28/02/2013

O roubo e seu fruto descartado voluntariamente

Porque tenho tomado os remédios direitinhos, a impulsividade diminuiu, pelo menos quanto à idéias suicidas...
 Semestre passado roubei uma substancia mortal no lab. da faculdade. Quase fui pega: minha parceira de prática me viu preparando uma solucao e me perguntou " em que análise está trabalhando?" "Preciso de mais esse também, qual substancia é essa?" Transferi rapidinho o pó para uma proveta e o enfiei no bolso do chaleco, com medo de ser pega. Comprei uma seringa e passei a andar com ambos na bolsa, ao dormir, deixava dentro de uma caixinha de óculos na cabeceira da cama,  pra o dia que a dor de viver fosse maior que meu amor por meu marido, minha mae e minha lindinha, de modo que eu conseguisse acabar com essa angústia eterna que constitui minha existencia.
Daí, em agosto, eu fui para um centro de meditacao, porque se eu nao o fosse, meu marido me internaria de novo, que eu andara muito surtada ultimamente. Quebrara dois notebooks caros e novos, ogandos contra a parede em momentos de raiva, destruira o guarda-roupa arremecando coisas nele, discussoes infindáveis com a nojenta, a qual era lamentavelmente minha parceira de laboratório.
Pois bem, lá no centro deu esse enlightment, eu estava me sentindo bem e ligara para Carlos avisando-o existencia dessa ampola  e que a jogasse fora...
De modo que no momento nao tenho nenhum método  fast and clean de me eliminar, mas nem to planejando, embora no tédio nosso de cada dia, eu sempre penso "que bom se eu nao existisse".

21/02/2013

Um dia bom

Hoje eu me saí bem na prova. Um alívio imenso, porque o professor tem pego no meu pé. Eu insisti para me matricular nas aulas dele, porque o outro professor que me reprovou e eu nos odiamos mutuamente: ele iria me reprovar de novo.  Ele se recusa a me dar segunda chamada mesmo quando eu apresento atestado médico.
Pois bem aí esse professor fica me fazendo perguntas, na sala inteira ele só olha pra mim, só se dirige a mim como se só ouvesse eu lá-e eu fico sem jeito quanto nao sei a resposta. mas hoje eu nao deixei por menos: respondi que nao sabia, e ele retrucou: "mas essa matéria já lhe foi ensinada, sim?" Rebati na hora: "Sim, deve ter sido, mas se eu soubesse nao estaria aqui agora repetinho  a matéria, ok" No que ele se calou. Daí no fim do dia as notas já estavam on line e eu acertei 100% das questoes. Só eu e mais um acertamos tudo, porque havia uma pegadinha na que valia mais pontos. 
To me sentido ótima com esse ínicio positivo. Sentindo que eu vou conseguir me formar e arrumar um emprego decente. Aí eu fui à academia malhar. Consegui fazer 15 minutos de esteira, quinze de bike ergometrica e 15 de step, mais um pouquinho de  remo e ginástica localizada. Há tres anos nao havia pisado numa academia. Difícil recomeçar, 14 quilos mais gorda. Vamos ver. Tao feliz em estar bem hoje.

