25/11/2017

Tudo junto

Daí que maridinho, fora a assexualidade, é o marido perfeito. Arruma o lanche dela  enquanto ela se veste, procura sua bolsa e chaves, busca o sapato do trabalho e poe ao pé da escada pra ela calcar quando descer; poe o chale no pescoco e o gorro na cabeca dela para garantir que nao vá se resfriar.  Parece uma mae cuidadando de sua cria. Menina adora isso. Nunca cuidaram dela. É bom ser cuidada.
E ainda ele mantem a cozinha em ordem: religiosamente, antes de dormir, coloca tudo na lava louca e liga a máquina, de manha, primeira coisa que faz ao chegar à cozinha é guardar tudo.  Passa o aspirador na casa- quando a sujeira chega a tanto que até a seus olhos insensiveis percebem. Poe a roupa na máquina, estende no varal, tira do varal . À menina,  resta  guardar.
Menina dirige pensativa da aula. Exausta de um dia de trabalho e aulas, mais horas de estudos para a maratona de provas do semestre.
E Menina ve que está bem. Que sua situacao é boa. Que anda serena.
Mas serenidade é coisa passageiríssima em sua vida. Semana comecou com uma gripe forte. A cada espirro ou tosse, urina escapava involuntariamente.
Marido le num desses sites que a incontinencia urinária faz parte da gravidez. Mais um  incomodo da gestacao. Menina se surpreende em como tem mulher capaz de passar por isso até seis vezes. Uma fornada já basta. Coisa mais aperreada isso de gravidez.
Por isso que a Kim alugou uma barriga. A Kim tem vários irmaos e meio irmaos. Só nao mais que menina. É bom mesmo ter irmaos e irmas. Vinte anos que o irmao se foi, mas menina sente saudade e lembra dele como se fosse ontem. Menina também gosta das irmas. Estao cada vez mais aproximadas. Sao de fatos as amigas da atualidade. Com o whatsapp, pode falar com cada uma várias vezes ao dia. Especialmente agora, com tantas dúvidas sobre gravidez. As irmas sao fonte preciosa de conselhos.
Incontinencia urinária se intensifica, vai à médica da família pegar pelo menos um atestado, porque seria impossível ir trabalhar nesse estado.
A médica, surpreendentemente eficiente, escuta menina e solicita um exame de urina. Infeccao das vias urinárias.
O único antibiótico que grávida pode tomar causa muitos efeitos colaterais. É engolir o comprimidinho e correr para o banheiro a vomitar.
Outro dia, nao deu tempo: o jato do vomito foi lancado por todo o trajeto do quarto até o banheiro.
Maridinho, solicito como sempre, corre a pegar um balde e um pano e se poe a limpar tudo.
Pega o tapete e vai para a lavanderia.
Mais tarde menina desce lá e ve: junto com o tapete, roupas, inclusive rodam tudo junto na máquina.
-Voce foi capaz de lavar minhas calcinhas com um tapete imundo? Voce já ouviu falar em Higiene? Eu estou com uma infeccao! Se nao tratada, pode passar para o bebe, e se nao sarar logo, o antibiótico necessário também fará mal à crianca!

20/11/2017

Da suficiencia

Depois do temível primeiro trimestre, de cinco vomitos diários e nauseas intermitentes, a libido voltou  em toda sua intensidade.   Infelizmente marido permanece do mesmo jeito, sem vontade para nada. 
No meio da noite, ela acorda com fogo e ataca, mas ele está cansado, ou até tenta, mas nao mantém a erecao ou nunca ejacula. Extremamente frustrante.
Menina se masturba,  conta até mil para nao comecar a discutir a mesma lenga lenga pela trilionésima vez. Nao dá mais para ameacar que vai embora.
-Nunca mais vou embora, diz à amiga. Porque nunca cogitou de ter um filho sem pai. Além disso, pelo menos para isso ele será bom.  Está todo animado. Mima menina mais que tudo.
E se consola, menina descontente. Já deve ter tido sexo o bastante nessa vida. Já teve sua cota pra essa reencarnacao.
 Adormece. Sonha. O marido chega, parece  vinte anos mais jovem. Adentra o ambiente como quem vem do trabalho, nao a cumprimenta com o beijo terno de sempre. Fica parado.  Olhando-a.
Ela nao diz nada.
- Eu sou gay, ele declara.
Menina vai para o porao, deita no chao. A princípio, se encolhe. Sente nada. Nao sente absolutamente nada por uns segundos longos. O vazio absoluto.
Que nao dura muito. Logo o choro gutural o preenche. Quando as lágrimas cessam, os cabelos sao arrancados.
-Por que? Por que? Por que casou comigo? Menina acorda o esposo aos gritos e aos tapas.
Ele lhe dá um safanao para acordá-la ou para afastar o demonio que a possui, só pode ser.
- Que isso? O que lhe fiz?
- Voce me enganou. De uma covardia tremenda, por que?
Mas ele já se revirou e voltou a dormir.
Ela se cobre por inteiro. Porque dói a revelacao de sonho, se mesmo em  realidade já desconfia? Por que o desespero?


