29/10/2013

Ninguém pediu

Nessa família, cresceu-se ouvindo que "se fez das tripas coração pra criar os filhos": qualquer coisa é motiva pra culpar as crias pelas misérias que progenitora teve sofrer. Filhas, esgotadas pela tortura emocional, aprendem a revidar: "não pediu pra nascer"

Irma mais nova está grávida pela terceira vez. Três vezes não planejou nem desejou se multiplicar. Crianca virá ao mundo em condições não muito acolhedoras. Toda vez que está grávida, cacula fica super mal: prostrada em depressão profunda (médico de de família (clínico geral) do SUS receita carbamazepina e fluoxetina. Queridas grávidas, se puder evitar, realmente não tome tais remédios sob pena de seu bebe nascer com má formação congênita.)  Não come, não levanta, emagrece, gravidez se torna de risco. Hiper sensibilidade mode on. Qualquer coisa, explode.
Mãe liga pra ela pra cobrar algo, a grávida explode.. Mãe grita de cá: ah!  Tá enfezadinha? Eu não tenho culpa de suas penitencias, não! Você não pediu pra nascer? Eu também não!

E, no ventre, mais uma criaturinha vai sendo gerada pra alimentar essa rede borderline. Dó!

15/10/2013

triste legado

Então, passando o dia comigo nas cachoeiras e trilhas, amiga pensara que eu estava bem, feliz até! Ledo engano. Nos momentos de certo alívio, em que pareço bem, são dos momentos mais perigosos: porque naquele momento de alívio, a mente tem a capacidade clara e fria de raciocinar e saber: esse momento bom de serenidade vai durar pouco. Muito pouco. Efemeridade que logo será substituída pela onipresente  angústia eterna.
Nem tento mais agarrar essa efemeridade, tentando com que ela permaneça. Qualquer dia morro, espero que não demore muito. Já que viver me é uma dor. Se pelo menos coisas boas tivessem acontecido. Mas qual. Quase dois meses e nada concreto: 
-zero entrevista de emprego (exceto uma, em que fui incrivelmente esculachada pelo entrevistador cruel e sádico);
- Centenas de brigas em família;
- Conflito odioso com a mãe;
-Desespero pra arrumar logo um trabalho e sair da casa DELA;
Marido veio me visitar. Passeamos juntos. Nada foi nem mesmo conversado em como vai ficar a nossa história. Agora, ele volta pro país dele, pro emprego novo dele, pra terapia dele.
Eu tenho de arrumar um emprego. Tenho ainda cinco mil reais, quanto tempo vai durar? Antes desse dinheiro acabar, se não estiver empregada, terei de vender o carro. Há três semanas estive me sentindo ótima, mas logo passou. Culpa plena: nunca mais fiz as coisas a que me propus para cultivar a minha sanidade emocional. O chamado para me reconciliar com tudo e com todos ficou para piada de humor negro.
Se pelo menos minha mãe não fosse a neurótica que é, eu estaria num ambiente mais propício para eu equilíbrio. Ou se eu tivesse mais compaixão, eu não a odiaria por ser como é.
Meu marido até chorou num dos dramas enormes que rolou. E, pior, ele disse que eu sou igualzinha a ela. 
A morte, eu me odeio, porque tudo o que eu queria ser era diferente. Mas com ele, nem nosso lar, eu era diferente: eu não sou essa louca que inferniza todo mundo ao redor por causa da casa, não fico a gritar ordens às pessoas como se elas fossem escravas, não banco a estraga prazeres...
Ora, ela não tem amiga nenhum, ninguém a suporta enquanto eu sempre fui tida como simpaticíssima, sempre muito bem vinda e querida em qualquer sociedade/grupo que me aproxime.
Que sou ser igual ela, porque ele disse isso?

16/09/2013

Caos

Aí, o mundo exterior e interior é a expressao viva do caos. Os pensamentos de morte. Eles nunca me deixam. Porque viver é assim como está com o estomago enjoado e mesmo assim ter de sentar à mesa sorridente e comer um arroz papa e sem tempero algum. Comer se estar com fome e ainda com repulsa.
O que essa vida me dá?
Bulhufas com essa teoria neocrista" Jesus preenche todo o vazio".
Esse vazio, essa infinita angústia do ser.
Voltei,  e nada tem dado certo. Nenhum emprego à vista, carro que dá trabalho e vivo por conta de arrumá-lo. Ambiente familiar um tédio. Credo, eu tinha, nesses anos de exílio esquecido de como mihamae é uma pessoa chata e desagradável, obsecada com limpeza, que grita com todos e com os cachorros o tempo todo, que inferniza o ambiente. Que fica lá limpando tudo pra depois enjoar s outrs diezndo "ah,q ue eu to cansada, que eu fiz assim e assado, qu eu nao descansei um minuto... " Que comeca o almoco as dez da manha, sabendoque ninguém estará com fome as onze e depois comeca a encher o saco porque  ninguém vai comer na hora que ela quer."

Morei nessa casa até meus 28 anos. Saí, casei e tive minha casa por quatro anos e meio. E tudo lá é  diferente. Meu jeito nao tem gritaria, nao tem essa enchecao de saco. marido e eu fazíamos tudo juntos: preparar o café da manha, arrumar a casa,etc. Tudo era tao ajeitadinho.
Porque, porque vida, eu nao posso ser feliz?

09/09/2013

Chaos

Aí, porque eu odeio bagunca, ela está em todo lugar. Nesses cinco anos e meio que morei fora, vim aqui 3 vezes e em todas as vezes havia algo a ser arrumado nessa casa. Desssa vez, muda-se toda a instalacao hidraulica da casa para ligá-la à rede de esgoto, que finalmente chegou nessa parte periférica da cidade depois de trinta anos de existencia do bairro e sucessivas obras recomecadas em tempo de eleicao. Além disso, há de se instalar a caixa dagua, que nao temos. Caos.
E caos é o que reina em mim. Nada acontece, bate o desespero da situacao. A partida, o amor deixado lá, o relacionamento dos sonhos desistido, a tristeza dessa miséria que o Brasil é.  A dor de , entretanto, nao se pertencer aquele mundo e portanto,nunca conseguir ser feliz lá, porque ser estrangeira é uma condicao muito estressante que desencadeia-me crises eternas.
Desespero porque nada está acontecendo aqui: comprei o carro usado, oqual embora aparente boa coisa, tem tantos problemas. Ha de se trocar o step, retirar o xenon,  trocar o extintor, e agora a porta nao tá trancando, nem mesmo manualmente, de forma que nao posso ir à lugar algum sem alguém pra ficar de olho. Hojefui ao banco fazer um depósito identificado, tuvede esperar mais de meia hora para tanto e minha irma fez o extremo obsequio de fica lá fora, à porta do banco, em pé, naquele calor infernal vigiando meu carrinho.
Seria tao bom se eu tivesse chegado e arrumado emprego, tivesse conseguido comprar um carro ajeitadinho, entrasse nunca casa em ordem com pessoas equilibradas, faria muito bem pro meeu psicológico destruido.

21/07/2013

Espera dolorosa

Nao tem esperanca a ver com esperar?
Mas esse esperar sem esperanca
Que dor!
Angústia infinita.
Passagem comprada.
Eis que me vou
embora
dessa terra estrangeira.
Queria era ficar.
Mas nao dá mais pra ficar.
E se?
E se me aparece um emprego antes do dia 17 de agosto?
Ah, se me oferecem um trabalho remunerado.
Eu ficaria
com que alegria...

Porque sem emprego nao fico mais. Há tres anos e meio que nao trabalho, até dezembro do ano passado, tinha bolsas de estudo. Desde entao, produzo mais nada. Nisso, com o desemprego do meu marido, comecaram os problemas financeiros. Na idéía dele e de muitos, eu deveria trabalhar de faxineira.

Abre parenteses: (Aqui, imigrante boa é imigrante que vem pra faxinar. Na limpeza, nao falta trabalho. Na área de informática também, e manicures e emfermeiras também tem chances.... Pra quem quer ser técnica em emfermagem, há curso gratuito e bolsa de manutencao. Mas eu nao consigo ser enfermeira: eu tenho horror de sangue, e eu nao consigo ficar perto de doentes, porque eu sofro com eles, me dói o coracao ve gente sofrendo e eu fico paralizada.) Fim do parenteses.
Nunca recebi um retorno das candidaturas a emprego, E olhe que até em supermercado como repositora/caixa eu me candidatei.

Assim, sem perspectiva de trabalho, me vou. Nao que queira ir, mas vou porque já nao dá mais pra ficar. Quando me vim pra essa terra estrangeira, o fiz porque  estava com o coracao partido, desesperada pra encontrar o amor. Hoje, encontro-me muito mais desesperada do que antes: ser desempregada e sem perspectivas, dependente de marido, acuada pelas limitacoes da falta de dinheiro, os conflitos com o marido advindos dessa falta... Tudo isso  me enlouqecem mais que o desamor. Por isso, me vou.
Oh, mas como eu queria fica nessa cidade linda que eu amo de coracao. Adoro tudo aqui. Mas há tempos que sao pouquissimos os dias em que saio para aproveitar tudo o que a cidade oferece, porque estou mal e/ou nao tenho o dinheiro.
E porque nao trabalho de faxineira? Primeiro, porque odeio limpeza: minha casa deixa a desejar, eu odeio limpar casa, como faria isso profissionalmente? Além disso, essa desqualificacao pessoal haveria de intensificar minhas crises existenciais, afinal, pra ser faxineira, eu nao precisaria ter me esforcado a vida inteira conciliando trabalho e estudos numa jornada louca de pobre que rala. Pra eu ser faxineria, minha mae nao precisaria ter passado roupa até dez da noite em casas alheia pra pagar meu cursinho prévestibular. Pra ser faxineira, eu poderia ter me casado aos 15 com o vizinho e "terminado" meus estudos na 5 série, como fizeram muitas das meninas de meu bairro. Nao, eu nao construir as estradas por onde queria passar pra voltar ao ponto null.
Alguém querida me lembrou que eu também tinha depressao antes de vir. Sim, eu tinha. Na verdade, essa doenca me acompanha desde meus 17 anos, com períodos intercalados em maior ou menor intensidade. Tomar essa decisao drástica num período de intensa depressao seria arriscado. Mas nao tomar nenhuma decisao agora, pode significar o fim de minnha vida. Porque sou  torturada pela minha angústia, nao vejo saída. Nao quero ir e correr o risco de perder me amor. Mas pequenas grandes adversidades cotidianas aqui estao me asfixiando.

Espera dolorosa

Nao tem esperanca a ver com esperar? Mas esse esperar sem esperar é de uma dor angustiante. Passagem comprada. Eis que me vou embora dessa terra estrangeira. Mas todo dia vem um fiozinho de esperanca: e se? E se me aparece um emprego?

