30/03/2013

Os conselhos recebidos

Já disse que tenho amizades sábias? Pois sim, as tenho.
1) Q (veja post anterior)
2)M
"Oi, Luz. Que notícia boa, amiga. Fico tão feliz. Torço tanto por sua felicidade. Amiga, acho que deve ir fundo na terapia. Faça a de casal e procura a terapia de "constelação familiar" de Bert Hellinger. Esse é um terapeuta alemão que desenvolveu tal modo de terapia. Acredite, amiga, suas questões mal resolvidas com o seu pai, mais a história com o padrasto sempre irá interferir na relação que tiver com o companheiro - já que ele representa a figura masculina mais próxima. Eu já participei para resolver uma questão minha e fui representante de um membro familiar de outra pessoa. É muito forte e interessante.
 Luz, qdo sua mãe falou do ursinho não pude conter minha cara de riso, kkk. Sei que pelo contexto não é engraçado, mas foi um gesto extremamente passional e dramático - a cara do geminiano, kk.
E mais: não se martirize com o "chifre". Qdo estamos na posição da "traída", atribuímos um valor exacerbado ao caso, valor esse maior do que o atribuído pelos "culpados". E posso falar que fiquei com gente comprometida ano passado, e sei que não significou nada ou muitíssimo pouco pro rapaz.
Enfim, casamento parece ser isso mesmo em todas as partes do mundo. Vcs vão superar caso haja amor, força de vontade e disponibilidade. Sim, porque nem sempre estamos tão disponíveis ao outro quanto acreditamos, pois algumas questões emocionais antigas estão arraigadas, vindo á tona sem que percebamos.
Que notícia boa. Sorte, luz, força e sucesso pra vc, amiga. Vc merece ser feliz.
Bjo da amiga que te admira muito,

M."

3) C
"Luz, minha querida, como está? Já decidiu alguma coisa? Quer conselhos? Pois olhe, se decidi por ficar casada, tenha certza de que perdoa mesmo, seguir sem perdoar de verdade estraga a alma.. Se pensa que é imperdoável porque destruiu a  base do relacionamento, divorcie-se.(...sic) mas se continua casada, tenho alguns conselhos de experiencia própria a te dar: passe a ser um pouco mais egoísta na relacao: deixe claro o que quer e o que nao quer. Claro que relacionar-se é ceder aqui e ali para entrar no acordo e harmonia, mas nao se anule... Eu era do tipo que se uma amiga estava ao telefone e marido chegasse, eu desligava imediatamente para estar 100% disponível para meu marido. Segundo, amiga, nunca deixe de se cuidar: pare de comer compulsivamente para compensar os problemas, se cuide sempre, esteje sempre linda e maquiada.,  cuide da alma mais que tudo, tente tudo que lhe proporcione bem estar, cuide de voce como um bem muito precioso,  fassa isso por voce, pra sempre se sentir bem, pra se amar, pra estar sempre de bem consigo mesma...Fassa sempre do seu casamento um ninho de prazer. Saia sempre para dancar como voce gosta, voces ainda nao tem filhos, mantenha sua libido a mil.
Voce sabe, depois que L nasceu, eu acordo as 5 da manha porque ele desperta a essa hora e aí já nao durmo mais. Jà levanto cuidado dele, da casa e do irmao que acorda uma hora depois, de modo que as sete da manha já estou morta, nunca mias soube o que é sexo matinal, engordei horrores, como compulsivamente,  saio para o trabalho já esgotada, meu marido e eu nao temos mais nada em comum e continuamos juntos só pelo bem das criancas. C"

Assim é que através desses sábios conselhos eu pude tomar uma sábia decisao. Porque quando solteira, sempre achei que um chifre é motivo para término imediato do relacionamento.Ledo engano, sao tantas coisas envolvidas. eu amo tanto meu marido, só o toque de sua pele (dormimos de conchinha) já me faz tao feliz... Minha vida é tao linda e significativa com a presenca dele

29/03/2013

Devagar

Amanheci de novo feelings like shits. Abri os olhos sem disposicäo nenhuma de meditar ou fazer ioga, muito menos de ir a academia. Descidi ficar na coma escrevendo meu diário, ouvindo música de relaxamento.
A fazer, somente organizar a cozinha e guardar as roupas que estao na cesta, e botar outras na máquina para lavar porque viajeremos no feriado de pascoa e precisamos do que tomos (na crise,coloquei TODAS as roupas do meu marido em malas e botei  no lixo, ele ficou sem uma cueca além que tinha no corpo ecomprado de emergencia o que ve que precisa).
E tenho de conseguir me vestir para passar na agencia de emprego  e depois segui para almocar com uma amiga.

