26/04/2013

Solitária

Eu vivo uma vida de solidao. Vejo na academia casais malhando juntos e desejo que eu tivesse alguém pra malhar comigo: uma amiga ou meu marido. Eu nao tenho ninguém.
Outro dia, depois de ir à agencia de emprego, parei numa confeitaria, tomei meu cappucino com minha torta de chocolate extremamente sozinha ao som barulhento de umas seis mulheres que ali se reuniram para bater papono mesmo instante que eu tentava livrar-me de minha solitude. Tentei nao me aborrecer com o barulho alegre delas, enquanto direcionava meu olhar para as pessoas e movimento da movimentada esquina de duas avenidas.
Na minha solidao, leio livro e escuto o áudio do mesmo para aprender alemao.
Estou lendo no momento a traducao para o alemao de Ines del alma mia, de Isabel Allende. Eu nao li o original nem a versao em portugues, mas estou entendendo tudo na versao alemä e tenho me emocionado. Ines, uma heroína feminista em plenos anos de 1500! Wow!
Acabo de ler uma mensagem no grupo borderline do Facebook de alguém que diz " eu nao tenho talento nenhum"... É Assim que me Sinto também. Ironia da vida, eu sempre fui Boa aluna, tirava Notas altas, aprender para mim sempre foi entretenimento. Mas na época do vestibular, eu nao tinha idéia de qual seria a carreira da minha vida. Desde a adolescencia, comecei a delinear meu futuro como jornalista. Mas aí,  sou pequena e morena com nariz e cabelo afro- na TV Brasileira nao há chance para afrobrasileiro: todo mundo é branco europeu (há excessoes, o que confirma a regra) além disso, pelo meu tamanho Mignon, associado ao fato de que nao passei no primeiro vestibular, me convenceram de que eu deveria escolher outra carreira. Mas eu nao tinha idéia. Tinha umas vontadezinhas de tentar filosofia e sociologia, ou letras... 
Perdida, surtada, sem fazer nada, acabei indo fazer um curso tecnólogico. E Agora estudo outra coisa mas provavelmente vou largar esse também.
Se eu pudesse voltar no tempo, teria feito letras e também sociologia. Eu teria sido uma ótima professora de redacao e literatura. Ainda que esse blog seja uma coletanea de erros ortográficos, acredite-me: outrora eu  fui um primor. Minhas redacoes eram sempre retidas pelos professores para servir de exemplo em aulas futuras. E na adolescencia, sofrendo amores platonicos e bloqueada pela falta de Auto estima, eu escrevia  poemas maravilhosos o tempo todo. E divivia meus dias de solidao lendo os de Cecilia Meireles e Cora Coralina.
Mas eu mudei. Anos se passaram. Sou uma adulta envolta em nebulas de angústia e solidao.

24/04/2013

Uma vida sem sentido

Levantei,  tomei café e fui à academia. 45 minutos de cárdio. Queria fazer mais, mas nao consegui. Semana retrazada só fui uma vez e na semana passada duas vezes. Essa semana comecei bem. Quero tanto perder 15 quilos.
Uma das coisas que mais me afliguem é o auto-ódio por minha imagem. Nunca fui bonita; gorda entao, sou um lixo. Antes de me casar, sempre malhei, sempre tivera um corpo perfeito- para compensar meu tamanho nanico (1,53m).
No caminho da academia para casa, sentimentos suicidas. Eles me acompanham o tempo todo. Lembrei que esquecera de tomar os rémedios. Mas remédios nao ajudam, terapia nao ajuda, nada é capaz de me fazer ter um sentindo na vida.
Baixei e comecei a ler o livro de Viktor Frankl: "Um homem em busca do sentido da vida". Trata-se de um psiquiatra e terapeuta austríaco que sobreviveu ao holocausto e que desenvolveu uma nova escola de análise: a Logoterapia, baseada no existencialismo. Minha terapeuta que me indicou, porque, segundo ela,  sou uma Pessoa em crise existencialista.
Para pacientes em constante  e persistente angústia existencial, Frankl pergunta: "E porque nao se mata?" De acordo com a resposta do paciente, conduz-se a terapia...
Porque eu nao me mato? Pergunto-me isso e nunca chego a uma resposta. Às vezes, penso que nao me mato por consideracao à minha mae, outras vezes, penso na minha sobrinha que me ama muito e eu a adoro, e à qual um dia ainda quero adotar (ela foi deixada pela mae dela e é criada pela avó- minha mae). Também penso no meu marido.
Às vezes, estou bem e entao quero viver. Como há duas semanas, eu, ele, algumas Amigas e o namorado de uma, sentados na grama, a beber, a ouvir a música do Festival ao fundo, um momento tao simples, eu me sentia bem, sentia alegre de estar viva. Momentos assim eu gosto de viver e penso que se um dia essa angústia existencialista acabar, eu possa apreciar a vida. Por isso nao me mato.
Entretanto, ainda nao me matei mesmo porque nao sei como faze-lo: tenho horror de métodos violentos, como me jogar do último andar do prédio; me enforcar também nao é viável, porque eu nao sei como dar nó e aqui nao tem onde pendurar a corda a me enforcar. Overdoses de remédios eu já tentei e só me resultou num coma seguido de longa internacao psiquiátrica. Conversando com uma conhecida também depressiva, bióloga, ela me disse para usar  plantas venenosas, muito mais eficiente que remédios.
Uma vida Sem sentido. Acho tudo tao irreal, tao inútil. Um vazio infinito. Cada dia é um tédio. Nunca fui feliz! E acho que nunca serei. Queria tanto ser diferente. Queria ser uma Pessoa simples, feliz, contente com a vida e as coisas boas que me rodeiam.