01/07/2013

Rota sem saída

Comprei minha passagem pra voltar pra casa (da minha mae).
Esse foi o pior semestre da minha vida: abandonei a faculdade e perdi, portanto, a bolsa academica, passei meses procurando emprego, nada encontrado, deprimi-me mais ainda a ponto  a niveis nunca imaginado Meu marido tinha um casinho virtual, perdeu dinheiro em jogos de azar, perdeu o emprego por consequencia indireta do vicío... E as brigas tem se seguido, ele diz que os problemas dele sao consequencia dos meus problemas.OI?
Nao dá mais. Encontro-me tao infeliz, todos os dias me pergunto "o que estou fazendo aqui".
Deve ser tao bom ser dessas pessoas simples que nao tem crise existencial, ou dessas pessoas bem resolvidas que para tudo  a fé e a resignacao sao a resposta. Mas assim nao sou. Sou pertubada pela minha mente todos os dias.
Antes, era desesperada pra casar, pra encontrar "O Amor". Ah, se eu soubesse o que sei hoje.  Nem sei mais se amo meu marido, porque cheguei a conclusao de que me odeio e quem nao ama nem a si mesma, será capaz de amar ao próximo?
Tudo o que sei é que a vida e a sociedade como está organizada nao faz sentindo algum e/ou eu sou totalmente excluída dela. Excluída no sentido nao material da coisa entende? Tenho certeza de que pouca gente entende e o mais triste é que eu nao tenho contato algum com quem possa entender.
Quando eu tinha 19 anos, meu namorado, e vizinho, queria casar comigo, mas ele era um bom menino sem ambicao nem muita brightness que trabalhava por um salário minimo e nunca tinha ido ao Cinema nem ao teatro nem viajado de férias, e nao entendia mesmo meu sonho de estudar ingles ee fazer intercambio. Casar com ele teria significado construir um puxadinho no quintal da mae dele ou da minha mae.
Aos 24, morei com um namorado: cultura e inteligencia personalizados Era poeta, compositor, dancarino de salao,ator e filósofo (tudo autodidata que ele nunca fez um vestibular na vida). A Pessoa mais interessante e excitante que já  me relacionei na vida. Fumava maconha o dia inteiro, nao trabalhava tecnicamente falando - era sustentado pelo pai rico. Mas ele assim Hippie, o paitrocinio dele nao se extendia a mim, de forma que eu tentava equilibrar um part-time hippie com uma jornada de garota pobre que luta trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Ao fim do mes, com esse Hippie, nao tinha dinheiro para o Tomate e a única sugestao dele era de que fossemos comer na casa dos Pais dele. Além disso, a casa era uma bagunca, ele nem mesmo recolhia o lixo dele, nyo lavava um prato e eu nao ia me transformar numa amélia com Dupla jornada. Fui embora.
Agora, aos 33 estou pra sair de uma relacionamento mais uma vez nao porque as coisas entre nós nao funciona, mas porque as condicoes exteriores sao tao estressantes que eu nao quero mais viver e isso faz tao mal pra o relacionamento.
 Eu nao acredito que eu vá ter Chance nessa terra e quero voltar a ter um bom trabalho. Estou com medo. Muito medo de nao consegui trabalho algum lá e daí nao sei mesmo o que vou fazer. Minha mae me receberá de bracos abertos e me dará todo apoio.

08/06/2013

Insonia

Tres noites sem dormir. Eu adormeco, lá pelas onze da noite; mas aí;  às duas ou tres da manhä, acordo e nao durmo mais.
Estou tentando fazer os exercícios de relaxamento e respiracao, tomo chá de camomila, mas nada adianta. Quero realmente dormir sem tomar remédios. Todas essas drogas estao destruíndo meu cérebro: outro dia, a chave sumiu. Nao se achava-a por nada, mas daí tres dias depois, foi encontrada dentro do freezer! Ou entao, ao desfazer a mesa do Café da manha, eu pego o leite aberto e guardo no armário de cereais, pego o vidro de adocante e guardo na geladeira.
E pego o Metro na direcao errada, quase todo dia. Aí eu desco e pego voltando.. E passo da parada e tenho de descer e pegar o Metro de volta de novo, de volta que eu preciso do dobro do tempo para ir a qualquer Lugar. Converso com a psiquiatra, ela meio que me ignora, me diz pra fazer as coisas mais devagar, rpa prestar atencao. "Ce nao tá me entendendo, doutora, é como se eu tivesse Alzheimer e eu só tenho 33!"
Ok, vamos diminuir a dose do Seroquel.
 

04/06/2013

O espalhamento e suas feridas

Quando erámos crianca, minha mae nao  teve por vezes condicoes de manter-nos. Era o auge da inflacao do final dos anos 80 e inicio dos 90, desempregada a fazer bicos, minha mae se viu em situacao de extrema miséria, por isso,  sendo obrigada a nos "espalhar": para termos o que comer.
 Minhas duas irmas ficaram em colégio interno, meu irmäo também foi mandado a um internato para meninos num escola agrária noutro municipio, mas ele fugiu de lá e voltou para casa de carona. Chegou dizendo que se o internassem de novo, ele fugiria paa sempre. Esse irmao se ocupou a infancia inteira de vender picolé e engraxar sapato.
Eu escapei de ir para o internato  (obras sociais espíritas onde meninas recebiam acomodacao, alimentacao e educacao de segunda a sexta, passando o fim de semana com a mae). Minhas irmäs até hoje se ressetem de terem sido internas. Uma diz que odiava, que chegara a dormir no chao...
Nao fui para o internato porque uma vizinha casou, teve o segundo filho, mudou de bairro e me levou pra morar com ela. Eu tinha nove anos, e esse foi meu primeiro trabalho doméstico infantil. Trabalhava sem remuneracao: ajudava com as criancas e arrumava a casa, lavava a loca, varri o Quintal, etc só pela comida e eventuais roupas e material escolar.
Em nenhum momento, eu culpo miha mae por isso. Depois desse primeiro emprego, fui à outro, nas mesmas condicoes, babá de menino de classe média em troca de comida e moradia, até os 12 anos; e dos 13 a 14, trabalhei de doméstica recebendo meio salário minimo certinho por meio período de trabalho. Depois fui ser telefonista/recepcionista no programa Menor Aprendiz.
Depois de sair do internato, minha Irma mais velha teve também de trabalhar como doméstica. Era a nossa realidade. Cujos efeitos até hoje doem. A dor da infancia perdida Sem uma familia estável.
Nao acho que esse "espalhamento dos filhos" a que fomos submetidos seja culpa de mamae. Tendo tido a oportunidade de morar nas casas da classe média, vi logo que se tratava de um problema no sistema: as famílias viviam bem e as empregadas domésticas (atividade que minnha mae exercia) eram seres miseráveis porque o salário minimo era desumano.
Um dia minha mae conseguiu um emprego estável como gari. Depois, mas tarde, ela conseguiu ir para a secretaria de educacao como merendeira em escola primária num regime de meio meríodo. A primeira coisa que ela fez foi tirar minha irmä mais nova do internato e a a cuidar da pequena ela mesma. A mais velha já se casara, eu e meu irmao trabalhávamos, de forma que a caculinha  teve a transicao da infancia pra adolescencia em melhores condicoes que todos nós. Ela pode somente estudar e teria até terminado o segundo grau e feito um curso técnico se quisesse...

03/06/2013

Da crise e do curso

 
Passei o fim de semana inteiro deitada na cama, a desejar a morte. A chorar. A me odiar e a odiar o mundo inteiro. Estou perdendo a luta. Estou  certa de que nao viverei. Viver pra que? Minha vida é essa angústia, apatia infinita. Uma dor de existir!
Atravesso a rua sem olhar  se vem carro, ando bem devagarinho, quem sabe um carro me pega.
Na noite de sábado para domingo nao dormi. Lá pelas quatro da manha, levantei-me e ía para a estacao  de trem me lancar na frente de um. Marido acordou, suspeito e desorientado, se pos a chorar também.  Tomei tres comprimidos de Truxal e dormi 23 Horas seguidas:(
Se eu me jogar na frente do trem, de acordo com as leis desse país, ele será obrigado a pagar os custos subsequentes à tragédia de meu suicídio. Na crise há dois meses, quando somente andava a esmo  nos trilhos na madrugada esperando um trem passar, meus sogros chamaram a polícia para ajudar a  me encontrar, semanas depois chegou em casa a intimacao para ir ao forum onde seria decretada a multa e custos relativos: Hora da polícia, gasolina do carro da polícia, alerta e pessoal da estacao de trem, transporte de ambulancia da estacao para o Hospital..
Coitado do meu marido, melhor eu poupá-lo de mais prejuízos. Mas como ei de me matar entao? Moro no primeiro andar de um prédio de quatro, por mais que eu quisesse me jogar lá do últmo, nao ia dar resultado mortal.
Toda hora morre gente subindo montanhas. Quem sabe.
E se eu me matasse junto à minha família brasileira, nem quero pensar, coitada da minha mae.
Talvez eu compre uma passagem para um cruzeiro (quando descolar um dinheiro, porque estou quebrada) e me lance ao mar no meio da noite, de forma que ninguém vai ter de lidar com o desgosto e trabalho de me enterrar.
 
Nisso, comecou, o curso coping skill no qual se aprende estratégias de lidar com os sintomas e crises Borderline. Eu comecei o curso no meio de uma crise, o que nao é bom, né? Ja viu que bombeiro aprende a apagar o fogo Antes de un incendio! Mas nao vai dar pra esperar sair da crise, pq se eu perder essa turma, a outra somente daqui a quatro meses. A coisa comica do curso é que todo mundo lá parece super  bem. Exercicios de respiracao e concentracao todos declaram que fazem Sem problema, no final, todo mundo fala como tá se sentindo, e todos se declaram super de Boa. Aí eu penso: "cara, e estao aqui por que?" Porque eu quero mais é dizer: "olha, to achando uma merda, viu, esseas técnicas aí parecem bonitinhas, mas quero ver eu no meio de uma crise de desespero parar pra me concentrar no corpo inteiro".
 
 

Do equilibrio

01/06/2013

Da falta de oportunidades

Entrei no Google para pesquisar "nunca tive oportunidade na vida" e no momento exato em que o digitei, veio o esclarecimento: só de estar aqui a digitar isso, já é uma prova em contrário: eu tenho oportunidade de acessar Internet, eu tenho Internet barata e de qualidade no conforto da minha casa, eu tive oportunidade de aprender a ler e escrever, estou saudável nesse momento em que me sento aqui pra desabafar da minha falta de oportunidade na vida.. Uma pessoa que nao tem oportunidades na  vida nao estaria aqui escrevendo, sim? Estaria por aí exercendo trabalho escravo, morrendo de fome, etc.
Mas esse insight do óbvio nao dura muito, porque afinal , fúteis ou näo, faltam-me  as oportunidades no momento pra viver no sentido pleno dessa palavra. Digo viver, porque sobreviver eu já tenho feito desde que nasci. E as oportunidades que me faltam destroem me lentamente. E eu nao quero mais sobreviver, quero viver feliz, gostando de viver.
Céus, quando penso na miséria social, emocional efinanceira em que vim ao mundo.
Se eu nao tivesse tido de trabalhar desde os 9 anos de idade, se eu pudesse ter feit o curso que queria na faculdade, nao um no noturno porque tinha de trabalhar e estudar, se eu nao tiivesse passado minha vida inteira com problemas de auto-estima sem poder fazer nada contra essa pele manchada pelas espinhas e pelo sol,  dentes amarelos e tortos. Se por causa dessa minha aparencia de pobre eu nao tivesse sofrido preconceito e rejeicao.
Se eu nao tivesse passado minha adolescencia e inicio da vida adulta desesperada em arrumar um marido, Sem o qual o mundo me dizia ser a mulher um fracasso, um ser sem valor (vai ficar pra beata, coitada, nunca soube como arrumar alguém). Aff, se as oportunidades tivessem sido outras...