28/03/2013

A conversa e os conselhos

Ontem, acordei, meditei, fiz um pouquinho de ioga, e fui direto para a academia onde passei duas horas (fiquei admirada de consegui-lo, porque desde que voltei a malhar, só passo 45 minutos lá). Planejara estudar e organizar o painel com coisas de prevencao de crises que estou aprendendo com um livro recomendado lá na clínica.
Mas depois da academia, eu estava exausta. E essa exaustäo física logo se transformou no vazio desesperador. Como ainda era cedo (umas dez da manhä) e a maiorida das pessoas que conheco näo säo desocupadas como eu e, portanto, nao estariam livres para uma chamada pessoal minha num horário de expediente qm que pessoas estao no trabalho. Liguei assim para a uma conhecida que trabalha de casa  e poderia portanto me ouvir.
Liguei com receio, porque essa menina no dia anterior esteve muito brava comigo, me dando conselhos enérgicos de que eu parasse com esse drama todo por uma traicäozinha (que eu teria causado devido a meu comportamento resultado da sintomática borderline).
Na tarde do dia anterior ela tava muito brava mesmo que eu vacilasse a ponto de perder esse homem maravilhoso, mandou eu parar de me fazer de vítima e tomar as redeas da situacao controlando a depressao com exercícios e atividades sadias e voltando a me cuidar para ser a mulher sexy e atenciosa com a qual ele se casara.
Eu ficara mal na conversa com ela, me sentindo terrivelmente ignorada nos meus sentimentos. Segundo ela, que eu parasse de ficar esperando que ele se desculpasse pele chifre e que eu me desculpasse realmente por tudo que quebrei, pela mal esposa que tenho sido e pelo drama todo nessa crise.
Embora com medo dela, como eu estava com medo de uma nova crise tomar conta de mim, liguei para ela. A acordei, mas ela foi super atenciosa e me surpreendeu: ela tentava falar doce comigo (ela é naturalmente enérgica- entao pode ser erroneamente interpretada como estando brava), aí ela reafirmou os conselhos para mim reconstruir o relacionamento e me deu dicas ótimas de como nao deixar a depressao tomar conta de mim, de coisas a fazer para nao me entregar fácil e exercícios para controlar a inpulsividade e de como conversar mais ouvindo que falando: me ensinou a técnica de segurar algo, tipo uma bolinha fisioterapeutica, para apertar quando eu quiser interromper o que o outro estiver falando para tentar manter que "eu é que tenho razao".
Maravilhoso ter amizades sábias. Obrigada Q.
Sedada, dormi a noite toda que seguiu meu retorno ao apartamento. No dia seguinte, acordei, marido já tinha saído para trabalhar. Mal abri os olhos e o sentimento de vazio e desespero tomou conta de mim. A impulsividade controlava tudo. Nessa hora sua mente é desligada. O border é somente emoção numa crise. A única coisa que minhas emoções me direcionavam era: eliminar-me, matar-me para acabar esse sofrimento, a culpa pelo excessivo drama que criei...
Consegui ligar para minha sogra (que andava chateada comigo e enquanto eu estava "sumida", ela me  mandara emails alertando das coisas feias e tristes que eu estava escrevendo em nome do filho lindo dela, me recomendando parar de drama e cenas, me divorciar e ponto final..). Enfim, liguei e lhe disse que eu estava mal e que eu precisava da ajuda dela para ir para o hospital. Que eu queria ir para o hospital perto da casa dela, já que o que fiquei da última vez perto da minha é terrível. E eu näo queria interromper meu marido no expediente dele.
Como meu sogro está com cancer de pele, eles tem problemas suficientes  para si próprios e não poderiam, portanto, me levar ao hospital (eles teriam que dirigir algumas horas até mim e depois voltar para a cidade deles). Ela ligou para o meu marido mandando-o sair do trabalho e vir à casa me buscar e me levar para o hospital que eu deveria ser internada se quisessem salvar minha vida.
Assim fizeram, ele me buscou, dirigiu até lá. Minha sogra, como sempre, adorável pessoa, super preocupada, quando viu meu estado, fez de tudo por mim. Meu sogro e minha sogra nos esperavam no hospital, se apresentaram para a médica como os responsáveis por mim enquanto eu estivesse lá.
Além de me visitar e cuidar de mim em todas as minhas necessidades ao alcance dela, tipo pegar minha roupa para lavar e trazer de volta, me abastecer de frutas e chocolates, etc, minha sogrinha amada ainda convocou a madrinha e uma tia do marido para se revesarem nas visitas diárias que recebi enquanto internada. Elas me visitavam à tarde e me deram o ombro amigo para os passeios terapeuticos que fazíamo no jardim e no parque da clínica de prevencäo de suicídio.
Eu estava muito dopada no início, entao nao me lembro de visitas que recebi nos primeiros dias, nao me lembro que meu marido me visitou e levou o laptop pra eu falar com minha mae pelo Skype.
Depois de dez dias, saí de lá e vim pra casa para um novo recomeco depois dessa que foi a maior crise minha desde há mais de dez anos que  carrego o diagnóstico de portadora do Transtorno de Personalidade Borderline- TPB, tendo sido ajudada por essas pessoas maravilhosas acima citadas, as quais constituem  núcleos familiares super equilibrados e estáveis e cujo primeiro contato com surtados seja eu e mesmo sem qualquer experiencia, elas de desenvolveram muitissimo bem e salvaram a minha vida.
Assim, estou de volta ao lar, ao qual quero continuar a pertencer, porque eu amo meu marido, a idéia de perde-lo me enlouqueceu, ele, os pais dele mais  a familia extendida deles representam para mim o sonho sempre sonhado de como uma família deve ser.