18/02/2013

Semana nova, medos velhos

Entao, que eu já nao tenho mais libido a muito tempo. Nao sei se é efeito do Convulex ou do Cymbalta, o fato é que desde meses eu poderia viver sem sexo. Mas quem é casada sabe que abster-se pura e simplesmente nao é fácil. Com humor super depressivo e me achando o lixo, nao há interesse que se desperte. Mas meu marido  nao tá na mesma onda, né? Ao contrário,  ele é super saudável e cheio de amor para dar (e de vontade de receber).
De modo que eu, que o amo e nao quero destruir meu casamento, dia ou outro cedo. Nao tendo rolado nada na sexta nem no sábado, ontem bem cedo ele se levantou para ir ao banheiro, nisso, tirei minha calcinha. Quando ele voltou à cama, ficou todo feliz e se jogou pra cima de mim. Embora eu tenha gostado, orgasmo já  nem sei mais. Sinto prazer no seu toque, nos seus beijinhos, no seu carinho. Ele tenta, mas eu, desde o primeiro minuto, já sei que nao vou chegar ao clímax. Entao, ele nao demorou muito (ainda que pra mim tenha sido melhor se fosse rapidinho mesmo).
Depois, permanecemos em conchinha. Meia hora depois ele queria bis...
Antes do natal, nosso casamento entrou em crise. Porque homem realmente acha que desejo sexual é prova de amor. E como eu andara semanas e até mes evitando-o, ele desenvolveu a dúvida se eu ainda o amava... Nisso viajei para a casa da minha mae para passar um tempo. Um tempo de seis meses a dois anos (caso eu transferisse a faculdade pra lá), mas em casa dela a morbidez em mim continuou a mesma: me irritei com tudo e todos por lá, surtava dia sim outro nao. De modo que nao fazia nada, arrumei a mala e voltei. Pensei que minha família (mae e irmas), que já lidam com meu transtorno desde meus 18 anos, me dariam algum alívio, mas qual. E no meio dessa dor, ficar ao lado do meu maridinho dedicado e paciente me faz melhor, porque quando ele  me envolve em seus bracos, eu sinto alegria de viver.
Voltei, mas nao deveria. Deveria ter ido adiante com o plano inicial ter feito o concurso, quem sabe eu tivesse passado, ter transferido a faculdade e ter ido morar numa kitnet. Morar sozinha pela primeira vez na vida. Aos 32 anos. Mas me deu medo. Medo de o dinheiro que tinha nao durar nada. Medo de me sentir horrível na pobreza que morar em kitnet com orçamento de estudante é. Medos maiores que tudo. Medo de perder meu amado nessa temporada de relacionametno à distancia.
Enfim, por medo, voltei. E agora passo os meus dias com medo que ele desista de mim, por causa da meu humor e temperamento instável, por causa dos meus surtos.- Medo de nunca terminar essa faculdade, medo de nao arrumar emprego. Medo de viver. Eu sou 30 cm menor do que ele. Mesmo ha cinco anos juntos, ele ainda se surpreende: ontem, enquanto eu escovava os dentes, ele foi me procurar porque eu demorara e ele sempre tem medo de eu me matar quando permaneço horas no banheiro. Daí ele, feliz porque eu estava "normal", digo, apenas escovando os dentes, ele me envolveu por trás, olhando no espelho, viu como sou pequena: "Nooosa, voce nem chega aos meus ombros.." Daí colocou uma mao na minha cabeca e a outra acima dele e disse "desse tamaninho (a mao em mim) e problemoes assim (a mao acima da cabeca dele).."
Agora tenho esses estúpidos ataques de panico. Deu um surto na semana passada só por causa de ter de ir à faculdade, me apresentar ao coordernador para  burocracias de praxe. Medo de que as pessoas dessa turma já soubessem da minha estória de "a surtada", etc. Por todos esses medos, meu coracao comeca a bater fortíssimo, suo como se tivesse corrido uma maratona... E a angústia? Credo! Paraliza tudo; nem mesmo dou conta de chorar. Fazer essa coisa simples de voltar à faculdade é para mim tao difícil como se tivesse que entrar num posso cheio de crocodilos.
Mas aí, eu fui. E uma menina lá que no outro semestre um dia se aproximara de mim pra saber do andamento do curso, acabou me acolhendo muito bem. Sentei-me perto dela e ela foi muito gentil de me passar material já recebido e mais detalhes academicos. No terceiro dia, ela me deu a senha e login dela para pegar os materiais on line.
Até antes do natal, usara meu nome de solteira, mas agora mudei meus documentos e fui à secretária pedir a mudanca de sobrenome no registro, de forma que talvez com novo nome, eu possa recomecar meus estudos de forma limpa, sem estar vinculada à surtada que eu fui no semestre passado.
Escrevo a esmo sem saber se alguém algum dia me lerá. Se voce me le e quiser deixar recado, ou conversar, fique a vontade, pode ser anonima, como eu. Porque estou muito sozinha e algum contato me faria bem.