27/05/2013

O Chá

Entao, dois meses e meio se passaram. Decidiu-se esquecer, perdoar, deixar para trás e seguirmos juntos. Mais fácil falar do que fazer. Nesses dias que estou bastante down, ele vem, repousa delicadamente a cabeca no meu peito, diz que me ama mais que tudo na vida...
"Ama, nada! È eu sair e voce arruma uma substituta em poucas semanas"
"Oh, meu bem, a gente já resolveu isso, foi um lapso"
Um lapso! Mas acontece que eu era uma iludida construindo castelos de ventos. E um dos pilares desse castelo era a Utopia de que viveria um amor perfeito. E meu Amor era perfeito. Tento reconstruir novos pilares, leio artigos de sociólogos/ psicólogos que nos ensinam que a monogamia e a fidelidade é uma Utopia... 
Ora consigo me acalmar com essa teoria, ora decido que nunca vou conseguir perdoar e esquecer realmente e que o melhor é partir. Nao, sei, nao sei. Apenas decidi com minha terapeuta que nao vou tomar nenhuma decisao Antes da terapia e do curso coping skills terminar.
Nos momentos em que penso em desistir desse relacionamento e ir embora, decido que o farei num dia de semana normal. Sem dizer nada a ninguém: comprarei caladinha minha passagem, farei uma mala pequena com o mínimo essencial e sairei deixando só uma carta e a procuracao pra que assine em meu nome o divórcio.
Daí, noutro momento estou lendo um livro, a personagem bebe um chá. Pergunto ao marido se temos canela e coco ralado, é que me deu vontade de tomar aquele chá que tomamos naquele Festival da Africa na barracao do egito.
 Nao, nao temos coco ralado. Comeco a chorar compulsivamente.
-Que isso, meu bem, nao chora! Sem falar nada, ele deixa o computador, prepara o chá de canela com leite embora sem coco ralado.
E e me abraca. E me envolve numa ternura que consegue ser maior que meus dramas. Quem no mundo pode me envolver dessa maneira porque eu aparentemente nao posso ter o chá igual ao daquele do Afrikatag. Eu queria aquele dia de volta. Aquele dia de alegria, descontracao, amizades, sabores, cores, música, ritmo. Eu quero me congelar naquele mundo do dia do chá egipcio.

25/05/2013

33!

Enquanto isso, devaneio:
"passeando pelas ruas de minha cidade natal, sem mais nem menos, dou de cara com aquele ex, aquele ex que ainda significa tudo para mim, que me ensinou tanto, aquele que eu vou passar a vida sem esquecer um detalhe sequer, e ele  será sem saber pra sempre o grande amigo embora nem tenhamos mais o telefone um do outro e cada um nao faz idéia do que cada um anda fazendo da vida... Nesse devaneio primaveril, ele aparece nos meus sonhos de acordada:
- cara, é voce mesma? Com`ce tá?
- A mesma, mesmíssima,  mais pior!
- Hahaha. Sim, voce é a mesma."

Outrora acreditei que eu podia mudar. Ja tentei tanto. Sofro de auto-ódio incrível. Se eu pudesse escolher um presente nesse dia, seria um só: gostar de mim mesma, aceitar-me exatamente do jeito que sou.

Sem saber, minha irma me enviou no Facebook esse buque virtual. Essas sao as minhas flores prediletas. E essa combinacao de diversas cores parece mesmo eu. Numa segunda olhada, meu senso estético me diz que há algo disarmonico no arranjo, e ao mesmo tempo um outro sentido me diz que ele é perfeito. Do mesmo modo, eu quero me encontrar perfeita exatamente nas disarmonias que compoe essa que eu sou.
.

24/05/2013

Desconectada

Falando em abandono, faz duas semanas que desisti de vez. Desde o surto, eu tentara ir às aulas, tentei realmente estudar. Mas os efeitos colaterais dos remédios realmente destroem minhas chances. Um exercício por exemplo, tá lá, destilacao a 0,2 molar,. Por alguma razao eu calculo o exercício inteiro a o,1 molar!
O Professor entrega as provas, Zero! Eu me Sinto arrazada. Sento-me lá, evito seu olhar, Sinto-me a última das mortais. Sabendo que ele deve me achar a mais idiota das pessoas- quando em casa revi os exercicios, refiz vários e sabia a matéria de cor e salteado, mas é só me entregar uma prova que vem a sindrome do panico, eu bloqueio.
Venho para casa terrívelmetne looser, me odiando.
Pela  mesma razao que eu calculo o exercício com dado errado, eu pego a chave para sair, Antes de sair, mexo aqui e ali, procuro a bolsa, a carteira, o documento, a sombrinha, cade a sombrinha, meu zeus? Aqui! Saio. A porta se tranca sozinha. No mesmo segundo percebo que nâo tenho mais a chave comigo. Ficarei de fora até marido chegar.
Marido chega, abre a porta. Procura-se a minha chave.
Procura-se a chave...
... Tres dia depois: chave dentro do congelador!
E o leite aberto dentro do armário de cereais, o adocante em pó dentro da geladeira...

22/05/2013

Há quem se lembre

Eu tinha desistido de escrever esse blog também, Digo: também, porque já tive um outro. Um outro blog,  abandonado, coitado. E eu gostava tanto dele. Eu gostava  muitissimo daquela eu que o escrevia. É que eu escrevo, eu gosto do que escrevo, ou escrevo muito sinceramente coisas de mim;  escrevo e espero por meio do blog fazer contato pra trocar idéias, discutir, prozar, me aproximar de alguém. Como eu já disse, sou muito sozinha.
Tá, hoje eu falei com tres amigas/conhecidas diferentes. Duas  ao Telefone: uma vai passar o creme no meu cabelo, a outra vai me encontrar amanha pra tomar café e jogar conversa fora na confeitaria mais charmosa da cidade; a terceira, vi pessoalmente: ela quer que eu deixe de passar os dias deitada chorando, planejando meu suicidio, e vá à casa dela todas as manhas ajudá-la na ONG cultural dela. Seria um trabalho voluntário lindo  e interessante que eu adoraria fazer, mas nao estou mesmo em condicoes, desculpa aí, Q.
Voltando, eu dizia de Blogs e o abandono dos mesmos. Entao, no outro blog, eu escrevia sobre minha vida  de expatriada na Europa. Era um blog desconhecido e sem importancia como a autora dele. Eu recebia quase nada de comentários. Quase nem doeu quando eu o excluí. Afinal, quem se importa?
Aí, surprise, surprise,  semana passado um amigo tava on line no Skype depois de eras e me perguntou porque eu parei de escreve-lo.
Esse meu leitor fiel, mexicano bacaníssimo,  eu conheci quando mochilava pela América do Sul, eu fazia: Peru, Bolívia, e Argentina. Ele junto com o pai comecara o mochilao na Patagonia e seguiam mapa acima. Numa manhä, na fila para a entrada das Cataratas do Iguacu do lado argentino, puxei conversa e fizemos o passeio o dia inteiro juntos. Trocamos sms e Facebook e mantivemos contatos esporádicos esses mais de cinco anos. Ele estava aprendendo portugues, e me disse que meu blog era a fonte dele de se manter em contato com a língua. E me confessou que achava toda minha odisséia desde a Ida pra Irlanda e tal, minhas jornada existencial tudo muito interessante! :)
Aí hoje, abro meu email e tá lá uma mensagem de uma blogueira e uma das pessoas mais interessantes que eu tive o prazer de conhecer nesse mundo virtual. Ela também notou a ausencia do meu outro blog assim como minha página no face... Ela quer saber se está tudo bem, e se eu quero alguém pra conversar... Obrigada, D. Sua mensagem carinhosa é desses detalhes pequenos que inuminam o meu dia como diamente precioso. Que me fazem querer acreditar de novo que Deus existe.
Pra quem tá de fora, eu nao deveria nunca dizer que sou sozinha. Mas é que eu sofro dessas crises existenciais homéricas, sabe, e talvez essa solidao infinita seja na verdade a falta de mim mesma. Falta um pedaco de mim. Quando solteira, andara enganada acreditando naquela fábula de achar a outra metade da laranja. Bulhufas! Essa solidao cronica que me consome é porque uma parte de mim veio faltando. Nao sei se de fábrica, ou se perdida nos Traumas/transporte da vida.
Hoje estou muito mal, em dias assim tenho certeza de que nao viverei muito tempo.  Mas aí essas pessoas lindas se apresentam, se mostram que se importam, e eu penso, só por hoje nao farei nada definitivo.

26/04/2013

Solitária

Eu vivo uma vida de solidao. Vejo na academia casais malhando juntos e desejo que eu tivesse alguém pra malhar comigo: uma amiga ou meu marido. Eu nao tenho ninguém.
Outro dia, depois de ir à agencia de emprego, parei numa confeitaria, tomei meu cappucino com minha torta de chocolate extremamente sozinha ao som barulhento de umas seis mulheres que ali se reuniram para bater papono mesmo instante que eu tentava livrar-me de minha solitude. Tentei nao me aborrecer com o barulho alegre delas, enquanto direcionava meu olhar para as pessoas e movimento da movimentada esquina de duas avenidas.
Na minha solidao, leio livro e escuto o áudio do mesmo para aprender alemao.
Estou lendo no momento a traducao para o alemao de Ines del alma mia, de Isabel Allende. Eu nao li o original nem a versao em portugues, mas estou entendendo tudo na versao alemä e tenho me emocionado. Ines, uma heroína feminista em plenos anos de 1500! Wow!
Acabo de ler uma mensagem no grupo borderline do Facebook de alguém que diz " eu nao tenho talento nenhum"... É Assim que me Sinto também. Ironia da vida, eu sempre fui Boa aluna, tirava Notas altas, aprender para mim sempre foi entretenimento. Mas na época do vestibular, eu nao tinha idéia de qual seria a carreira da minha vida. Desde a adolescencia, comecei a delinear meu futuro como jornalista. Mas aí,  sou pequena e morena com nariz e cabelo afro- na TV Brasileira nao há chance para afrobrasileiro: todo mundo é branco europeu (há excessoes, o que confirma a regra) além disso, pelo meu tamanho Mignon, associado ao fato de que nao passei no primeiro vestibular, me convenceram de que eu deveria escolher outra carreira. Mas eu nao tinha idéia. Tinha umas vontadezinhas de tentar filosofia e sociologia, ou letras... 
Perdida, surtada, sem fazer nada, acabei indo fazer um curso tecnólogico. E Agora estudo outra coisa mas provavelmente vou largar esse também.
Se eu pudesse voltar no tempo, teria feito letras e também sociologia. Eu teria sido uma ótima professora de redacao e literatura. Ainda que esse blog seja uma coletanea de erros ortográficos, acredite-me: outrora eu  fui um primor. Minhas redacoes eram sempre retidas pelos professores para servir de exemplo em aulas futuras. E na adolescencia, sofrendo amores platonicos e bloqueada pela falta de Auto estima, eu escrevia  poemas maravilhosos o tempo todo. E divivia meus dias de solidao lendo os de Cecilia Meireles e Cora Coralina.
Mas eu mudei. Anos se passaram. Sou uma adulta envolta em nebulas de angústia e solidao.