17/11/2017

Surto sexual

Outro que também viu Menina sumir da vida dele foi o namorado pelo qual o Mazinho foi confundido durante o surto psicótico.
Bem no início do frequentar o Caps, teve um passeio um dia lá. O onibus alugado para os levar estava cheio e como Menina era aparentemente normal, as terapeutas e cuidadores acharam que nao havia mal nenhum em ela ir lá na frente, ao lado do motorista.
Motorista e paciente que parecia funciária do Caps eram quase vizinhos. Ele morava duas ruas acima da dela. Se conheciam de vista, mas nao tinham nenhuma amizade em comum e nunca tinham nem se cumprimimentado na vida.
- Uai, voce é psicóloga?
-Nao.
- Enfermeira?
-Também nao. 
-Estagiária? Menor aprendiz?
Menina balanca a cabeca.
- O que entao voce faz no Caps?
-Voce vai ter de adivinhar!
E conversaram o dia todo. Ela legal de conversar com ele. Contou de suas historias de motorista. Bem no início de sua carreira, assim que tirou a carteira E, foi trabalhar noutra firma de excursao. Uma vez teve de levar um grupo de velhinhas a passear e quando o viram descer do onibus para recepcionar o grupo, uma delas comentou. "Uai, esse menininho aí que vai conduzir a gente?"
- Sim, minha senhora, eu sou capacitado para tanto. Além disso, eu dirijo caminhao escania desde meus oito anos de idade, que meu padrasto é camioneiro."
- Mas é que voce é assim tao miúdo.
-Uai minha senhora, eu vou DIRIGIR o onibus e nao carregá-lo. Pode ficar tranquila que  voltaremos todos em paz.
Menina gostou tanto do jeito doce e languido dele de conversar.
Naquele mesmo fim de dia, nem mesmo foi conversado, já sabia que ele a levaria para casa. Menina também nao mostrou nenhum espanto quando ele fez um desvio no caminho.  Ao invés de seguir para o Bairro, foi lá pra motelandia.
Ela gostou do Motel de luxo, gostou do penis grande e musculoso, do corpo delgado, miúdo já nao era mais, deve ter crescido uns vinte centimetros desde que tirara a carteira, do cabelo macio, o gosto doce. Era alto e forte. Segurava menina para uma transe em pé sem nenhum esforco. 
Toda vez que ele chegava de viagem, no meio da noite,  o miúdo nem precisava se dar ao trabalho de avisar, marcar e buscá-la, como um cavalheiro.
Nao,ele ligava no meio da noite: " Acabei de chegar,tomoi banho, pus aquele perfume que voce gosta, vem que meu pau tá durinho"
E menina ía, no meio da noite, esbaforada do medo, envergonhada de ser tratada como uma prostituta sem respeito. Mas sempre ía e se deleitava.
Ele partia. Nas ligacoes, menina insistia que ele tinha de da próxima vez achar tempo para fazerem algo normal de namorados: irem ao cinema, a churrasco com amigos, ou uma viagem, ora essa. Meses seguiram sem que seus pedidos fossem ouvidos. Houve celular jogado contra a parede, quebraria no quarto, ciúme louco dela que ameacava que nunca mais viria. Chegava lá e se recusava a transar.
-Menina, faz isso nao, Eu te amo tanto. Ve aqui como eu to sedento. E ele colocava a mao dela no penis endurecido   
Até que, depois que o indigena entrou na vida dela, os finais de semanas foram preenchidos por visitas reciprocas recheadas de muito, muito sexo  excelente, e ainda passeios no shopping e restaurantes, idas à feira de maos dadas, almoco em família. 
Nem mesmo se despediu do motorista, simplesmente o bloqueeou no celular para que nao ligasse mais.
15 anos depois, no tempo em que voltara da Europa com cara de rica e passeava mae e sobrinha feliz em seu Cross Fox Vermelho, trocou com esse um olhar. Ele envelhecera e ganhara barriga de cerveja, parecia velho e cansado, ainda queo cabelo contiusasse pretinho nao tinha mais brilho.
Estava a transferir as comprar do carrinho do mercado para o porta mala, no estacionamento. Vestia aquele fabuloso vestido esvoacante comprado na Grecia por uma mixaria, estava magra e malhada e, segundo a vizinha, estava igualzinha (a quando tinha 17anos).
Menina o viu no mercado minutos antes, mas o ignorou. Tem um talento incrível para totalmente ignorar coisas e pessoas que nada mais significam. 
Ele estava lá na porta do supermrcado aprado no meio do nada olhando intensamente para ela. Parecia encabulado com cada movimento dela. Como era graciosa e linda, e como parecia ainda mais sexy do que antes. Isso tudo menina inferiu nessa troca de olhar.
E o vento amigo  queria levantar o vestido, menininha veio acudir a tia e ambas se abracaram e sorriram tao felizes.