16/02/2013

Que ódio

Eu deveria ter ido à academia ontem. Meu marido me deu o dinheiro para me matricular para o ano todo, que há uma promocao: quem paga agora tudo, ganha dois meses grátis. Daí eu acordei e resolvi limpar o apartamento a fim de que no fim de semana nao tivesse que faze-lo.
Depois de limpar o ninho, me pus a estudar (estou fazendo duas matérias e mais uma que tenho de estudar sozinha pra fazer a prova da recuperacao): eis que em duas horas de tentativa, nao consegui resolver nem tres itens de uma lista de dez,  da qual a provinha semanal  será na quinta...
Desde entao, meu humor azedou, vem o auto-ódio, porque embureci  muito desde a última internacao. 
Naquelas seis semanas de internacao psiquiatrica em que me administravam 14 comprimidos por dia, destruíram centenas de meus neuronios. Eu nao consigo fazer coisas  bobas. Por exemplo, adoro Sudoku e jogava o nível super avancado, mas desde entao, sofro com o nível médio e só as vezes consigo solucionar um do forte.
Aí, menti para o marido que fora a academia, mas na verdade comera compulsivamente todo o bolo e chocolate que encontrara. Depois,  odeio-me  mais ainda porque nao tenho controle.
Nao dormi bem, portanto. Acordei terrivelmetne deprimida e de mal  com vida. Queria que esse asteróide que atingiu a Rússia tivesse caído em mim e acabado de vez com essa agonia que é viver sendo uma borderline.
Uma borderline sozinha sem terapeuta, sem ninguém pra conversar. Eu só tenho uma amiga que me conhece de verdade e com quem pude sempre conversar e encontrar verdadeiro entendimento. Infelizmente, ela mora noutra cidade e nao usa internet...
Daí fomos fazer compras. O supermercado terrivelmente cheio. Meu humor na pressao máxima de explodir. Meu marido adora supermercado e fica horas lá passeando. Eu teria ficado em casa, debaixo da coberta  a chorar e planejando me matar, mas ele insistiu que eu fosse.
Por nada, tipo, pela demora dele lá a fazer comprar, e aquele tanto de gente igualmente a esmo no supermercado, tudo me irritava ainda mais. Ódio de viver. 
Enquanto ele passava os olhos por todas as ofertas e conferia cada item nas prateleiras, eu o acompanhava como um zumbi envolta em minhas divagacoes sombrias "por que eu sou esse ser tao infeliz?, Porque eu tive de reprovar e perder a bolsa universitária, e agora nao tenho renda e dependo financeiramente dele?" Eu sou uma tapada que só complica as coisas.
Mas ano passado foi um ano difícil. A crise nao tratada de 2011 foi agravada pelos inúmeros problemas de 2012 e eu tive o colapso que me fez perder o ano. E nao quero depender dele. Acho terrível isso. Trabalho desde que tinha 9 anos de idade, nunca precisei pedir dinheiro à minha mae...
E procurei emprego durante a semana e nao recebi nenhuma resposta. E me odeio mais, e me acho um lixo e me convenço de que as pessoas acham o mesmo e nunca me darao uma chance, e me desespero, porque na minha adquirida burrice eu nao serei capaz de me formar e arrumar um emprego, e essa situacao seguirá em circulos e a única saída que eu vejo é me matar, porque viver sob o peso dessa angústia é aniquilador.

12/02/2013

Do coracao

Tenho 32 anos. Quase a metade da minha vida tenho lidado com e passado por dificuldades devido a esse transtorno. Sei que sem ele, eu teria tido uma carreira de sucesso. Eu nao seria essa pessoa fracassada (pelos padroes capitalistas). Mas de uma coisa sou infinitamente grata: dei sorte no amor.
A sorte muito grande mesmo, porque, veja bem, pessoas com personalidade limítrofes, sao desesperadamente carentes, temerosas de serem abandonadas, dependentes emocionais, caóticas com suas emocoes.
De forma que eu passei a adolescencia e inicio da vida adulta atormentando meus namorados para casar, para me darem mais atencao, para viverem exclusivamente em funcao de mim. Milhares de vezes ouvi que os sufocava, que eu era insupertavelmente melindrosa, dramática, chantagista emocional, difícil, etc. E apesar de tudo, todos eles me amaram lindamente. Nenhum deles nunca pode me deixar. Todos sofreram com minha partida.
Um deles, o mais importante deles, amava-me deveras tudo. Sabe, tem gente que diz banalmente "te amo tudo", ele nunca me disse. Depois, sim, disse quando tudo já havia acabado entre nós e eu me casaria no dia seguinte com um outro. Mas hoje eu vejo que ele me amara tudo. E tentara tanto me ajudar. Criara o canto do emburrado pra que eu pudesse ir para aquele comodo nos momentos de crises. Era para eu pegar o bastao e bater nas paredes, canalizar essa fúria. Esse mesmo me disse que nao importava o quanto eu conquistasse, eu sempre seria essa pessoa infeliz, insatisfeita, emburrada com a vida. É que o viver pra mim é mais angústia, grande parte do tempo.
Eu era jovem e imatura. Eu achava que o problema eram os outros. Que o dia que achasse o cara que me desse toda a atencao que me era devida, essas crises de medo de abandono e carencia seriam coisa do passado.
Depois desse cara sabido, veio o outro. O da prima-enciclopédia. Mais uma vez um relacionamento bonitinho, cheio de amor e respeito foi danificado pelas minhas crises de instabilidade emocional.
Aí eu tive sorte de encontrar O cara que me dava a  atencao e dedicacao que eu chamais recebera. Achei que a minha busca tinha terminado. Noivamo-nos com seis meses de namoro. Com um ano e cinco meses, casamo-nos. O primeiro ano no casamento também foi uma lua de mel. Meus sintomas instáveis desapareceram quase por completo nesse período. Depois em Maio de 2011 uma crise violenta trouxe meu antigo eu.
Um eu deprimido e angustiado, sem auto-estima, que se auto-odeia a maior parte do tempo. Que sente medo das pessoas, que dá umas crises de choro na faculdade e envolve todo mundo ao redor no drama e que depois fica morrendo de vergonha de aparecer por lá por receio do julgamento alheio, por vergonha da própria fraqueza.
Um eu que maltrata e inferniza o adorado marido. O qual é infinitamente santo e tem toda a paciencia do mundo para perdoar, me envolver em seu infinito amor e tentar me ajudar.