24/04/2013

Uma vida sem sentido

Levantei,  tomei café e fui à academia. 45 minutos de cárdio. Queria fazer mais, mas nao consegui. Semana retrazada só fui uma vez e na semana passada duas vezes. Essa semana comecei bem. Quero tanto perder 15 quilos.
Uma das coisas que mais me afliguem é o auto-ódio por minha imagem. Nunca fui bonita; gorda entao, sou um lixo. Antes de me casar, sempre malhei, sempre tivera um corpo perfeito- para compensar meu tamanho nanico (1,53m).
No caminho da academia para casa, sentimentos suicidas. Eles me acompanham o tempo todo. Lembrei que esquecera de tomar os rémedios. Mas remédios nao ajudam, terapia nao ajuda, nada é capaz de me fazer ter um sentindo na vida.
Baixei e comecei a ler o livro de Viktor Frankl: "Um homem em busca do sentido da vida". Trata-se de um psiquiatra e terapeuta austríaco que sobreviveu ao holocausto e que desenvolveu uma nova escola de análise: a Logoterapia, baseada no existencialismo. Minha terapeuta que me indicou, porque, segundo ela,  sou uma Pessoa em crise existencialista.
Para pacientes em constante  e persistente angústia existencial, Frankl pergunta: "E porque nao se mata?" De acordo com a resposta do paciente, conduz-se a terapia...
Porque eu nao me mato? Pergunto-me isso e nunca chego a uma resposta. Às vezes, penso que nao me mato por consideracao à minha mae, outras vezes, penso na minha sobrinha que me ama muito e eu a adoro, e à qual um dia ainda quero adotar (ela foi deixada pela mae dela e é criada pela avó- minha mae). Também penso no meu marido.
Às vezes, estou bem e entao quero viver. Como há duas semanas, eu, ele, algumas Amigas e o namorado de uma, sentados na grama, a beber, a ouvir a música do Festival ao fundo, um momento tao simples, eu me sentia bem, sentia alegre de estar viva. Momentos assim eu gosto de viver e penso que se um dia essa angústia existencialista acabar, eu possa apreciar a vida. Por isso nao me mato.
Entretanto, ainda nao me matei mesmo porque nao sei como faze-lo: tenho horror de métodos violentos, como me jogar do último andar do prédio; me enforcar também nao é viável, porque eu nao sei como dar nó e aqui nao tem onde pendurar a corda a me enforcar. Overdoses de remédios eu já tentei e só me resultou num coma seguido de longa internacao psiquiátrica. Conversando com uma conhecida também depressiva, bióloga, ela me disse para usar  plantas venenosas, muito mais eficiente que remédios.
Uma vida Sem sentido. Acho tudo tao irreal, tao inútil. Um vazio infinito. Cada dia é um tédio. Nunca fui feliz! E acho que nunca serei. Queria tanto ser diferente. Queria ser uma Pessoa simples, feliz, contente com a vida e as coisas boas que me rodeiam.

22/04/2013

O sucesso alheio

Entao que um dia eu larguei um bom emprego e me mudei pra me casar e morar na cidade do meu marido. Aqui nessa cidade nao há qualquer chance para eu arruamr algo na minha área. Há 3 anos parei de trabalhar. Dependo financeiramente do meu marido.
Volta e meia sou confrontada com as perguntas:
-Viu como a casa da K é bonita, arrumada? E ela tem o próprio carro e o marido dela acabou de trocar o dele. Sem falar que ela está realizada na profissao, o marido dela ganha bem e portanto o dinheiro dela é só para ela mesma, viu como ela tá linda? Outro dia, ela gastou uma fortuna na loja de cosméticos...
-E a P.? Agora eles vao alugar o apartamento que se pagará as prestacoes sozinho, e se mudam em breve pra uma casona super bem localizada que compraram e reformaram perfeitamente. E ela continua firme e forte na firma; daqui há pouco ela vai completar dez anos de servico, com dois cursos superiores, com certeza o futuro profissional dela lá promete...Se eu tivesse ficado lá. E o filhinho dela?
Mas veja bem, K e P  nao viajaram mais de dez países, nao descobriram a beleza de subir as montanhas alpinas e peruanas, nao desenvolveram o ciclismo como Hobby, nao passaram tardes mágicas em praias exclusivas na Grécia, nao fizeram topless numa ilhota isolada no meio do mediterraneo, nao passam tardes lindas a remar  o verao no lago com o marido, nao passam tardes lindas de piqueniques no parque com um Festival ao fundo, nao fizeram cruzeiro nenhum, nao sabem a lindeza que é morar numa  cidade linda e histórica cheia de eventos culturais, arquitetura de encher os olhos- a cidade em si é um museu a céu aberto com tantas esculturas em cada esquina. E os parques? E os museus? Eu amo isso tudo que constitui o meu arredor, enquanto minhas comparadas amigas, vivem o tédio e a monotonia diária.
A K nao faz absolutamente nada com o marido. O lazer dela se resume a ir para a chácara dos sogros fim de semana sim outro também. E eles embora Sem filhos NUNCA vao ao cinema ou jantar fora.
Outro dia vi no Facebook da P que o marido dela  sair a pedalar com Os amigOs enquanto ela fica em casa a cuidar do bebe, isso é uma coisa que eu nao quero pra mim. Eu gosto tanto de fazer coisas juntas com meu maridinho. Entao porque ainda me comparo e me Sinto tao mal por morar nesse micro apartamento, por nao ter filhos e carreira? Eu sou uma gulosa que quer ter tudo e milhares de vezes minha mae e minha psicóloga me alertam: ninguém tem tudo. MUitas Amigas e conhecidas olham minhas Fotos e dizem que minha vida parece coisa de filme. E u aqui, triste porque ainda to apertada no aluguel e sem filhos.

18/04/2013

Borderline Modus Operanti II

Ou a transicao entre o adulto desajustado e o adulto equilibado
(Tudo que eu escrevo aqui se refere a minha experiencia extremamente pessoal. Pode ser que alguns conceitos teóricos sejam influenciados/embasados nos muitos livros e artigos que leio. Leio para me informar e tentar me ajudar. Agora mesmo estou lendo dois maravilhosos trabalhos de Auto ajuda, ambos em alemao, sem traducao para o portugues.)
Como adulto desajustado, eu sou uma Pessoa extremamente tímida, Sem habilidade social alguma, do tipo que no trabalho vai embora Sem dar tchau para os colegas de trabalho. Gente, eu sou tímida o bastante pra ter medo de dizer tchau para os outros! Eu nem falava "oi" para meus vizinhos quando morava com minha mae, numa vila onde todo mundo se conhecia e passam tardes sentados à porta da rua tagarelando e cuidando da vida uns dos outros. Pensa que Fama de antipática eu tinha?!
Também no meu Modus operanti adulto desajustado: eu nao tenho a menor nocao do que realmente fazer da minha vida. Eu tenho um curso superior que fiz nas coxas, com semestres repetidos/ abandondos, trancados/. Aí arrumei um emprego bom indiretamente ligado à minha área, logo arrumei um conflito pessoal com o chefe, ("nao damos, certo, ele me odeia", etc.)
Eu vivia entediada, infeliz, consumida em frustracao, porque tinha ambicoes de um emprego muito mais satisfatório... Mas hoje, no buraco professional que me encontro, olho para trás e vejo que o que abandonei por livre e impulsiva vontade era algo bom, que eu em sä consciencia  nunca largaria sem ter algo garantido pra substituir.
Eu nao fazia nada da vida a nao ser perseguir meu namorado da época querendo mais atencao, mais comprometimento, marcar casamento, etc. Outro dia uma Amiga comentou que ele era um cara ausente, mas qual, eu é que devido à esse medo terrível do abandono do ser amado, sufocava-o com minha carencia estratosférica. Eu podia ter feito tantas coisas naquela época: mas como borderline no modo adulto desajustado, eu me concentro 100% em um único problema e nao consigo fazer mais nada.
Aí a roda da instabilidade gira e o adulto ajustado se apresenta: aí eu queria fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora: ioga, curso de filosofia, natacao, curso de ingles, estudar para concurso, fazer um projeto de mestrado- e me preparar- e ser aceita numa federal da vida para a minha pós graduacao.
Esse momento em que eu me jogava para construir o máximo no mínimo de tempo (tudo já pra ontem) é uma tentativa do border de compensar o tempo perdido nos Modus Infantis e desajustado. Querendo realizar tanto, o Border experimenta o estress, e sob o estress, vem as crises. Mas antes dela, vem uma das melhores fases do relacionamento, ou  a boa fase é a causa do modo ajustado, ainda nao sei bem identificar a causa-efeito nesse modelo circular.
Aí comeca a faze-las todas ao mesmo tempo, se ocupando com outras coisas que nao o relacionamento amoroso em si, nisso o seu par vai ter uma trégua do sufoco, porque voce na fase adulto ajustado é uma pessoa super competente, hiper ativa, multitask, dinamica, flexibel, amorosa, carinhosa, super na cama. É o céu para seu par e ele/a acha que voce ainda tem jeito nessa vida e decide que se voce permanece nesse boa vib, ele/a vai querer passar  o resto da vida contigo...
Mas digamos que o parceiro te ama o suficiente e passa a jogar bem contigo: passa a te dar toda a atencao do mundo, aí voce se desliga desse "problema do medo de ser abandonada" e ver as coisas que deixou de fazer: Quer pedir um financiamento e comprar o próprio ape pra finalmente sair da casa da mae, quer financiar o carro, quer viajar  o país e o mundo, talvez tenha de fazer o mestrado numa particular...Mas o salário só dará para fazer UMA dessas coisas, e inicia-se a angústia de ter de escolher, a frustrante dor de nao poder fazer tudo ao mesmo tempo, porque o border é um desespero em Carne que nao consegue esperar nem seguir uma passo de cada vez. E vem a crise, e as continuas faltas ao trabalho, a depressao, e a mudanca de Modus.

16/04/2013

Momentinhos perdidos


Saio da aula ao meio dia e meia. Tenho de estudar para a prova de amanha, mas estou esperando um chamada importante para um emprego.