22/04/2013

O sucesso alheio

Entao que um dia eu larguei um bom emprego e me mudei pra me casar e morar na cidade do meu marido. Aqui nessa cidade nao há qualquer chance para eu arruamr algo na minha área. Há 3 anos parei de trabalhar. Dependo financeiramente do meu marido.
Volta e meia sou confrontada com as perguntas:
-Viu como a casa da K é bonita, arrumada? E ela tem o próprio carro e o marido dela acabou de trocar o dele. Sem falar que ela está realizada na profissao, o marido dela ganha bem e portanto o dinheiro dela é só para ela mesma, viu como ela tá linda? Outro dia, ela gastou uma fortuna na loja de cosméticos...
-E a P.? Agora eles vao alugar o apartamento que se pagará as prestacoes sozinho, e se mudam em breve pra uma casona super bem localizada que compraram e reformaram perfeitamente. E ela continua firme e forte na firma; daqui há pouco ela vai completar dez anos de servico, com dois cursos superiores, com certeza o futuro profissional dela lá promete...Se eu tivesse ficado lá. E o filhinho dela?
Mas veja bem, K e P  nao viajaram mais de dez países, nao descobriram a beleza de subir as montanhas alpinas e peruanas, nao desenvolveram o ciclismo como Hobby, nao passaram tardes mágicas em praias exclusivas na Grécia, nao fizeram topless numa ilhota isolada no meio do mediterraneo, nao passam tardes lindas a remar  o verao no lago com o marido, nao passam tardes lindas de piqueniques no parque com um Festival ao fundo, nao fizeram cruzeiro nenhum, nao sabem a lindeza que é morar numa  cidade linda e histórica cheia de eventos culturais, arquitetura de encher os olhos- a cidade em si é um museu a céu aberto com tantas esculturas em cada esquina. E os parques? E os museus? Eu amo isso tudo que constitui o meu arredor, enquanto minhas comparadas amigas, vivem o tédio e a monotonia diária.
A K nao faz absolutamente nada com o marido. O lazer dela se resume a ir para a chácara dos sogros fim de semana sim outro também. E eles embora Sem filhos NUNCA vao ao cinema ou jantar fora.
Outro dia vi no Facebook da P que o marido dela  sair a pedalar com Os amigOs enquanto ela fica em casa a cuidar do bebe, isso é uma coisa que eu nao quero pra mim. Eu gosto tanto de fazer coisas juntas com meu maridinho. Entao porque ainda me comparo e me Sinto tao mal por morar nesse micro apartamento, por nao ter filhos e carreira? Eu sou uma gulosa que quer ter tudo e milhares de vezes minha mae e minha psicóloga me alertam: ninguém tem tudo. MUitas Amigas e conhecidas olham minhas Fotos e dizem que minha vida parece coisa de filme. E u aqui, triste porque ainda to apertada no aluguel e sem filhos.