10/02/2013

Compulsiva


Comecei esse blog. Ainda bem que o fiz. Porque estou numa crise. Daquelas que a única idéia/ impulso que me ocorre é o de me matar. Estou sozinha. Meu marido está no trabalho. Minha cabeca está doendo, girando.
 Tenho de fazer a janta. Ontem, quando ele chegou, a pia estava lotada, eu nao havia feito a janta, estava na cama. Ele nao disse nada. Mas fez aquela cara... Comeu do que havia na geladeira. Mais tarde, me propus a fazer uma sopa, nao consegui. Voltei para a cama, ele teve de terminar e me servir.
Agorinha, estive procurando uma cena do filme A mighty Heart. A cena em que a Jolie fica sabendo que o marido dela morreu. daí ela chora. Chora igualzinho eu choro. Mas ela chora por algo real, comprensível. Eu choro dramaticamente daquele jeito por coisas insignificantes. Noutro filme, uma personagem chorava igualzinho,mais dramático ainda que a Jolie naquela cena. Aí essa personagem ganha de outro uma máscara, com a qual pode chorar mundos e fundos sem incomodar ninguém.. Ao ver essa cena, meu marido na hora pulou de alumbramento: tá aí uma coisa que eu deveria ganhar.
Porque meu marido já se acostumou com meu choro brutal, ele já nao se contorce mais de medo de que o mundo venha abaixo, ou eu traga abaixo, mas ele ainda é dominado pelo temor de que os vizinhos dos apartamentos de baixo, de cima e dos lados venham bater à nossa porta exigindo silencio ou mesmo chamem a polícia porque quando eu dou a choradeira borderline, realmente parece que alguém morreu do meu lado ou algo gravíssimo aconteceu.
Insignificantes para os outros. Porque para mim, borderline que sou, pequenas coisas causam grandes feridas.
Desde que voltei das férias no sábado, só penso em me matar. Poucas horas depois que voltei, arrependi-me de te-lo feito. Eu havia partido para passar de seis meses a dois anos fora, enquanto meu marido termina os estudos dele. Mas, lá, com minha mae, eu nao fiz nada do que me propusera: eu nao procurei a minha antiga terapeuta que tanto me ajudou, eu nao fiz o concurso para o qual me inscrevera, eu nao contactara a universidade para transferir o curso. Passei os dias prostrada e deprimida. Fiquei com medo de me matar por lá e dar esse trabalho e desgosto para minha mae e a pequena.
Quando eu aprontei para vir embora, a pequena nao quis que eu viesse. Ela me adora. Ela me faz bem e eu a ela. Algo valioso para me agarrar à vida. Mesmo que eu´já nao tenha mais sentido em viver, agora estaremos conectadas e eu tenho de viver nem que seja por esses momentos bons que eu a proporciono.
Entao que eu choro absurdamente. Agora mesmo estive chorando. Estou sem terapeuta, nao tenho ninguém com com falar. E a angústia de ter de arrumar um emprego qualquer. E o ódio de ter tido uma formacao completa perdida, e fazer uma outra que nem sei se vou conseguir terminar. E apesar de sempre estudar e trabalhar, eu sempre fui uma das melhores alunas de todas as minhas classes escolares e academicas. E já andei com gente inteligentíssima que me achava igual, vejam bem. Uma prima de um ex é tal que o apelido dela na família é enciclopédia, daí que enquanto eu andei por lá eu fui o Tomo II . Mas hoje eu virei uma tonta. Ontem,. nao conseguia acertar o relógio do PC e comecei a chorar. Meu marido tomou-o das minhas maos e o fez em 3 segundos, murmurando algo que diz(viu, tapada). Estou virando uma retardada.
Pela manha, falei com minha conselheira e ela me disse que eu nao devia trabalhar esse semestre, deveria somente me tratar. Deveria me enconstar por motivo de saúde e me concentrar na terapia.
Mas trabalhar me faria bem. Se nao tenho o que fazer, procrastino o tempo todo. Deveria  estudar. as aulas comecam na segunda. Mas estou em panico de ir. Sei que olharäo na minha cara e serei desprezada pela louca que me julgam, que ninguém quererá ser minha amiga. Que me sentarei sozinha na sala. Ainda bem que só sete aulas por semana: uma na terca, 4 na quarta e duas na quinta. Nao haverá intervalo para sentar sozinha no refeitório.