Uma vez que estou  (pré)ocupada  em esperar,  claro está que eu nao estudo. Eu nao consigo fazer nada, absolutamente nada, se há algo há ser esperado, entende? Acabo ficando na internet perdendo meu tempo. Nisso, tres horas se perdem. Ah!, Se eu tivesse estudado. Ah! Se eu nao fosse essa pessoa procrastinadora, totalmente sem foco.

Finalmente, a chamada ocorre.  Tenho uma hora pra chegar lá. A entrevista e o processo seletivo duram duas horas.  Tenho cólicas intestinais. Essa gastrite nervosa vai se transformar num cancer. A cada contracao, sorrio. Tenho de me sair bem e conseguir esse empreguinho de merda. Parece que vou conseguir a vaga. È minha única saída.

Ganho uma carona pra casa. Tenho de estudar. Quem sabe agora.

Medo, incertezas e amizades

Certa vez, num outro blog, comentei que eu acho que há mais gente boa que ruim no mundo: choveram comentários de que eu estou enganada, de que a natureza do ser humano é a maldade em Carne devido à nossa egoística personalidade.
Semestre passado eu vivi o Inferno, as crises tomaram conta de mim e eu tive de abandonar o semestre academico, viajei um tempo longo o bastante pra meu marido arrumar uma amante e gastar toda o dinheiro que tínhamos (ele) no cassino e em gamblings...
Fevereiro e Marco foram o clímax dessa crise com o maior surto de minha vida e minha tentativa de suicidio deitando-me na linha do trem no meio da madrugada.
Mas eis que depois de 10 dias no hospital me vi razoavelmente bem, inclinada a controlar esse mal que me aflige a alma, a reconstruir meu relacionamento e aprender a viver e a gostar de viver. Desde entao, tenho encontrado tanta ajuda. Anjos aparecem no meu caminho o tempo todo.
Semana passada, estava chateada porque o limite negativo do banco fora atingido e nao consegui tirar nem dez para ir tomar um café com a Maria. Ela me convidou assim mesmo e me passou uma nota de 50 para eu pagar quando puder!
Hoje, amanheci terrivelmente mal, sentindo me um lixo, fracassada. Os vomitos continuam, mas nao sei se devo ir ao médico porque desconfio que seja mais uma gastrite nervosa. Fui à faculdade. Cheguei um pouco mais cedo e sentei-me a uma mesa da lanchonete. Arrazada porque até agora nao estudei para a prova de amanha, e nao fiz os exercícios que devia para hoje, nao fui à academia, nao tenho meditado, nao faço nada do que devo pra cuidar do meu bem estar e sucesso.
Deliberava mesmo em abandonar de vez esse curso. Mas vou fazer o que da minha vida? Matar-me sempre me vem à mente quando  vejo que nao tenho jeito nessa vida.
Apareceu o Clemente, um dos poucos na turma do semestre anterior que eram legais comigo. Ele estava surpreso em me ver. Pensou que eu abandonara já desde antes o natal. Expliquei-lhe que estou pegando só duas matérias já passadas e que depois do meio do ano repetirei todo o período que abandonei pela metade. Ele conversou amigavelmente comigo, realmente interessado em saber como vou indo. Fui-lhe sincera e expliquei que nao quis mais seguir com a turma porque trata-se de um período terrivelmente estressante e eu nao estou em condicoes de lidar com isso, precisso pegar leve esse semestre e fazer terapia, etc. Ele se despediu me desejando tudo de bom. Fiquei tao tocada.
Aí, chego na sala, a minha Amiga me pergunta se vi o email do Professor, digo que nao- porque fiquei Sem Internet haja vista que nao tinhamos dinheiro para pagar a conta.
Ela me diz que havia um trabalho a ser feito em dupla, mas que ela já  fizera por nós duas! Ela me passa a folha pra eu assinar e me dá uma cópia do trabalho pra eu me inteirar. A gratitude que sinto nao consigo expressar o suficiente em palavras.
Lágrimas me vem aos olhos, tenho vontade de me levantar e ir chorar no banheiro, mas se eu sair abruptamente da sala, vai piorar tudo como no semestre anterior. Olho para baixo, deixo os cabelos cobrirem-me a cara e enxugo as lágrimas que insistem em escorrer! A maquiagem borra-me  cara toda, nada escuto da explicacao dessa matéria que me é tao difícil. O Professor, santamente, finge me ignorar.
Enquanto espero o bus, uma mulher volta a cara para o sol para aproveitar esse solzinho de outono agradável com o ventinho. Queria ter feito uma foto, ela era tao feliz naquele instante com uma coisa simples como esse dia lindo de outono.

15/04/2013

Doente

Fiquei quase uma semana sem internet.
Saí mal numa prova. No dia, eu acordei de enxaqueca e nem mesmo tentei resolver as questoes, apenas assinei meu nome. Argh!
E hoje estou doente de novo. O sábado foi um dia legal, mas daí ontem, depois do almoco, comecei a me sentir mal, estomago zangado, cheio de gases, vomitos. Passei o resto do dia na cama. Nao comi mais nada, só tomei chá de camomila que é uma das melhores coisas pra acalmar o estomago.
Aí hoje, acordei pior, Café da manha, nem pensar, saí para resolver algo e no meio do caminho quase desmaiei. Foi uma luta pra chegar em casa, e mal o fiz, o vomito veio. Vomitei até nao restar mais nada. O bife de ontém estava todinho ainda aqui, indigesto.
Estou com certeza com uma gastrite. Desde o hospital, meu estomago anda queixoso e volta e meia eu tenho dores e indigestao. Mas dessa vez, meu corpo inteiro dói. Minhas pernas, minhas costas; minha barriga dá umas pontadas agudas bem aqui quase no encontro com a coxa.
E eu tenho uma preguiça de ir ao médico. Tenho hrror de fazer endoscopia. E hoje teria uma coisa pra fazer lá na faculdade de economia e às quatro  tenho dentista. Há meses tenho de ir checar esse dente cuja obturacao está meio aberta. Justo agora que marquei uma horário, nao sei se vou poder comparecer.

09/04/2013

De TPM e deprimida

Em dias de tensao pré-menstrual, a instabilidade emocional piora, claro.
Sim, a Border se caracteriza por ter sua sensibilidade emocional muito mais facilmente afetada que as demais pessoas. E porque seria diferente nessa tao fadada TPM?
Pois sim, o grande surto do mes passado se deu justamente na TPM. Esse mes, como estou super medicada, os sintomas foram controlados. Mas nao consegui dormir bem nos últimos tres dias, tenho pesadelos, suo tanto que tenho de me levantar no meio da noite para trocar o pijama e a roupa de cama, porque estao encharcados de suor.
Essa noite,  o sangue desceu e junto com ele uma terrível depressao. Céus, como me é difícil viver em minha própria pele. Auto-estima, como queria ter-te!
Passo horas me olhando no banheiro do espelho,
odiando cada uma dessas manchas que estragam meu rosto,
as marcas de espinhas,
os pelos no rosto.
Por que tenho tantos pelos?
Falta-me o dinheiro para ir à depiladora.
Madruguei e passei horas arrancando o bigodinho com a pinça.
 E esse cabelo? Aff!
E tenho de ir à aula hoje. Professor responderá às dúvidas para a prova da próxima aula. Nem sei se tenho dúvidas, pois ontém nao estudei direito. Nem sei se quero/consigo terminar esse curso, até hoje nunca achei o estágio obrigatório para fazer.
Em dias depressivos assim, tudo o que penso é que eu nao tenho qualquer lugar e chance nesse mundo. Há dias nao pensava na morte, mas essa manha só penso nisso.

05/04/2013

Modus operanti do Borderline- Parte I Modus infantil

Noutro post, falei da minha imaturidade emocional e como isso me leva a comportamentos infantis. Além dos citados, esse comportamento se extende à total ausencia de conexao e atendimento das minhas necessidades básicas: nao tomo água, porque nem reparo que estou com sede; fico horas com fome antes de perceber isso; ignoro os sinais da bexiga para que vá ao banheiro...
Aí, depois de longo tempo das necessidades tentando se fazerem perceber (como uma crianca deixada sozinha em casa, sim?), me vejo com dores de cabeca, irritacao, cansaco, tristeza. No caso de um bebe, ele chora para chamar a atencao do cuidador, näo é? No  meu caso, meu humor muda.
...
Nisso, estamos fazendo terapia. Nao a de casal, mas uma específica para Borderline (DBT) e o marido tem vindo junto em algumas sessöes para aprender também. Ontem, esse tema do infantilismo foi abordado. Confirmei com a terapeuta que essa é sim uma das facetas de minha personalidade.
( o Border tem quatro MODUS OPERANTI:
1)a crianca carente de atencao e cuidado= dependencia emocional, medo de abandono, esperar que o outro resolva seus problemas);
2)o adulto saudável e equilibrado;
3)o adulto evasivo e desajustado;
4)o adulto controlador e punitivo.
Esses quatro Modus operanti podem todos se manifestar ou nao. Eu manisfesto os quatro!
Quando estamos sendo o adulto saudável e equilibrado, geralmente somos adoráveis (por isso pessoas amadas nos amam tanto e tentam relevar os nossos  outros Modus).
O trabalho da terapia é justamente fazer prevalecer o Modus adulto saudável e equilibrado.
Ontem, portanto, tivemos o seguinte diálogo na terapia:
Eu: Sim, é verdade que me comporto como um bebe... às vezes...
ele: pois é, no meio do nada, por exemplo passeando no parque longe de tudo, ela me diz que está com sede/quer ir ao banheiro, etc
eu: Daí, doutora, ele faz uma cara de desanimo e responde mal educado: "e daí? Nao posso fazer nada." mas eu nao pedi a ele que fizesse nada, só comentei o que quero/preciso
ele: nanananinao, ela comenta num tom de bebezinho pedindo pra eu providenciar uma solucao!
Finalizamos a sessao combinados de que ele nao vai interpretar meus comentários como ordem de solucao e eu vou trabalhar o modo como ajo, até me perguntando: porque tenho de comentar isso? Estamos  longe de tudo, consigo esperar mais um pouco caladinha?

