esperar? Mas esse esperar sem esperar é de uma dor angustiante. Passagem comprada. Eis que me vou embora dessa terra estrangeira. Mas todo dia vem um fiozinho de esperanca: e se? E se me aparece um emprego?

01/07/2013

Rota sem saída

Comprei minha passagem pra voltar pra casa (da minha mae).
Esse foi o pior semestre da minha vida: abandonei a faculdade e perdi, portanto, a bolsa academica, passei meses procurando emprego, nada encontrado, deprimi-me mais ainda a ponto  a niveis nunca imaginado Meu marido tinha um casinho virtual, perdeu dinheiro em jogos de azar, perdeu o emprego por consequencia indireta do vicío... E as brigas tem se seguido, ele diz que os problemas dele sao consequencia dos meus problemas.OI?
Nao dá mais. Encontro-me tao infeliz, todos os dias me pergunto "o que estou fazendo aqui".
Deve ser tao bom ser dessas pessoas simples que nao tem crise existencial, ou dessas pessoas bem resolvidas que para tudo  a fé e a resignacao sao a resposta. Mas assim nao sou. Sou pertubada pela minha mente todos os dias.
Antes, era desesperada pra casar, pra encontrar "O Amor". Ah, se eu soubesse o que sei hoje.  Nem sei mais se amo meu marido, porque cheguei a conclusao de que me odeio e quem nao ama nem a si mesma, será capaz de amar ao próximo?
Tudo o que sei é que a vida e a sociedade como está organizada nao faz sentindo algum e/ou eu sou totalmente excluída dela. Excluída no sentido nao material da coisa entende? Tenho certeza de que pouca gente entende e o mais triste é que eu nao tenho contato algum com quem possa entender.
Quando eu tinha 19 anos, meu namorado, e vizinho, queria casar comigo, mas ele era um bom menino sem ambicao nem muita brightness que trabalhava por um salário minimo e nunca tinha ido ao Cinema nem ao teatro nem viajado de férias, e nao entendia mesmo meu sonho de estudar ingles ee fazer intercambio. Casar com ele teria significado construir um puxadinho no quintal da mae dele ou da minha mae.
Aos 24, morei com um namorado: cultura e inteligencia personalizados Era poeta, compositor, dancarino de salao,ator e filósofo (tudo autodidata que ele nunca fez um vestibular na vida). A Pessoa mais interessante e excitante que já  me relacionei na vida. Fumava maconha o dia inteiro, nao trabalhava tecnicamente falando - era sustentado pelo pai rico. Mas ele assim Hippie, o paitrocinio dele nao se extendia a mim, de forma que eu tentava equilibrar um part-time hippie com uma jornada de garota pobre que luta trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Ao fim do mes, com esse Hippie, nao tinha dinheiro para o Tomate e a única sugestao dele era de que fossemos comer na casa dos Pais dele. Além disso, a casa era uma bagunca, ele nem mesmo recolhia o lixo dele, nyo lavava um prato e eu nao ia me transformar numa amélia com Dupla jornada. Fui embora.
Agora, aos 33 estou pra sair de uma relacionamento mais uma vez nao porque as coisas entre nós nao funciona, mas porque as condicoes exteriores sao tao estressantes que eu nao quero mais viver e isso faz tao mal pra o relacionamento.
 Eu nao acredito que eu vá ter Chance nessa terra e quero voltar a ter um bom trabalho. Estou com medo. Muito medo de nao consegui trabalho algum lá e daí nao sei mesmo o que vou fazer. Minha mae me receberá de bracos abertos e me dará todo apoio.