04/11/2017

O furto

Chegou a casa. Encontrou uma mae e uma irma em estado infinito de alívio ao ve-la. Haviam-na procurado a noite toda. Deram parte na policia de seu desaparecimento, e lá mesmo souberam que ela passara por ali. 
Também na busca vieram a saber de seu desfalecimento em praca pública. No desespero da mae,  apareceu uma mulher generosa que em pouco tempo recolheu um monte de doacoes alimenticias e até dinheiro  para a mae pagar as contas de agua, luz e afins.
Menina nem mesmo sabia ao certo o que acontecera com ela. Nao falara da carta para ninguém. Dormiu o dia todo. Às seis da tarde, uma semana depois, ligou no número que constava na cartinha improvisada num papel de embrulho. 
- Alo?
-Oi, sou eu. Voce me deixou uma carta naquele dia de manha. Parece que voce me acudiu. Estou ligando para agradecer
-Já estou quase chegando em casa. Eu moro no outro lado da cidade. Moro com minha irma. Contei de voce para ela. Ela está terminando a comida. Vem jantar aqui com a gente, ela quer muito te conhecer. Ai, que bom que voce ligou, meu bem! Senti muito sua falta. Nao paro de pensar em voce um minuto.
E menina foi. Um barracaozinho num cortico ocupado mais por nordestinos. O cubilo do Mazinho e da familia  de sua irma conseguiam ser mais fétidos e caqueticos do que o cortico onde menina morou na primeira infancia. E era mais confuso e triste do que o barracao sem piso nem reboco nem janelas apropriadas onde menina cresceu. Ali nao devia morar ninguem. Eram os fundo de uma garagem ou depósito. 
Apesar do triste lar, o Mazinho e sua irma eram adoraveis. E encantados com menina. Fizeram questao de lhe dar o peito do frango, lhe ofereciam suco e tudo o mais. Enternecida ficou, mas era asfixiante, quis ir logo embora dali. 
- Adorável de sua parte, mas eu nao posso dormir aqui. Eu tenho, quer dizer, eu tinha uma passagem comprada para Araguaína amanha Vou visitar meus irmaos por parte de pai pela primeira vez. Dois deles eu nunca vi. Nao sei como vou fazer, voltei à delegacia e fiz um adendo ao boletim de ocorrencia, pois a passagem estava na minha carteira furtada.
A viagem é por meio de uma agencia de excursao clandestina. Mesmo sem nenhum documento, ela foi lá e convenceu a mulher a deixa-la embarcar.
Nas duas semanas que passou no Tocantinhs, Mazinho ligou todos os dias para ela. Como sempre  a mae dela atendia e dizia que ela ainda nao voltara.
Para voltar, o meio irmao lhe pagou a passagem e a cunhada lhe preparou um lanche para comer nas 14 horas de viagem.
Logo no inicio da viagem, sentou-se ao seu lado um desses tocantinenses que tem tipo indigina,  essa pelo moreno vermelha linda, o cabelo preto lustroso e macio e ainda por cima um corpo definido- exposto ali no apertadojeans lavado de marca  e na camiseta babylook. Um look totalmente de qem curte sertanejo, um tipo que geralmente nao atraía menina, que odeia sertanejo.
O rapaz cheirava bem. Nao fumava, e estava acompanhado do lindo filho que sentado na poltrona de frente dele se virava a casa segundo para dizer algo ao pai. Menian sempre achou lindo pais que cuidam dos filhos. Ele era tao atencioso com o menino.
-Cade sua mulher?
- Tenho mulher nao. Meu filho mora com a mae dele lá em Araguaína mas vem passar as férias aqui comigo.
-Ah.
Foi só anoitecer e eles comecaram a se beijar tao calorasamente que o povo no bus inteiro ficou encabuldo em como um casal ja casado assim há tempo, com um menino de cerca de sete anos,  podia ainda ter tanto fogo mesmo em público.
Namoraram a viagem inteira, ele também se apaixonou, firmaram ali mesmo namoro: ele era mestre de obras em Brasilia e iam ter um namoro a distancia com encontros no fim de semana. Um eu venho, no outro voce vai. 
Mazinho nunca mais foi atendido ou recebeu uma ligacao de menina. Pra ele, provavelmente permanecerá pra sempre na memória a menina em transe que é mais perfeita do que  a perfeicao na cama. 
Para Menina, fica ainda hoje o choque de ter transado menstruada com um total desconhecido e o alívio  por sair ilesa, sem nunca ter tido uma DST. 