04/04/2013

Momentinhos diários

"Palavras nao podem descrever  a dor que eu Sinto quando nada Sinto"

" Um border é ninguém sob muitos alguéns"
" Onde nesse mundo tem um Lugar onde essas lembrancas e esse sentimento que eu tenho nao possam me alcancar? Momentaneamente procuro esquece-los, ignorá-los... O que mais poderia eu tentar? E Agora?"
Domingo de Páscoa com família toda reunida na casa da tia-madrinha do marido. Minha sogra, sogro, cunhados, mulher e filha de um cunhado, marido e eu viemos todo para cá. Ao chegarmos, brindamos o dia com um vinho rose, todos se cumprimentaram e se abracaram (essas duas  famílias sao como de comercial de margarina e afins). Depois, sentamo-nos para comer.
O tio faz na  Páscoa uma deliciosa comida asiática; de entrada, uma sopa de cogumelos silvestres e palmito de bambu; o primeiro prato, um frango desfiado ao molho sweet and sour; o segundo prato, fritado adocicado com cebola roxa caramelada. De sobremesa, bolo cheese cream e torta sacher.
Por causa dos remédios, nao posso beber. Arrisquei-me ao rose inicial, mas logo segui só com suco natural.
Trocam-se  presentes, os chocolates infinitos recebidos de diversas pessoas, cujas calorias nunca me ajudaräo a emagrecer. Minha sogra decidiu-se bem: ao invés de um ovo de páscoa, me deu uma bromélia linda vermelha vinho- na mesma cor da blusa chique que estou usando hoje ccom flor no cabelo também da mesma cor.
Vermelho vinho passa bem comigo. Um toque super dramático. Minha querida Amiga riu do ursinho degolado, segundo ela, um gesto super passional e dramático tipíco de gemininiano. Geminiana, filha de Oxum, borderline. Essa sou eu: uma tempestade Monsoon nas palavras dela.
Carreguei na maquiagem, especialmente em olhos ultra contornados. Quando nao estou muito bem mas me arrumo super, todo mundo fica feliz, porque é isso: todo mundo quer se livrar do abacaxi. Eu pretendo que estou bem, eles pretendem que acreditam e todo mundo tem um dia legal. Ontem, dobrei na dose do rivotril e no truxal para garantir que eu nao ía surtar quando eventuais comentários sobre meu  último surto.
Naquele surto, entre outras loucuras, peguei uma mala e coloquei TODAS AS ROUPAS do meu marido. Esvaziei o guarda roupa dele, a máquina e o varal, enchi malas e mandei pra doacao. Ele ficou só com a roupa do corpo. De forma que ele tem de comprar um guarda-roupo novo à medida que vai precisando. POrtanto, hoje ele está elegantemente vestido numa roupa nova. A tia comentou, me deu medo de que fossem falar das minhas loucuras, me adiantei e falei em Tom de Humor "sim, sobrou-lhe somente a roupa do corpo, que ele teve de pagar a multa..." a tia e a sogra gostaram da piada e ficaram um tempo nela, descontraiu-se.
Mais tarde, liguei para minha  mum. Fiquei um tempo sozinha lá no quarto de hóspede.
Chegou mais gente na casa, desci e encontrei a mesa cheia. Nao sabia onde sentar. Meu marido e o irmao estavam na sala vendo futebol, fui ter com eles. Esqueci o drive da Internet, tive de atravessar a sala de jantar de novo para ir até o Quarto... Sinto constrangida de passar onde estao e ser o objeto do olhar alheio. Eu tenho horror de ser o objeto do olhar alheio em situacoes em que acho que vou ser julgada a Freak.
Passei a escrever esse post para ter o que fazer, o jogo acabou, marido e cunhado seguem pra onde estao reunidos, eu to com vergonha de ir pra lá. Odeio ser esse ser Sem habilidade social.
...
Meu marido volta à sala de tv, baixinho me chama para ir pra sala de estar me juntar aos outros:
-uai, eu vim pra cá porque voce estava aqui vendo futebol. daí voce saiu e me deixou aqui sozinha!
-Bom, eu tava aqui vendo só jogo que acabou, portanto, fui pra lá!
Ele se senta perto de mim, continuo escrevendo. Porque estrago tudo? Ele fica lá parado me olhando escrever, temeroso de que eu vá comecar a chorar do nada aqui ou queira ir embora do nada (o que nao seria possível porque viemos no carro dos meus sogros).
A sogra espia pela porta de vidro, e vem até nós e nos salva:
-Bora pra lá, meus filhos, vamos beber uma rodada de schnaps. Levantamo-nos e  nos juntamos aos outros, Sem drama- por hoje!
Um dia de cada vez!

03/04/2013

Montanha russa emocional

Se tem uma coisa que eu nao sou, é emocionalmente madura.
Eu nao tenho maturidade emocional nenhuma. Eu sou como a musica da Cassia Eller (Uma garotinha esperando o onibus da escola... que ainda nao aprendeu a amar (como adulto))
Mas a ficha demora tanto a cair. Passei doze anos da minha vida em relacionamentos avassaladores nos quais meus namorados eram levados ao limite da tolerancia com minha vida emocional  no modo montanha russa. Ouvi milhares de vezes que sou mimada/birrenta/ milindrosa... e tudo isso depois dos vinte!
Aí, um dia  apareceu um anjo. Que logo se materializou no tao sonhado  Amor Perfeito: infinitamente dedicado, infinitamente paciente, infinitamente doce, infinitamente cuidador, infinitamente equilibrado emocionalmente.
Gentil e docemente, meu marido se acostumou a fazer muita coisa por mim, mas volta e meia, antes de executar algo, ele dizia:  voce é como um bebe! Por isso que eu te chamo de my Baby, porque voce é tao frágil.
Cuidador! Gente, tudo que alguém emocionalmente saudável nao quer: ter de ser uma babá do ser amado.
Eu, de verdade, me comporto muitas vezes como um bebe: minha mochila ou mesmo bolsa tá sempre pesada e ele tem de carregá-la pra mim. Mal saímos de casa, eu: to com fome/ quero ir ao banheiro/ to cansada/ nao to gostando-quero ir embora/ emburro por qualquer frustracao.
Em crises de depressao, ele tem, depois de chegar em casa do trabalho, de pegar na minha mao pra eu me levantar, insistit para eu escovar os dentes, trocar meu pijama, ir da uma caminhadinha no parque porque vai me fazer bem. Aí, ele que trabalhou enquanto eu passei o dia toda na cama, tem de lavar a louca e cozinhar. (Quem tem filho, dá pra reconhecer claramente que ele desempnha a funcao materna, sim?) Será que minha mae nao cuidou de mim, esse é meu Trauma?
Comporto me como menina mal educada, tipo: estamos visitando os pais dele, estamos à mesa bebendo, jogando baralho, etc, pode ser que alguém diga algo algo tao banal e tenue que para ninguém significa nada, mas me fere os sentimentos, eu me levanto, sem falar nada, vou para o quarto e fico lá horas emburrada.
Nessas saídas, as pessoas pensam que eu fui ao banheiro, mas como eu nunca volto, meu marido vai lá me ver e me encontra com o humor estragadíssimo por causa de algo normal dito, mas que eu levo muito pessoalmente, ou porque interpretei uma olhada como crítica implicita a mim.
O fato é que minha sensibilidade emocional é de níveis estratosféricos.
Esse é um post pré programado. È Quinta feira, estamos na estrada para passar o fim de semana do feriado com os pais dele. Combinamos uma coisa: nao se falará da crise monumental, ele nao vai narrar detalhes escabrosos de como agi, mas pode faze-lo se quiser - quando eu nao estiver presente. E ele me pediu para nunca abandonar o Ambiente infantilmente como eu  to acostumada: que eu pretenda que recebi uma mensagem e diga que minha mae/irma/ sobrinha está on line e eu preciso me ausentar pra skypear com elas

01/04/2013

Os conselhos recebidos II

Mas nao seguidos.
Falei aqui dos sábios conselhos recebidos, mas houve uma centena deles, cada cabeca uma sentenca, já diz o ditado. Pois, além dos conselhos citados no post anterior e pelos quais me sinto muito feliz e as pessoas que me deram-nos sao por mim muito admiradas, sao lindas e sábias além de amigas de verdade para toda hora.
De outras cabecas, recebi conselhos por assim dizer um tanto couriosos: uma disse que eu devia apimentar mais minha relacao, que ela ia passar aqui no fim de semana para irmos à sexshop comprar todas as fantasias possíveis: de enfermeira, diaba, empregada.. Que as pernas e o bumbum dela estao sempre abertos para o marido qualquer que sejo o humor ou situacao dela, o marido sempre vai achar em casa pra comer, nao precisando comer buceta fora...
De outra, a la anos cinquenta, ouvi que a culpa é minha porque eu sou assim por demais displicente: eu nao passo roupa; se nao estou com vontade, eu nao cozinho; minha casa nao prima pela limpeza a brilhar como um brinco de diamantes...
Enfim, segundo essa pessoa que me é muitissimo próxima e querida, eu deveria ser melhor dona de casa a fim de garantir a fidelidade no casamento. Engracado é que meu pai saiu de nossas vidas (minha mae é obcecada com limpeza e vive para cuidar do lar e da família) pra se juntar a uma mulher porca e preguicosa e ele sempre foi muito melhor pra ela e as filhas dela do que pra nós.
Eu sei muito bem que homem nao liga muito pra limpeza (há excessöes, claro) e quando a maioria deles quando mora sozinhos, nao cozinham, mas vivem de pedir pizza e comida chinesa.
Quem me deu esse conselho acima é muito bem intencionada e até está fazendo campanha na igreja pra minha crise sarar logo, obrigada querida, mas ela, veja bem, é vítima do machismo e nem se dá conta: outro dia, o marido dela tava desempregado e ela tava sustentando a casa sozinha. Num domingo, a convidei para ir ao clube e ela disse que nao poderia porque teria de lavar roupa (nao tem máquina) e arrumar a casa. "Ora, retruquei, seu marido passou a semana inteira  fazendo nada enquanto voce trabalha, ele deveria ter lavado roupa: quem fica em casa cuida do outro que está a trazer  dinheiro. Pois pegue aí umas roupinhas suas e da menina e lava lá na máquina de  sua mae enquanto  vamos nadar e  deixe as do seu marido pra ele mesmo lavar  e aprender"
Outra conselheira recomendou mais extremo  ainda no controle dos acessos à internet dele: que eu chame um técnico para me ensinar a ver o histórico de navegacao mesmo depois de apagado, que parte do processo de reconciliacao inclua-me o direito de controlar a conta do telefone dele e todos os acessos virtuais via celular também. Ou seja, se meu marido deve viver num Big Brother, sendo controlado o tempo todo para eu garantir a fidelidade.
Nessa mesma linha, outra me disse que a culpa de ser traída é minha: porque onde já se viu, mulher viajar sem o marido, coitado, deixando-o sem ninguém para cuidar dele. Tadinho é incapaz de cozinhar e limpar por si mesmo e nao pode viver sem sexo por seis semamas.
Enquanto durar um casamento a liberdade e a individualidade serao banidas para sempre.
E voce, já foi traída? Perdoou? Quais conselhos recebeu?