08/02/2013

Dossie momentaneo

Daí que eu tinha uma bolsa de estudos, mas abandonei o semestre passado e terei de repetir todo o período, no que perdi a bolsa. Agora, nao tenho dinheiro e tenho de arrumar um emprego, pelo menos part time para  minhas necessidades ultra básicas: meu transporte, meus absorventes e cosméticos e minha alimentacao. Moradia e despesas correlatatas nao preciso me preocupar, embora se eu arrumar umas 20 horas por semana, vou fazer questao de contribuir. Quero também fazer academia e ioga. Eu tenho de malhar. Eu presiso de me exercitar.
Ontem e hoje, saí para resolver umas coisas. Na volta, desci do bonde e nao peguei o bus: vim caminhando meia hora.
Estou numa crise que iniciou em maio de 2011: tive uma piripaque daqueles e fui internada. Lá me deram tanto remédio (eram 14 comprimidos de seis tipos diferentes por dia) que depois de seis semanas nunca mais fui a mesma. Ele me deram o diagnóstico errado. Julgam me pura e simplesmente uma psicótica sem explicar qual psicóse. No que o seguro cancelou minha apólice e se eu  morrer ou me fizer morrer, meus entes queridos nao irao receber um centavo e se eu ficar internada, o que nao for coberto pelo plano de saúde, terei de arcar sozinha com os custos extras.
Enfim, depois da internacao, saí de lá muito mais doente. Minha habilidade de concentracao e consequentemente aprendizagem foram praticamente extintas. Eu vejo que emburreço a cada dia.
Saí de férias no Natal e ao voltar, esqueci minha senha do banco.
Eu tenho de fazer meu currículo e sair a distribuí-lo. Mas só de pensar nisso, comeco a chorar, me deito encolhida na cama, choro e só quero morrer. Eu nao tenho preguica de trabalhar, eu gosto, mas o processo de procurar emprego me mata. Eu sofro de baixa auto-estima. Eu me acho um lixo. Eu acredito que as pessoas me adeiam só de me olharem... Entâo, procurar emprego é para mim como atravessar um pantano cheio de crocodilos.
Enquanto isso,  eu tenho de malhar. E voltar a tomar os remédios. Desde que saí da clínica ano trazado, demorou muito pra achar uma médica e uma terapeuta com as quais eu me acertasse. Minha médica é super bacana. Ela nao se senta atrás da mesa, mas numa poltroninha tete a tete com a gente, a paciente, de modo que ela olha bem nos meus olhos e escuta mesmo tudo o que eu digo.
Disse-lhe que desde de junho do 2011 já passei por cinco médicos e todos eles se recusaram a me receitar Lithium. No que ela prontamente me receitou Convulex. Além de receitar, ela me deu prontamente tres frascos do medicamento da prateleira lotada de amostras que ela tem.
Como eu sou fanática da leitura e leio cada sílaba de bula, inferi: o Convulex é um medicamento para quem tem eplepsia, mas é administrado a pacientes borderline que nao podem tomar o Lithium. E porque nao posso tomar lithium? Porque o límite entre dose terapeutica e mortífera é muito tenue e eu sou uma suicida em potencial. Mais de uma vez já ingeri todos os remédios que tinha em maos, fui parar em coma, ad infinitum...
Entao, agora eu tomo (ou deveria estar tomando) Convulex 500mg e Cymbalta. Esse antidepressivo é bom. Minha própria psicóloga toma do mesmo... Ela é ótima, mas ela nao é psicoterapeuta e desde o ínicio insiste que eu precise de uma terapia cognitiva. Daí achei uma boa clínica que trata somente de Borderline. Fui aceita na triagem e inscrita para a terapia individual e o curso chamado coping skills.
To morrendo de vontade de fazer esse curso/terapia. Mas lá em Novembro, quando da triagem, a terapeuta que me atendeu e me inclui no programa disse que poderia demorar até quatro meses pra sair a minha vaga. Depois, quando eu estava de férias, ela me liga dizendo para eu comparecer dia 14 de janeiro. Avisei que só voltava à cidade em Fevereiro. Liguei pra ela ontém e fiquei sabendo que agora só entro no próximo curso em  maio ou junho. E tenho aulas tres vezes por semana de manha, vou pegar só duas das matérias pendentes. Espero que no próximo semestre eu esteja melhor para pegar todas e terminar isso de uma vez.