27/03/2013

O resgate e o anjo

Eu iria escrever posts detalhados sobre o que aconteceu depois que eu saí tresloucada, mas os dias passaram e eu nao o fiz e agora já  näo estou mais no clima. Mas enfim, peguei um trem e fui o mais longe que o dinheiro deu. Vendi minha alianca e anel de noivado, com o dinheiro entrei numa pousadinha, fiquei lá alguns dias: tomei o controle do facebook dele mudando o email e detalhes de seguranca, mandei mensagens escabrosas públicas que eu nao vou falar aqui, porque se ele me prosseçasse eu estaria judicialmente fudida (a nao ser que conseguisse anistia pelo surto psycho).
Eu tava surtada, entao, faz aí voce uma idéia desses dias. Se voce é border, e já fugiu num surto, deve fazer uma idéia. (Dá uma lida no livro Memory of runnings... brilhante)
Depois de tres dias, liguei pra ele e alegando estar a tres dias dormindo na rua e sem comer, pedi se ele podia me buscar e me levar pra casa, em caso de ele nao ter feito denúncia na polícia por causa de tudo o que destruí na crise.
Enquanto o esperava, me deu um medo de que ele tivesse feito denúncia e iria me entregar à polícia. Entao, peguei o trem de volta e fui direto à minha psicóloga. Ela nao estava na clínica, mas a secretária vendo meu estado ligou pra essa e mandou esperar. Esperei duas horas. Ao chegar, a primeira coisa que minha terapeuta fez: dizer que eu deveria ir imediatamente para o médico.
Resisti, gritei enlouquecida que precisava da ajuda dela pra checar se denúncias foram feitas contra mim, implorei que ela tomasse conta de minhas coisas que eu ía fugir de novo...
Ela me deu um chá e conseguiu me acalmar. Ligou para meu marido, certificou-se de que ele nada denunciara. Ela mesma ligou para minha psiquiatra, avisou que estávamos indo lá, ela mesma me levou lá, me deram uma injecao sossega leao, a médica diz que homens traem mesmo e que eu e meu marido devíamos fazer terapia de casal, eu ri e disse que ele nunca fará terapia  porque é o mais equilibrado do mundo e nem sabe muito bem o que é terapia, a médica indicou entao que ele marque uma consulta com ela pra que a mesma possa explicar-lhe como agir diante de crises como a que estou tendo...
Entao o anjo em forma de psicóloga me levou em casa, conversou com meu marido, me acamou e me deixou com tudo organizado.