30/03/2013

Os conselhos recebidos

Já disse que tenho amizades sábias? Pois sim, as tenho.
1) Q (veja post anterior)
2)M
"Oi, Luz. Que notícia boa, amiga. Fico tão feliz. Torço tanto por sua felicidade. Amiga, acho que deve ir fundo na terapia. Faça a de casal e procura a terapia de "constelação familiar" de Bert Hellinger. Esse é um terapeuta alemão que desenvolveu tal modo de terapia. Acredite, amiga, suas questões mal resolvidas com o seu pai, mais a história com o padrasto sempre irá interferir na relação que tiver com o companheiro - já que ele representa a figura masculina mais próxima. Eu já participei para resolver uma questão minha e fui representante de um membro familiar de outra pessoa. É muito forte e interessante.
 Luz, qdo sua mãe falou do ursinho não pude conter minha cara de riso, kkk. Sei que pelo contexto não é engraçado, mas foi um gesto extremamente passional e dramático - a cara do geminiano, kk.
E mais: não se martirize com o "chifre". Qdo estamos na posição da "traída", atribuímos um valor exacerbado ao caso, valor esse maior do que o atribuído pelos "culpados". E posso falar que fiquei com gente comprometida ano passado, e sei que não significou nada ou muitíssimo pouco pro rapaz.
Enfim, casamento parece ser isso mesmo em todas as partes do mundo. Vcs vão superar caso haja amor, força de vontade e disponibilidade. Sim, porque nem sempre estamos tão disponíveis ao outro quanto acreditamos, pois algumas questões emocionais antigas estão arraigadas, vindo á tona sem que percebamos.
Que notícia boa. Sorte, luz, força e sucesso pra vc, amiga. Vc merece ser feliz.
Bjo da amiga que te admira muito,

M."

3) C
"Luz, minha querida, como está? Já decidiu alguma coisa? Quer conselhos? Pois olhe, se decidi por ficar casada, tenha certza de que perdoa mesmo, seguir sem perdoar de verdade estraga a alma.. Se pensa que é imperdoável porque destruiu a  base do relacionamento, divorcie-se.(...sic) mas se continua casada, tenho alguns conselhos de experiencia própria a te dar: passe a ser um pouco mais egoísta na relacao: deixe claro o que quer e o que nao quer. Claro que relacionar-se é ceder aqui e ali para entrar no acordo e harmonia, mas nao se anule... Eu era do tipo que se uma amiga estava ao telefone e marido chegasse, eu desligava imediatamente para estar 100% disponível para meu marido. Segundo, amiga, nunca deixe de se cuidar: pare de comer compulsivamente para compensar os problemas, se cuide sempre, esteje sempre linda e maquiada.,  cuide da alma mais que tudo, tente tudo que lhe proporcione bem estar, cuide de voce como um bem muito precioso,  fassa isso por voce, pra sempre se sentir bem, pra se amar, pra estar sempre de bem consigo mesma...Fassa sempre do seu casamento um ninho de prazer. Saia sempre para dancar como voce gosta, voces ainda nao tem filhos, mantenha sua libido a mil.
Voce sabe, depois que L nasceu, eu acordo as 5 da manha porque ele desperta a essa hora e aí já nao durmo mais. Jà levanto cuidado dele, da casa e do irmao que acorda uma hora depois, de modo que as sete da manha já estou morta, nunca mias soube o que é sexo matinal, engordei horrores, como compulsivamente,  saio para o trabalho já esgotada, meu marido e eu nao temos mais nada em comum e continuamos juntos só pelo bem das criancas. C"

Assim é que através desses sábios conselhos eu pude tomar uma sábia decisao. Porque quando solteira, sempre achei que um chifre é motivo para término imediato do relacionamento.Ledo engano, sao tantas coisas envolvidas. eu amo tanto meu marido, só o toque de sua pele (dormimos de conchinha) já me faz tao feliz... Minha vida é tao linda e significativa com a presenca dele

29/03/2013

Devagar

Amanheci de novo feelings like shits. Abri os olhos sem disposicäo nenhuma de meditar ou fazer ioga, muito menos de ir a academia. Descidi ficar na coma escrevendo meu diário, ouvindo música de relaxamento.
A fazer, somente organizar a cozinha e guardar as roupas que estao na cesta, e botar outras na máquina para lavar porque viajeremos no feriado de pascoa e precisamos do que tomos (na crise,coloquei TODAS as roupas do meu marido em malas e botei  no lixo, ele ficou sem uma cueca além que tinha no corpo ecomprado de emergencia o que ve que precisa).
E tenho de conseguir me vestir para passar na agencia de emprego  e depois segui para almocar com uma amiga.

28/03/2013

A conversa e os conselhos

Ontem, acordei, meditei, fiz um pouquinho de ioga, e fui direto para a academia onde passei duas horas (fiquei admirada de consegui-lo, porque desde que voltei a malhar, só passo 45 minutos lá). Planejara estudar e organizar o painel com coisas de prevencao de crises que estou aprendendo com um livro recomendado lá na clínica.
Mas depois da academia, eu estava exausta. E essa exaustäo física logo se transformou no vazio desesperador. Como ainda era cedo (umas dez da manhä) e a maiorida das pessoas que conheco näo säo desocupadas como eu e, portanto, nao estariam livres para uma chamada pessoal minha num horário de expediente qm que pessoas estao no trabalho. Liguei assim para a uma conhecida que trabalha de casa  e poderia portanto me ouvir.
Liguei com receio, porque essa menina no dia anterior esteve muito brava comigo, me dando conselhos enérgicos de que eu parasse com esse drama todo por uma traicäozinha (que eu teria causado devido a meu comportamento resultado da sintomática borderline).
Na tarde do dia anterior ela tava muito brava mesmo que eu vacilasse a ponto de perder esse homem maravilhoso, mandou eu parar de me fazer de vítima e tomar as redeas da situacao controlando a depressao com exercícios e atividades sadias e voltando a me cuidar para ser a mulher sexy e atenciosa com a qual ele se casara.
Eu ficara mal na conversa com ela, me sentindo terrivelmente ignorada nos meus sentimentos. Segundo ela, que eu parasse de ficar esperando que ele se desculpasse pele chifre e que eu me desculpasse realmente por tudo que quebrei, pela mal esposa que tenho sido e pelo drama todo nessa crise.
Embora com medo dela, como eu estava com medo de uma nova crise tomar conta de mim, liguei para ela. A acordei, mas ela foi super atenciosa e me surpreendeu: ela tentava falar doce comigo (ela é naturalmente enérgica- entao pode ser erroneamente interpretada como estando brava), aí ela reafirmou os conselhos para mim reconstruir o relacionamento e me deu dicas ótimas de como nao deixar a depressao tomar conta de mim, de coisas a fazer para nao me entregar fácil e exercícios para controlar a inpulsividade e de como conversar mais ouvindo que falando: me ensinou a técnica de segurar algo, tipo uma bolinha fisioterapeutica, para apertar quando eu quiser interromper o que o outro estiver falando para tentar manter que "eu é que tenho razao".
Maravilhoso ter amizades sábias. Obrigada Q.
Sedada, dormi a noite toda que seguiu meu retorno ao apartamento. No dia seguinte, acordei, marido já tinha saído para trabalhar. Mal abri os olhos e o sentimento de vazio e desespero tomou conta de mim. A impulsividade controlava tudo. Nessa hora sua mente é desligada. O border é somente emoção numa crise. A única coisa que minhas emoções me direcionavam era: eliminar-me, matar-me para acabar esse sofrimento, a culpa pelo excessivo drama que criei...
Consegui ligar para minha sogra (que andava chateada comigo e enquanto eu estava "sumida", ela me  mandara emails alertando das coisas feias e tristes que eu estava escrevendo em nome do filho lindo dela, me recomendando parar de drama e cenas, me divorciar e ponto final..). Enfim, liguei e lhe disse que eu estava mal e que eu precisava da ajuda dela para ir para o hospital. Que eu queria ir para o hospital perto da casa dela, já que o que fiquei da última vez perto da minha é terrível. E eu näo queria interromper meu marido no expediente dele.
Como meu sogro está com cancer de pele, eles tem problemas suficientes  para si próprios e não poderiam, portanto, me levar ao hospital (eles teriam que dirigir algumas horas até mim e depois voltar para a cidade deles). Ela ligou para o meu marido mandando-o sair do trabalho e vir à casa me buscar e me levar para o hospital que eu deveria ser internada se quisessem salvar minha vida.
Assim fizeram, ele me buscou, dirigiu até lá. Minha sogra, como sempre, adorável pessoa, super preocupada, quando viu meu estado, fez de tudo por mim. Meu sogro e minha sogra nos esperavam no hospital, se apresentaram para a médica como os responsáveis por mim enquanto eu estivesse lá.
Além de me visitar e cuidar de mim em todas as minhas necessidades ao alcance dela, tipo pegar minha roupa para lavar e trazer de volta, me abastecer de frutas e chocolates, etc, minha sogrinha amada ainda convocou a madrinha e uma tia do marido para se revesarem nas visitas diárias que recebi enquanto internada. Elas me visitavam à tarde e me deram o ombro amigo para os passeios terapeuticos que fazíamo no jardim e no parque da clínica de prevencäo de suicídio.
Eu estava muito dopada no início, entao nao me lembro de visitas que recebi nos primeiros dias, nao me lembro que meu marido me visitou e levou o laptop pra eu falar com minha mae pelo Skype.
Depois de dez dias, saí de lá e vim pra casa para um novo recomeco depois dessa que foi a maior crise minha desde há mais de dez anos que  carrego o diagnóstico de portadora do Transtorno de Personalidade Borderline- TPB, tendo sido ajudada por essas pessoas maravilhosas acima citadas, as quais constituem  núcleos familiares super equilibrados e estáveis e cujo primeiro contato com surtados seja eu e mesmo sem qualquer experiencia, elas de desenvolveram muitissimo bem e salvaram a minha vida.
Assim, estou de volta ao lar, ao qual quero continuar a pertencer, porque eu amo meu marido, a idéia de perde-lo me enlouqueceu, ele, os pais dele mais  a familia extendida deles representam para mim o sonho sempre sonhado de como uma família deve ser.

27/03/2013

O resgate e o anjo

Eu iria escrever posts detalhados sobre o que aconteceu depois que eu saí tresloucada, mas os dias passaram e eu nao o fiz e agora já  näo estou mais no clima. Mas enfim, peguei um trem e fui o mais longe que o dinheiro deu. Vendi minha alianca e anel de noivado, com o dinheiro entrei numa pousadinha, fiquei lá alguns dias: tomei o controle do facebook dele mudando o email e detalhes de seguranca, mandei mensagens escabrosas públicas que eu nao vou falar aqui, porque se ele me prosseçasse eu estaria judicialmente fudida (a nao ser que conseguisse anistia pelo surto psycho).
Eu tava surtada, entao, faz aí voce uma idéia desses dias. Se voce é border, e já fugiu num surto, deve fazer uma idéia. (Dá uma lida no livro Memory of runnings... brilhante)
Depois de tres dias, liguei pra ele e alegando estar a tres dias dormindo na rua e sem comer, pedi se ele podia me buscar e me levar pra casa, em caso de ele nao ter feito denúncia na polícia por causa de tudo o que destruí na crise.
Enquanto o esperava, me deu um medo de que ele tivesse feito denúncia e iria me entregar à polícia. Entao, peguei o trem de volta e fui direto à minha psicóloga. Ela nao estava na clínica, mas a secretária vendo meu estado ligou pra essa e mandou esperar. Esperei duas horas. Ao chegar, a primeira coisa que minha terapeuta fez: dizer que eu deveria ir imediatamente para o médico.
Resisti, gritei enlouquecida que precisava da ajuda dela pra checar se denúncias foram feitas contra mim, implorei que ela tomasse conta de minhas coisas que eu ía fugir de novo...
Ela me deu um chá e conseguiu me acalmar. Ligou para meu marido, certificou-se de que ele nada denunciara. Ela mesma ligou para minha psiquiatra, avisou que estávamos indo lá, ela mesma me levou lá, me deram uma injecao sossega leao, a médica diz que homens traem mesmo e que eu e meu marido devíamos fazer terapia de casal, eu ri e disse que ele nunca fará terapia  porque é o mais equilibrado do mundo e nem sabe muito bem o que é terapia, a médica indicou entao que ele marque uma consulta com ela pra que a mesma possa explicar-lhe como agir diante de crises como a que estou tendo...
Entao o anjo em forma de psicóloga me levou em casa, conversou com meu marido, me acamou e me deixou com tudo organizado.