18/04/2013

Borderline Modus Operanti II

Ou a transicao entre o adulto desajustado e o adulto equilibado
(Tudo que eu escrevo aqui se refere a minha experiencia extremamente pessoal. Pode ser que alguns conceitos teóricos sejam influenciados/embasados nos muitos livros e artigos que leio. Leio para me informar e tentar me ajudar. Agora mesmo estou lendo dois maravilhosos trabalhos de Auto ajuda, ambos em alemao, sem traducao para o portugues.)
Como adulto desajustado, eu sou uma Pessoa extremamente tímida, Sem habilidade social alguma, do tipo que no trabalho vai embora Sem dar tchau para os colegas de trabalho. Gente, eu sou tímida o bastante pra ter medo de dizer tchau para os outros! Eu nem falava "oi" para meus vizinhos quando morava com minha mae, numa vila onde todo mundo se conhecia e passam tardes sentados à porta da rua tagarelando e cuidando da vida uns dos outros. Pensa que Fama de antipática eu tinha?!
Também no meu Modus operanti adulto desajustado: eu nao tenho a menor nocao do que realmente fazer da minha vida. Eu tenho um curso superior que fiz nas coxas, com semestres repetidos/ abandondos, trancados/. Aí arrumei um emprego bom indiretamente ligado à minha área, logo arrumei um conflito pessoal com o chefe, ("nao damos, certo, ele me odeia", etc.)
Eu vivia entediada, infeliz, consumida em frustracao, porque tinha ambicoes de um emprego muito mais satisfatório... Mas hoje, no buraco professional que me encontro, olho para trás e vejo que o que abandonei por livre e impulsiva vontade era algo bom, que eu em sä consciencia  nunca largaria sem ter algo garantido pra substituir.
Eu nao fazia nada da vida a nao ser perseguir meu namorado da época querendo mais atencao, mais comprometimento, marcar casamento, etc. Outro dia uma Amiga comentou que ele era um cara ausente, mas qual, eu é que devido à esse medo terrível do abandono do ser amado, sufocava-o com minha carencia estratosférica. Eu podia ter feito tantas coisas naquela época: mas como borderline no modo adulto desajustado, eu me concentro 100% em um único problema e nao consigo fazer mais nada.
Aí a roda da instabilidade gira e o adulto ajustado se apresenta: aí eu queria fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora: ioga, curso de filosofia, natacao, curso de ingles, estudar para concurso, fazer um projeto de mestrado- e me preparar- e ser aceita numa federal da vida para a minha pós graduacao.
Esse momento em que eu me jogava para construir o máximo no mínimo de tempo (tudo já pra ontem) é uma tentativa do border de compensar o tempo perdido nos Modus Infantis e desajustado. Querendo realizar tanto, o Border experimenta o estress, e sob o estress, vem as crises. Mas antes dela, vem uma das melhores fases do relacionamento, ou  a boa fase é a causa do modo ajustado, ainda nao sei bem identificar a causa-efeito nesse modelo circular.
Aí comeca a faze-las todas ao mesmo tempo, se ocupando com outras coisas que nao o relacionamento amoroso em si, nisso o seu par vai ter uma trégua do sufoco, porque voce na fase adulto ajustado é uma pessoa super competente, hiper ativa, multitask, dinamica, flexibel, amorosa, carinhosa, super na cama. É o céu para seu par e ele/a acha que voce ainda tem jeito nessa vida e decide que se voce permanece nesse boa vib, ele/a vai querer passar  o resto da vida contigo...
Mas digamos que o parceiro te ama o suficiente e passa a jogar bem contigo: passa a te dar toda a atencao do mundo, aí voce se desliga desse "problema do medo de ser abandonada" e ver as coisas que deixou de fazer: Quer pedir um financiamento e comprar o próprio ape pra finalmente sair da casa da mae, quer financiar o carro, quer viajar  o país e o mundo, talvez tenha de fazer o mestrado numa particular...Mas o salário só dará para fazer UMA dessas coisas, e inicia-se a angústia de ter de escolher, a frustrante dor de nao poder fazer tudo ao mesmo tempo, porque o border é um desespero em Carne que nao consegue esperar nem seguir uma passo de cada vez. E vem a crise, e as continuas faltas ao trabalho, a depressao, e a mudanca de Modus.

16/04/2013

Momentinhos perdidos


Saio da aula ao meio dia e meia. Tenho de estudar para a prova de amanha, mas estou esperando um chamada importante para um emprego.

Uma vez que estou  (pré)ocupada  em esperar,  claro está que eu nao estudo. Eu nao consigo fazer nada, absolutamente nada, se há algo há ser esperado, entende? Acabo ficando na internet perdendo meu tempo. Nisso, tres horas se perdem. Ah!, Se eu tivesse estudado. Ah! Se eu nao fosse essa pessoa procrastinadora, totalmente sem foco.

Finalmente, a chamada ocorre.  Tenho uma hora pra chegar lá. A entrevista e o processo seletivo duram duas horas.  Tenho cólicas intestinais. Essa gastrite nervosa vai se transformar num cancer. A cada contracao, sorrio. Tenho de me sair bem e conseguir esse empreguinho de merda. Parece que vou conseguir a vaga. È minha única saída.

Ganho uma carona pra casa. Tenho de estudar. Quem sabe agora.