24/03/2013

A fera ferida ou o nascimento de uma psycho

Assim, infelizmente, eu descobri que a suspeita era fundamentada: meu marido estava tendo um caso  virtual com uma ex do passado distante dele (oito anos atrás,eles se amaram e ele até pensou em se casar com ela; mas, por circunstancias alheias a ambos, nao rolou. Ela se casou com outro mas já se separou)  e, enquando eu estive no natal de férias sozinha com minha familia, ela usou o facebook para resgatar a relacao com ele...
Num sábado há noite, duas semanas atrás, ele saiu sozinho de novo! Alegara que nao me levaria, porque era coisa do clube do bolinha.... Tive certeza de que tinha coisa aí, gastei horas tentando quebrar a senha e finalmente entrei no facebook dele e vi todas as conversas  que nao deveriam existir: estavam lá as conversas picantes e planos de se encontrarem num futuro! Entretanto,  desde que eu voltara das férias, eles se transferiram para o ICQ- que eu nem sabia que ainda existia.
Cara, a fera que mora em mim apareceu: comecei por quebrar a tela do computador caríssimo dele, (montado parte por parte do que há e melhor no mundo para os jogos que sao a vida dele) daí tive de quebrar a TV de LCD 106cm porque a conectamos com o pc e eu queria eliminar qualquer possibilidade dele se conectar com a amante. As paredes ao redor da desk do PC e acima da cama eram revertidas de fotos do casamento, da lua de mel e de nossa últuma viagem -um cruzeiro. Pois o ódio mortal que tomava conta de mim, me fez avançar com uma sanduicheira que estava à vista e quebrei/ destruí todas as fotos. A raiva crescia, como uma caldeira com pressao máxima de sistema extrapolada ,quebrei assim tudo à minha volta: o apartamento fora destruído, a CPU do PC foi esmagada com todo o peso da dor dessa traicao. Parecia que uma tsunami passara aqui dentro, vidro por todo lado.
Desesperada, saí a caminhar pela cidade.
Andei a noite inteira, quilometros até ver que tinha chegado à outra cidade. Exausta, procurei a estacao do metrö, sentei embaixo de uma escadaria e chorei rios... Ferida. Mortalmente destruída. Meu mais presente sintoma Borderline- o medo do abandono- fora cutucado no meu mais lindo sonho de vida: eu tinha um relacionamento perfeito, por vezes declarei à minha amiga o quanto era grata à vida por esse amor que parecia coisa de filme frances lindo; outro dia mesmo, escrevi aqui que tirara a sorte grande no amor quando tudo o mais na minha vida é caos.
Andei por dias tres seguintes, andarilha como uma fera ferida e acuada mas ainda arisca que assusta aos que a vislumbra. "E agora eu choro só, ter voce aqui"