24/03/2013

A fera ferida ou o nascimento de uma psycho

Assim, infelizmente, eu descobri que a suspeita era fundamentada: meu marido estava tendo um caso  virtual com uma ex do passado distante dele (oito anos atrás,eles se amaram e ele até pensou em se casar com ela; mas, por circunstancias alheias a ambos, nao rolou. Ela se casou com outro mas já se separou)  e, enquando eu estive no natal de férias sozinha com minha familia, ela usou o facebook para resgatar a relacao com ele...
Num sábado há noite, duas semanas atrás, ele saiu sozinho de novo! Alegara que nao me levaria, porque era coisa do clube do bolinha.... Tive certeza de que tinha coisa aí, gastei horas tentando quebrar a senha e finalmente entrei no facebook dele e vi todas as conversas  que nao deveriam existir: estavam lá as conversas picantes e planos de se encontrarem num futuro! Entretanto,  desde que eu voltara das férias, eles se transferiram para o ICQ- que eu nem sabia que ainda existia.
Cara, a fera que mora em mim apareceu: comecei por quebrar a tela do computador caríssimo dele, (montado parte por parte do que há e melhor no mundo para os jogos que sao a vida dele) daí tive de quebrar a TV de LCD 106cm porque a conectamos com o pc e eu queria eliminar qualquer possibilidade dele se conectar com a amante. As paredes ao redor da desk do PC e acima da cama eram revertidas de fotos do casamento, da lua de mel e de nossa últuma viagem -um cruzeiro. Pois o ódio mortal que tomava conta de mim, me fez avançar com uma sanduicheira que estava à vista e quebrei/ destruí todas as fotos. A raiva crescia, como uma caldeira com pressao máxima de sistema extrapolada ,quebrei assim tudo à minha volta: o apartamento fora destruído, a CPU do PC foi esmagada com todo o peso da dor dessa traicao. Parecia que uma tsunami passara aqui dentro, vidro por todo lado.
Desesperada, saí a caminhar pela cidade.
Andei a noite inteira, quilometros até ver que tinha chegado à outra cidade. Exausta, procurei a estacao do metrö, sentei embaixo de uma escadaria e chorei rios... Ferida. Mortalmente destruída. Meu mais presente sintoma Borderline- o medo do abandono- fora cutucado no meu mais lindo sonho de vida: eu tinha um relacionamento perfeito, por vezes declarei à minha amiga o quanto era grata à vida por esse amor que parecia coisa de filme frances lindo; outro dia mesmo, escrevi aqui que tirara a sorte grande no amor quando tudo o mais na minha vida é caos.
Andei por dias tres seguintes, andarilha como uma fera ferida e acuada mas ainda arisca que assusta aos que a vislumbra. "E agora eu choro só, ter voce aqui"

04/03/2013

Playing hard

Já tres vezes eu abro o blog pra postar um coisa e esqueci o que era no momento em que faria.
Vou aproveitar e contar um pouco do passado. Entao eu tinha um namorado. Maconheiro, que fumava o dia todo e nao trabalhava, mas o pai era rico e o sustentava. Nao tinha emprego, mas era poeta, compositor, dancarino, ator, filósofo e alterofilista- nem tanto, mas o foi aos quinze anos e aos trinta e dois, tinha um corpo de deus grego. O pessoa mais interessante e inteligente com quem já convivi, embora nao tenha terminado nem a oitava série para horror de uma familia de cinco irmaos sendo tres médicos, um engenheiro e ele, meu deus grego. E como fazia amor perfeitamente, espetacularmente. E como esteve comigo na descoberta do meu transtorno, nas crises. " Nao me deixa, nao, Uma, voce é borderline, quem vai te aceitar do jeito que voce é? Além disso, voce me abandona porque está insatisfeita, mas isso é parte de seu transtorno: mesmo que transformada numa rainha e vivesse com o mundo a seus pés, ainda estará sempre insatisfeita, se sentindo angustiada e vazia. Portanto, fica comigo porque eu te amo tudo"
Nao sei se ele era bipolar,  mas tinha o TOC. Um Toc`er e uma borderline juntos, pensa? E durou uns cinco anos entre indas e vindas, beiinhos no cangote e estupros.
Sim, estupros. Às vezes, eu surtava. Nao, muitas vezes eu surtava, porque ele sumia, quando eu tava mais carente. Aí ele reaparecia, a gente se encontrava, eu me derreita de amores, mas nao queria transar, pra dar-lhe a licao de que ele nao pode se dar o direito de só me procurar quando quisesse sexo.  Às vezes, ele entrava no jogo e me tratava como a crianca carente que insiste em se manifestar em mim: eu me deitava na rede uma tarde longa e ele toda hora vinha me perguntar se eu queria algo, me trazia água, abacaxi fatiado, enfim nao insistia no sexo até que eu tomasse a iniciativa.
Mas ás vezes, ele, depois de insisti delicadamente, simplesmente forcava e penetrava. daí eu chorava horas infinitas, ía embora, ele me ligava, eu gritava "Estuprador, voce me violentou", mas acabava sempre voltando porque era uma paixao avassaladora e mesmo no estupro eu acabava cedendo e transando enfim, muitas vezes acabava se transformando de uma coisa forçada em algo prazeroso, no que ele concluiu que isso era um fetiche meu de brincar de estupro.
Mas aí uma vez ele me estuprou anal. No dia seguinte, eu contei para minha terapeuta (que desconhecia essa outra faceta descrita acima) e ela duvidou de mim "Será que ele te violentou mesmo? Porque as vezes casais fazem esse joguinho de dizer nao, mas quer dizer sim".
Cara, eu pirei pra idiotice dela, mas ela era adorável e me ajudava muito, deixei pra lá, mas  foi aí que eu enxerguei a realidade: eu era forçada e permanecia. Até entao, eu nunca tinha feito anal, eu nao queria, ficou evidentíssimo que era estupro e mesmo minha psicóloga me orientava a negar isso.

03/03/2013

A outra e/ ou a dúvida

Eu sou doente de ciúme. Do tipo que controla celular e email. TODOS os meus relacionamentos anteriores sofreram terríveis desgates por isso, ou näo, porque havia um que até minha bolsa revistava na minha frente, me cheirava, enfim um desequilibrado como eu.
Meu marido no início pirou com mais essa dificuldade minha, mas depois como o amor dele é infinito, deixou passar, parou de trocar a senha do email cada vez que eu invadia a conta e a descobria. Enfim, hoje, ele chega, eu pego o celular dele pra "checar", ele entrega, eu digo "controle", ele ri, depois que eu checo, devolvo o celular, ele ternamente retruca:"Tudo certo?" e rimos.
Rimos da minha estupidez, porque afinal, basta ele apagar qualquer coisa comprometedora.
Mas acontece que eu passei seis semanas longe e nesse tempo em que tive com minha família materna, ele saía todo fim de semana com os colegas de trabalho. Depois que eu voltei, houve tres dessas saídas nas quais eu nao poderia ser incluída:
 -uma seria um boliche depois do Happy Hour, só para os colegas de trabalho numa segunda-feira, além disso, eu nunca aprendi a jogar e já dei crise numa ocasiao semelhante;
-depois, houve o aniversário de umazinha lá, e ele me demoveu da idéia de ir, porque eu nao conhecia ninguém eu ía dá os pits de sempre se sentisse ignorada por todos - incluindo ele, que acabaria conversando com os demais e eu, como sempre, me sentiria abandonada e choraria como um bebe...
-aí na quarta passada ele veio muitissímo cauteloso dizendo como quem nao quer nada que os caras estavam planejando sair no sábado, mas que seriam só homens, uma noite de cerveja e papo de homem...
Volta e meia ele tocava no assunto até que por fim eu disse: vá querido, eu vou aproveitar e ve o filme "Les Miserables". Liguei para as poucas amigas que tenho convidando-as a ver o filme comigo e esticarmos na balada. Ninguém quis. Mas me arrumei toda sexy e deixei-o pensar que eu iria pra balada ter  a noite das mulheres também.
Depois do filme vim direto pra casa, claro que nao consegui dormir... Às duas da matina ele chegou, bebado. Eu estava no banheiro, fingi que escovava os dentes como se eu tivesse acabado de chegar.
- Vim mais, cedo, amor. Declarou ele.
- Cedo? Como assim?
-Os caras continuam lá na balada, mas eu vim pra casa, porque sou bom marido, sabe.
-Explica melhor?!
-Eles seguiram para uma casa de strip tease.
-Hum, sei. Vá tomar banho e lave bem esse cabelo, voce está fedendo cigarro.
Fiz de tudo pra controlar minhas impulsividades possessivas, o sábado passou sereno. Aí, como domingo é dia de futebol e ele nunca deixa de assitir, liguei pra Emilia e marcamos dela passar a tinta no meu cabelo no mesmo horário do jogo... Ao que ele, ao contrário do habitual- que seria me acompanhar até a casa dela para assistir ao jogo com o marido dela-  correu a dizer que iria ao cinema ver aquele filme do Bruce Willis.
-Voce vai mesmo ao  cinema na hora do jogo?
-Sim, enquanto voce ta com sua amiga, eu nao terei tempo durante a semana...
- E porque nao vai na sessao mais tarde?
Sem me responder, ele já foi se arrumando, saiu muito mais cedo do que o necessário para chegar a tempo do filme.
Queria segui-lo mas meu cabelo precisava mesmo da tintura e teria de aproveitar a boa vontade da Emilia de aplicar, já que to mesmo quebrada para ir ao cabeleireiro.
Cheguei em casa quatro horas depois e ele ainda nao havia chegado.  Liguei cinco vezes e ele nao atendia. Depois mandou mensagem "ainda estou no cine, houve atrazo, o filme termina em cinco minutos mais ou menos; onde voce está?"
Nao respondi. Ele mandou mais tres mensagens desesperado  para saber onde eu estava.
O ciúme crescia em mim. Nao respondi onde estava.
Ele chegou fedendo a cigarro (ele nao fuma). Ataquei a perguntar, quando ele disse que houve um problema, que  o filme foi interrompido por problemas técnicos (Oi?) e  ele foi para o bar esperar a próxima sessao...