02/11/2017

Para chegar à delegacia

De outra vez, era fim de mes. Depois do expediente, foi ao caixa eletronico dentro da faculdade e sacou seu salário de estágiária,  assim como o pagamento de mes da mae, como de costume. O caixa eletronico ali era seguro e e tranquilo. Saía dali para casa com cara de estágiaria sem nada de valor. 
Naquele dia, entretanto,o onibus lotado, sua bolsa foi furtada e nem viu por quem. Chegou em casa e ao dar a noticia pra mae de que ambas nao teriam um centavo para passar o mes, foi aquela histeria.
Desesperada, menina tomou vários calmantes e saiu apra ir à delegacia reportar  o furto de  documentos e cartoes do banco.
No meio da caminho, bem ali na praca Joaquim Lucio, em Campinas, pertinho da delegacia, desmaiou e insconsciente permaneceu. Povo acudiu no afoitamento. Chamaram os bombeiros que  levaram-na para o hospital das clínicas. Um rapazinho mirrado e suado, cansado do trabalho, provelmente faminto, também esperava por seu onibus, resolveu acompanha-la na ambulancia, já que nao a queria levar desacompanhada e ninguém ali a conhecia.
Depois de tres horas de observacao por diversos estudantes de medicina, foi liberada. Ainda nao falava nada coerente ou congruente. repetia incessantemente que fora roubada e que tinha de ir á delegacia. Pegaram o Eixao e voltaram do universitário para o setor Cmpinas.
O rapaz a acompanhou até  delegacia. Lá o delegado ou seu escrivao acharam tudo muito suspeito.  Deliberaram se menina nao estari drogada e, como o acompanhante dela nada sabia, suspeitaram mais ainda. Por fim, depois de longo interrogatório ao pobre bom samaritano, registraram a queixa e os deixram ir. Já passara da meia noite, nao havia mais nada.
De tudo isso Menina mesma nao se lembra nada.  Ele mesmo lhe contou depois. Do que nunca se esqueceu, é que  no meio do transe se lembra de no meio da noite ir ao banheiro, Um banheiro desconhecido, num quarto desconhecido. E lembra-se de que estava menstruada.
- Onde estamos?
- Num hotel aqui pertinho da delegacia. Quando finalmente voce conseguiu registrar sua queixa, os coletivos já nao corriam mais. Taxi até minha casa seria muito mais caro do que a pernoite aqui e eu ainda nao recebi.
-Voce está engracado,amor.
Menina voltou à cama, se aconchegou nos bracos de um dos seus namorados. Amaram-se mais estava diferente.
-Uai, Kleber, voce está diferente. O que aconteceu? Nao é assim que se faz nao.
Depois Menina apagou de novo.
Acordou de manha com um café da manha simples na mesa, e uma carta:
"Menina, esse é meu telefone e meu endereco. A diária já está paga, eu tenho de ir trbalhar. Termino às cinco, me liga para dizer que está tudo bem? Eu te amo! Vocé é um sonho incrível".
Ainda sem entender nada, Menina pegou a carta e o sitpass que estava em cima da mesa e foi embora.