04/03/2013

Playing hard

Já tres vezes eu abro o blog pra postar um coisa e esqueci o que era no momento em que faria.
Vou aproveitar e contar um pouco do passado. Entao eu tinha um namorado. Maconheiro, que fumava o dia todo e nao trabalhava, mas o pai era rico e o sustentava. Nao tinha emprego, mas era poeta, compositor, dancarino, ator, filósofo e alterofilista- nem tanto, mas o foi aos quinze anos e aos trinta e dois, tinha um corpo de deus grego. O pessoa mais interessante e inteligente com quem já convivi, embora nao tenha terminado nem a oitava série para horror de uma familia de cinco irmaos sendo tres médicos, um engenheiro e ele, meu deus grego. E como fazia amor perfeitamente, espetacularmente. E como esteve comigo na descoberta do meu transtorno, nas crises. " Nao me deixa, nao, Uma, voce é borderline, quem vai te aceitar do jeito que voce é? Além disso, voce me abandona porque está insatisfeita, mas isso é parte de seu transtorno: mesmo que transformada numa rainha e vivesse com o mundo a seus pés, ainda estará sempre insatisfeita, se sentindo angustiada e vazia. Portanto, fica comigo porque eu te amo tudo"
Nao sei se ele era bipolar,  mas tinha o TOC. Um Toc`er e uma borderline juntos, pensa? E durou uns cinco anos entre indas e vindas, beiinhos no cangote e estupros.
Sim, estupros. Às vezes, eu surtava. Nao, muitas vezes eu surtava, porque ele sumia, quando eu tava mais carente. Aí ele reaparecia, a gente se encontrava, eu me derreita de amores, mas nao queria transar, pra dar-lhe a licao de que ele nao pode se dar o direito de só me procurar quando quisesse sexo.  Às vezes, ele entrava no jogo e me tratava como a crianca carente que insiste em se manifestar em mim: eu me deitava na rede uma tarde longa e ele toda hora vinha me perguntar se eu queria algo, me trazia água, abacaxi fatiado, enfim nao insistia no sexo até que eu tomasse a iniciativa.
Mas ás vezes, ele, depois de insisti delicadamente, simplesmente forcava e penetrava. daí eu chorava horas infinitas, ía embora, ele me ligava, eu gritava "Estuprador, voce me violentou", mas acabava sempre voltando porque era uma paixao avassaladora e mesmo no estupro eu acabava cedendo e transando enfim, muitas vezes acabava se transformando de uma coisa forçada em algo prazeroso, no que ele concluiu que isso era um fetiche meu de brincar de estupro.
Mas aí uma vez ele me estuprou anal. No dia seguinte, eu contei para minha terapeuta (que desconhecia essa outra faceta descrita acima) e ela duvidou de mim "Será que ele te violentou mesmo? Porque as vezes casais fazem esse joguinho de dizer nao, mas quer dizer sim".
Cara, eu pirei pra idiotice dela, mas ela era adorável e me ajudava muito, deixei pra lá, mas  foi aí que eu enxerguei a realidade: eu era forçada e permanecia. Até entao, eu nunca tinha feito anal, eu nao queria, ficou evidentíssimo que era estupro e mesmo minha psicóloga me orientava a negar isso.

03/03/2013

A outra e/ ou a dúvida

Eu sou doente de ciúme. Do tipo que controla celular e email. TODOS os meus relacionamentos anteriores sofreram terríveis desgates por isso, ou näo, porque havia um que até minha bolsa revistava na minha frente, me cheirava, enfim um desequilibrado como eu.
Meu marido no início pirou com mais essa dificuldade minha, mas depois como o amor dele é infinito, deixou passar, parou de trocar a senha do email cada vez que eu invadia a conta e a descobria. Enfim, hoje, ele chega, eu pego o celular dele pra "checar", ele entrega, eu digo "controle", ele ri, depois que eu checo, devolvo o celular, ele ternamente retruca:"Tudo certo?" e rimos.
Rimos da minha estupidez, porque afinal, basta ele apagar qualquer coisa comprometedora.
Mas acontece que eu passei seis semanas longe e nesse tempo em que tive com minha família materna, ele saía todo fim de semana com os colegas de trabalho. Depois que eu voltei, houve tres dessas saídas nas quais eu nao poderia ser incluída:
 -uma seria um boliche depois do Happy Hour, só para os colegas de trabalho numa segunda-feira, além disso, eu nunca aprendi a jogar e já dei crise numa ocasiao semelhante;
-depois, houve o aniversário de umazinha lá, e ele me demoveu da idéia de ir, porque eu nao conhecia ninguém eu ía dá os pits de sempre se sentisse ignorada por todos - incluindo ele, que acabaria conversando com os demais e eu, como sempre, me sentiria abandonada e choraria como um bebe...
-aí na quarta passada ele veio muitissímo cauteloso dizendo como quem nao quer nada que os caras estavam planejando sair no sábado, mas que seriam só homens, uma noite de cerveja e papo de homem...
Volta e meia ele tocava no assunto até que por fim eu disse: vá querido, eu vou aproveitar e ve o filme "Les Miserables". Liguei para as poucas amigas que tenho convidando-as a ver o filme comigo e esticarmos na balada. Ninguém quis. Mas me arrumei toda sexy e deixei-o pensar que eu iria pra balada ter  a noite das mulheres também.
Depois do filme vim direto pra casa, claro que nao consegui dormir... Às duas da matina ele chegou, bebado. Eu estava no banheiro, fingi que escovava os dentes como se eu tivesse acabado de chegar.
- Vim mais, cedo, amor. Declarou ele.
- Cedo? Como assim?
-Os caras continuam lá na balada, mas eu vim pra casa, porque sou bom marido, sabe.
-Explica melhor?!
-Eles seguiram para uma casa de strip tease.
-Hum, sei. Vá tomar banho e lave bem esse cabelo, voce está fedendo cigarro.
Fiz de tudo pra controlar minhas impulsividades possessivas, o sábado passou sereno. Aí, como domingo é dia de futebol e ele nunca deixa de assitir, liguei pra Emilia e marcamos dela passar a tinta no meu cabelo no mesmo horário do jogo... Ao que ele, ao contrário do habitual- que seria me acompanhar até a casa dela para assistir ao jogo com o marido dela-  correu a dizer que iria ao cinema ver aquele filme do Bruce Willis.
-Voce vai mesmo ao  cinema na hora do jogo?
-Sim, enquanto voce ta com sua amiga, eu nao terei tempo durante a semana...
- E porque nao vai na sessao mais tarde?
Sem me responder, ele já foi se arrumando, saiu muito mais cedo do que o necessário para chegar a tempo do filme.
Queria segui-lo mas meu cabelo precisava mesmo da tintura e teria de aproveitar a boa vontade da Emilia de aplicar, já que to mesmo quebrada para ir ao cabeleireiro.
Cheguei em casa quatro horas depois e ele ainda nao havia chegado.  Liguei cinco vezes e ele nao atendia. Depois mandou mensagem "ainda estou no cine, houve atrazo, o filme termina em cinco minutos mais ou menos; onde voce está?"
Nao respondi. Ele mandou mais tres mensagens desesperado  para saber onde eu estava.
O ciúme crescia em mim. Nao respondi onde estava.
Ele chegou fedendo a cigarro (ele nao fuma). Ataquei a perguntar, quando ele disse que houve um problema, que  o filme foi interrompido por problemas técnicos (Oi?) e  ele foi para o bar esperar a próxima sessao...

