29/06/2014

Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos pra voltar
O que que a vida fez
Da nossa vida?
O que que a gente
Não faz por amor?
Mas tanto faz
Já me esqueci
De te esquecer porque
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar
Agora vem pra perto, vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Vem, Sobre o meumeu amor, vem pra mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer
Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos pra voltar
O que que a vida fez
Da nossa vida?
O que que a gente
Não faz por amor?
Mas tanto faz
Já me esqueci
De te esquecer porque
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar

Bloqueio

Alguns bons reais na conta.
Carro com a manutenção em dia. "Tá jóinha seu carrinho", diz o cunhado, que voluntaria de motorista quando não tenho condições de dirigir.
Jovem (dizem as amigas e as irmãs).
Magra. (Entrou e ficou deslumbrante no vestido verde esmeralda-  Viva os resultados da tortura na academia!  70 minutos de ergometria, 40 de musculação e localizada, credo).
Determinada. Ontém o corpo quebrado. Foi mesmo assim.
Sem filhos.
Bom emprego garantido para breve.
Sou tudo o que minhas irmãs gostariam de ser: livre e poderosa. Tenho tudo, segundo elas.
Hoje! Dia de sair da bolha.
Assim que acabar o jogo, saio e pego aquela sessão vespertina da Malévola.
Adoro a Angelina Jolie. Ela é linda, poderosa, talentosa e só faz filme bom.
Jogo prorrogado. Será que nos eliminaremos da copa?
Vai mesmo pro penalty. Sofrimento.
Último segundo. Neymar e Julio Cesar nos salvam. Alívio.
Ih! Já está tarde. Não vai dar pra pegar a sessão. A próxima só mais tarde. De noite
E o medo, de voltar pra casa, sozinha?!
Mas tem de tentar.
Entra no carro. Gira a chave.
Pés travam. Qual marcha mesmo está engatada? E se  arremeçar esse carro contra a parede, igual  a B. fez?
Um minuto.
Cinco minutos.
Dez minutos.
Não, mãe, não precisa vir me ajudar. Deixe o portão fechado como está. Não vou sair. Não consigo.

05/06/2014

Se Madalena eu fosse

Se pudesse perdoar... Porque o amor que sinto ainda é o mesmo, senão mais forte, pois que  a perda aumenta o valor. Mas paralelo ao desejo de perdoar: a angústia de ceder, de aceitar, e de acreditar que sem a devida lição ele faria o mesmo sempre. Como os rios que não se misturam. Sentimentos da mesma substancia, mas tao distintos que não se podem fundir.
Porque a vida inteira critiquei as mulheres que fazem papel de bobas, que se deixam enganar e perdoam infinitamente... Ah, mas eu as entendo agora, pois também só queria perdoá-lo. Parti para dar-lhe a lição, mas a pena maior quem recebe sou eu.  Se pudesse, faria como Madalena, que perdoa sempre. 
Na tela da poltrona a frente, no meu voo de volta a casa, assisto a um filme muito emocionante. Anjos e demonios, (Winters Tale). Cada um teria um milagre aqui na terra. E o narrador do filme me esclarece: amamos para salvar.
Para salvar. Não foi esse meu amor com ele o salvamento maior meu e dele de nossas respectivas carencias e solidão? Não temos nós dois exatamente uma capacidade infinita de amar o outro? Deus, como o amei e como fui lindamente amada.
Ah, se borderline eu não fosse e pudesse ter controle sobre minhas emoções. A fúria de ter sido enganada, o ódio de mim mesma por não ter percebido. E, ao mesmo tempo, da mesma substância, mas comos os rio negro e solimões, correndo paralelamente,  o sentimento de verdeiramente amor: eu o entendo, abandonei-o várias vezes- fora as inúmeras ameaças de ir embora; ele sozinho, coração partido pelo abandono, buscou refúgio.

Eu mesma não agia assim antigamente com F? Era M.A. partir, eu me sentia arrazada pelo abandono e me lançava em braços de Chico. Oh Querido, eu o entendo e o perdoo. Não pude ficar, pois a dor de ir contra meus princípios é de uma agonia infinita. E minhas crises de ciúmes me tornavam cada dia mais insuportável. 
Eu não tenho paciência com pessoas insuportáveis.