Olá

Tem uma coisa que eu queria muito: ser boa com internet, programas e afins, mas sou terrível. Por isso,  iniciar um blog é uma tarefa difícil. Queria um layout bacana, personalizado, queria aquelas tabs e tal, mas vai assim, como eu: simples
Mas já inicio mentindo: eu nao sou simples. Sou a pessoa mais complicada desse mundo. Tresloucada. Quando estou no mode Normal on, acho que sou adorável, porque sou uma pessoa realmente muito amada e querida por todas as pessoas que já conheci na vida. Mas como na fábula dos porcos espinhos e o frio, nao se pode aproximar muito, que se machuca, de forma que muitas dessas pessoas que me amam (ou já amaram) às vezes tem de se afastar. Algumas se afastam tanto que já nao dá mais pra sentir o calor emanado delas, mas tudo bem, eu as entendo e continuarei amando-as pra sempre.
Eu sou assim, eu nunca cesso de amar alguém. Eu ainda amo todos os meus amores passados, mas amo sem dor e traumas, alegro-me por tudo o que cada um representou e contribui(u) pra minha vida. Uma vez até participei do Grupo MADA (mulheres que amam demais anonimas), porque devido ao meu diagnóstico,  volta e meia eu me via em caos nos relacionamentos...
Acredito que o sou desde o nascimento. Mas só o descobri mais tarde. Aos dezessete anos, perdi meu irmao. Ele morreu num acidente, eu fiquei muito mal, abandonei o emprego sem nem ligar apra avisar. Deixei de ir às aulas. Era outubro. Só passei de ano porque minhas notas eram excelentes e com o sistema de peso da época, eu já fora aprovada no terceiro bimestre. Sem ir às aulas ou ao trabalho de recepcionista de meio período, dediquei-me a ficar o dia todo na cama, mórbida a chorar, depois as lágrimas secaram e eu continuava lá deitada na cama semi-morta, sem comer, sem nem mesmo tomar banho ou escovar os dentes. Cobri a janela com com uma colcha de retalhos escura. Eu me entendia melhor com a escuridao absoluta.
Minha mãe pirara também. Antes dessa total caída minha, tive de acudi-las muitas vezes: no meio da noite, de baixo de chuva torrencial, ela saía rua afora gritando meu irmao. Uma dia, ela, que também morria aos poucos, incapaz de superar a perda, me arrastou da cama e me jogou debaixo do chuveiro. Minha amiga apareceu, ajudou-a a me vestir e me levaram para uma clínica onde fui internada para tratamento de depressao.
Com os remédios e a terapia, reagi, um novo ano letivo comecou. Mudei de escola, terminei o ensino médio (era segundo grau na época) e segui para o vestibular e afins.
Mas eu já nao era a mesma. Eu mudara muito. Eu me tornara uma pessoa extremamente instável e complicada. Nao parava no emprego, fazia tempestades incríveis no namoro. Trocava de namorado toda hora. Abandonava o emprego, abandonava a faculdade. Caía em depressoes terríveis seguidas de período instável e ativo onde se achava que eu tinha melhorado. Mudaram meu diagnóstico para Bipolar. Transtorno cujos sintomas e medicamentos nao batiam realmente comigo.
Um psicólogo bacana, depois de muita troca e busca por médicos e resposta, determinou que o que eu tinha era Borderline, ou transtorno limite de personalide.
Limite de que? Limite entre neurose e psicose. Eu nao escuto nem vejo coisas inexistente, mas meu descontrole emocional  é tal que eu às vezes, eu nao consigo fazer coisas normais, banais. E eu choro escandalosamente por coisas simples...