02/03/2013

O sonho

Ontem, depois do desencontro furado com a Maria, cheguei em casa triste, só com vontade de me jogar na cama e dormir. Eu durmo tanto! Porque dormir é como morrer. Que nada, até no sonho eu sou inquieta.Tenho sonhado muito. Outro dia sonhei que passeava à beira de um imenso rio: eu, um ex colega de ensino médio e um casal conhecido dele. Daí eu e esse meu ex amigo de escola, com quem sempre me dei muito bem mas nunca rolou nada de ambas as partes, e eu o revi na natal quando visitei minha progenitora. Enfim, eu e ele no passeio nos agarramos no maior amasso e procurávamos um lugar pra transar. Aí a conhecida dele apareceu, ele ficou todo constrangido porque ela iria era contar pra namorada dele.
E eu lá queria era saber de amiga? Ele se afastou de mim e tentava ir para casa o mais rápido possível, enquanto eu tentava em códigos marcar um date para a gente terminar... Aí eu acordei. contei o sonho para meu marido,  e ele ficou com ciúme, dizendo que com certeza eu fora afim do cara. Sei lá, será? Inconciente? Ele sempre foi do tipo bonitinho, certinho, filho que a mae pediu a deus, estudioso, namorava uma estudante de biologia dos olhos azuis, depois ele foi ser bombeiro.
Cara, ele foi ser bombeiro... E eu, que nao consigo mais gozar com meu marido embora fique fantasiando coisas.

