Entao, que eu já nao tenho mais libido a muito tempo. Nao sei se é efeito do Convulex ou do Cymbalta, o fato é que desde meses eu poderia viver sem sexo. Mas quem é casada sabe que abster-se pura e simplesmente nao é fácil. Com humor super depressivo e me achando o lixo, nao há interesse que se desperte. Mas meu marido nao tá na mesma onda, né? Ao contrário, ele é super saudável e cheio de amor para dar (e de vontade de receber).
De modo que eu, que o amo e nao quero destruir meu casamento, dia ou outro cedo. Nao tendo rolado nada na sexta nem no sábado, ontem bem cedo ele se levantou para ir ao banheiro, nisso, tirei minha calcinha. Quando ele voltou à cama, ficou todo feliz e se jogou pra cima de mim. Embora eu tenha gostado, orgasmo já nem sei mais. Sinto prazer no seu toque, nos seus beijinhos, no seu carinho. Ele tenta, mas eu, desde o primeiro minuto, já sei que nao vou chegar ao clímax. Entao, ele nao demorou muito (ainda que pra mim tenha sido melhor se fosse rapidinho mesmo).
Depois, permanecemos em conchinha. Meia hora depois ele queria bis...
Antes do natal, nosso casamento entrou em crise. Porque homem realmente acha que desejo sexual é prova de amor. E como eu andara semanas e até mes evitando-o, ele desenvolveu a dúvida se eu ainda o amava... Nisso viajei para a casa da minha mae para passar um tempo. Um tempo de seis meses a dois anos (caso eu transferisse a faculdade pra lá), mas em casa dela a morbidez em mim continuou a mesma: me irritei com tudo e todos por lá, surtava dia sim outro nao. De modo que nao fazia nada, arrumei a mala e voltei. Pensei que minha família (mae e irmas), que já lidam com meu transtorno desde meus 18 anos, me dariam algum alívio, mas qual. E no meio dessa dor, ficar ao lado do meu maridinho dedicado e paciente me faz melhor, porque quando ele me envolve em seus bracos, eu sinto alegria de viver.
Voltei, mas nao deveria. Deveria ter ido adiante com o plano inicial ter feito o concurso, quem sabe eu tivesse passado, ter transferido a faculdade e ter ido morar numa kitnet. Morar sozinha pela primeira vez na vida. Aos 32 anos. Mas me deu medo. Medo de o dinheiro que tinha nao durar nada. Medo de me sentir horrível na pobreza que morar em kitnet com orçamento de estudante é. Medos maiores que tudo. Medo de perder meu amado nessa temporada de relacionametno à distancia.
Enfim, por medo, voltei. E agora passo os meus dias com medo que ele desista de mim, por causa da meu humor e temperamento instável, por causa dos meus surtos.- Medo de nunca terminar essa faculdade, medo de nao arrumar emprego. Medo de viver. Eu sou 30 cm menor do que ele. Mesmo ha cinco anos juntos, ele ainda se surpreende: ontem, enquanto eu escovava os dentes, ele foi me procurar porque eu demorara e ele sempre tem medo de eu me matar quando permaneço horas no banheiro. Daí ele, feliz porque eu estava "normal", digo, apenas escovando os dentes, ele me envolveu por trás, olhando no espelho, viu como sou pequena: "Nooosa, voce nem chega aos meus ombros.." Daí colocou uma mao na minha cabeca e a outra acima dele e disse "desse tamaninho (a mao em mim) e problemoes assim (a mao acima da cabeca dele).."
Agora tenho esses estúpidos ataques de panico. Deu um surto na semana passada só por causa de ter de ir à faculdade, me apresentar ao coordernador para burocracias de praxe. Medo de que as pessoas dessa turma já soubessem da minha estória de "a surtada", etc. Por todos esses medos, meu coracao comeca a bater fortíssimo, suo como se tivesse corrido uma maratona... E a angústia? Credo! Paraliza tudo; nem mesmo dou conta de chorar. Fazer essa coisa simples de voltar à faculdade é para mim tao difícil como se tivesse que entrar num posso cheio de crocodilos.
Mas aí, eu fui. E uma menina lá que no outro semestre um dia se aproximara de mim pra saber do andamento do curso, acabou me acolhendo muito bem. Sentei-me perto dela e ela foi muito gentil de me passar material já recebido e mais detalhes academicos. No terceiro dia, ela me deu a senha e login dela para pegar os materiais on line.
Até antes do natal, usara meu nome de solteira, mas agora mudei meus documentos e fui à secretária pedir a mudanca de sobrenome no registro, de forma que talvez com novo nome, eu possa recomecar meus estudos de forma limpa, sem estar vinculada à surtada que eu fui no semestre passado.
Escrevo a esmo sem saber se alguém algum dia me lerá. Se voce me le e quiser deixar recado, ou conversar, fique a vontade, pode ser anonima, como eu. Porque estou muito sozinha e algum contato me faria bem.