01/03/2013

Na conformidade


Ele está ao telefone com sua mãe e mais uma vez ela está fazendo as mesmas perguntas e eu ouço a que sempre me faz dá nos nervos. Sua resposta é sempre a mesma "sim, ela está bem". Ele diz a mesma coisa de novo: que estou bem, enquanto na verdade...
É preciso ter uma fachada polida. A fachada eu tenho que ter para que as pessoas possam aceitar-me. Se a família dele sabe o que se passa comigo, eles não entenderiam e eles definitivamente não iriam querer  seu filho perto de mim. Nessas horas assim, que eu percebo o ser humano perturbado que eu realmente sou. Para o ponto que eu preciso esconder como eu realmente estou. Eu me machuco. Eu nunca estou realmente bem, mas tudo bem se você não sabe disso. Você só precisa ver a superfície e ouvir palavras minhas e do meu marido de que está tudo bem.
Ele não lhes diz, porque ele quer me proteger. Ele é o único que sabe realmente das coisas que eu faço, embora ele mesmo nunca vá entender porque eu sinto o que eu sinto. Mesmo que ele não possa compreender-me, aceita-me e está me mantendo a salvo do ódio e julgamento alheio. Podemos lidar com os meus comportamentos juntos e ninguém na família precisa saber como realmente eu sou surtada.
Eu não digo a eles, porque eu sinto que eles não merecem saber. Eu nem mesmo digo à minha própria familia, porque é complicado demais para eles entenderem, embora as anormalidades emocionais se apresentem em diversas nuances na minha progenitora, minhas sisters e meu pai ausente.
Além dele, gostaria de ter alguém mais para me mostrar como sou. Onde minhas  emoções nao fossem um tabu a nunca ser conversa, de jeito nenhum.
Sites de redes sociais são uma das coisas maravilhosas que me permitem dar a ilusão de normalidade e harmonia em minha vida. Eu escrevo sobre as coisas boas, coloco fotos de uma ida à feira e minha família pode pensar "grande, ela está bem" o que eles não vêem é que, enquanto eu estou escrevendo isso, eu estou pensando se devo me jogar na frente do trem ao invés de ir à aula. Eu não estou mentindo. Eu nunca minto. As coisas boas que eu escrevo são sempre verdadeiras, mas então eu posso sentir o bom e mau ao mesmo tempo. É muito normal para mim se sentir bem num segundo e ainda ser totalmente caótica e à beira de me atirar da janela.
Eu nem sequer tento agir normalmente quando eu visito a família, porque eu sou normal em torno de pessoas, você não diria nada sobre mim que não me parece ser uma garota legal. Não é que eu possa de repente me controlar na frente dos outros, é que o meu impulsivo perigoso estão mais alerta quando estou sozinha.
Eu sinto que tenho esta imagem Menina agradável exterior que a família e amigos querem ver, mas há essa garota que é o completo oposto (caos interior, angústia, alma em frangalho eterno) e ela não pode ser conhecida por eles, eu tenho que mantê-la em segredo porque na verdade ninguém se interessa. Todo mundo espera que sejamos ajustados à essa sociedade que falhou.  Ter comportamentos caóticos é algo banido. Sentir um vazio interior infinito e essa dor. Ah! Essa  dor  horrenda de viver é algo profano.

E livrai-nos, santa pilula, do tédio nosso de cada dia

Fui à aula, e correu tudo bem.   Ás quintas, eu só tenho duas aulas: Das oito ás 9:40
Um amiga me convidara para almocar. Fiquei com preguica de ir em casa e depois ter de voltar, optei por passar tempo  olhando as vitrines das lojas e depois  fui para a biblioteca. A amiga que de início   marcara para cerca de 11:30, ao meio dia nem notícia. Mandei mensagem e ela disse que logo me ligava. Esperei até uma e nada. Fui pra casa. Sem fome, mas compulsivamente devorei um pacote de biscoito rechaeado. Odeio ser essa devoradora que come para compensar os problemas. odeio gente que se atrasa. Odeio de morrer gente que se atrasa e nem dá notícia me fazendo de idiota, achando o que? Que per supuesto eu tenho de esperar à merce dela? Vagabunda.
Tres vezes disquei o  numero dela, iria xingá-la toda, ou melhor, soltar  a minha fúria. Enquanto vinha, no metrô, remoia minha raiva: se ligo pra ela e digo os desaforos que ela merece, confirmo que sou a neurótica de carteirinha, se nao ligo e tento deixar pra lá, fico aqui a me acidificar de desgosto, a me engordar devorando biscoitos e ela segue leviana fazendo sempre isso com todo mundo.
Desço do onibus. Um sol radiante. Adoro sol e dia lindo. Feliz de ter os óculos escuros. A beleza do dia me distrai, descido que nao vou mais ser amiga da Maria, aliás, ela é amiga da gente só quando ELA precisa. E se tem uma coisa que esses muitos anos de Borderline já me deu foi a indiferenca pelas pessoas que vao e vem. Já perdi amigas, amigos e amores queridíssimos cuja partida me doerá pra sempre. Vou tomar dois comprimidos, porque estou muito triste hoje.