Medo, incertezas e amizades

Certa vez, num outro blog, comentei que eu acho que há mais gente boa que ruim no mundo: choveram comentários de que eu estou enganada, de que a natureza do ser humano é a maldade em Carne devido à nossa egoística personalidade.
Semestre passado eu vivi o Inferno, as crises tomaram conta de mim e eu tive de abandonar o semestre academico, viajei um tempo longo o bastante pra meu marido arrumar uma amante e gastar toda o dinheiro que tínhamos (ele) no cassino e em gamblings...
Fevereiro e Marco foram o clímax dessa crise com o maior surto de minha vida e minha tentativa de suicidio deitando-me na linha do trem no meio da madrugada.
Mas eis que depois de 10 dias no hospital me vi razoavelmente bem, inclinada a controlar esse mal que me aflige a alma, a reconstruir meu relacionamento e aprender a viver e a gostar de viver. Desde entao, tenho encontrado tanta ajuda. Anjos aparecem no meu caminho o tempo todo.
Semana passada, estava chateada porque o limite negativo do banco fora atingido e nao consegui tirar nem dez para ir tomar um café com a Maria. Ela me convidou assim mesmo e me passou uma nota de 50 para eu pagar quando puder!
Hoje, amanheci terrivelmente mal, sentindo me um lixo, fracassada. Os vomitos continuam, mas nao sei se devo ir ao médico porque desconfio que seja mais uma gastrite nervosa. Fui à faculdade. Cheguei um pouco mais cedo e sentei-me a uma mesa da lanchonete. Arrazada porque até agora nao estudei para a prova de amanha, e nao fiz os exercícios que devia para hoje, nao fui à academia, nao tenho meditado, nao faço nada do que devo pra cuidar do meu bem estar e sucesso.
Deliberava mesmo em abandonar de vez esse curso. Mas vou fazer o que da minha vida? Matar-me sempre me vem à mente quando  vejo que nao tenho jeito nessa vida.
Apareceu o Clemente, um dos poucos na turma do semestre anterior que eram legais comigo. Ele estava surpreso em me ver. Pensou que eu abandonara já desde antes o natal. Expliquei-lhe que estou pegando só duas matérias já passadas e que depois do meio do ano repetirei todo o período que abandonei pela metade. Ele conversou amigavelmente comigo, realmente interessado em saber como vou indo. Fui-lhe sincera e expliquei que nao quis mais seguir com a turma porque trata-se de um período terrivelmente estressante e eu nao estou em condicoes de lidar com isso, precisso pegar leve esse semestre e fazer terapia, etc. Ele se despediu me desejando tudo de bom. Fiquei tao tocada.
Aí, chego na sala, a minha Amiga me pergunta se vi o email do Professor, digo que nao- porque fiquei Sem Internet haja vista que nao tinhamos dinheiro para pagar a conta.
Ela me diz que havia um trabalho a ser feito em dupla, mas que ela já  fizera por nós duas! Ela me passa a folha pra eu assinar e me dá uma cópia do trabalho pra eu me inteirar. A gratitude que sinto nao consigo expressar o suficiente em palavras.
Lágrimas me vem aos olhos, tenho vontade de me levantar e ir chorar no banheiro, mas se eu sair abruptamente da sala, vai piorar tudo como no semestre anterior. Olho para baixo, deixo os cabelos cobrirem-me a cara e enxugo as lágrimas que insistem em escorrer! A maquiagem borra-me  cara toda, nada escuto da explicacao dessa matéria que me é tao difícil. O Professor, santamente, finge me ignorar.
Enquanto espero o bus, uma mulher volta a cara para o sol para aproveitar esse solzinho de outono agradável com o ventinho. Queria ter feito uma foto, ela era tao feliz naquele instante com uma coisa simples como esse dia lindo de outono.

15/04/2013

Doente

Fiquei quase uma semana sem internet.
Saí mal numa prova. No dia, eu acordei de enxaqueca e nem mesmo tentei resolver as questoes, apenas assinei meu nome. Argh!
E hoje estou doente de novo. O sábado foi um dia legal, mas daí ontem, depois do almoco, comecei a me sentir mal, estomago zangado, cheio de gases, vomitos. Passei o resto do dia na cama. Nao comi mais nada, só tomei chá de camomila que é uma das melhores coisas pra acalmar o estomago.
Aí hoje, acordei pior, Café da manha, nem pensar, saí para resolver algo e no meio do caminho quase desmaiei. Foi uma luta pra chegar em casa, e mal o fiz, o vomito veio. Vomitei até nao restar mais nada. O bife de ontém estava todinho ainda aqui, indigesto.
Estou com certeza com uma gastrite. Desde o hospital, meu estomago anda queixoso e volta e meia eu tenho dores e indigestao. Mas dessa vez, meu corpo inteiro dói. Minhas pernas, minhas costas; minha barriga dá umas pontadas agudas bem aqui quase no encontro com a coxa.
E eu tenho uma preguiça de ir ao médico. Tenho hrror de fazer endoscopia. E hoje teria uma coisa pra fazer lá na faculdade de economia e às quatro  tenho dentista. Há meses tenho de ir checar esse dente cuja obturacao está meio aberta. Justo agora que marquei uma horário, nao sei se vou poder comparecer.

09/04/2013

De TPM e deprimida

Em dias de tensao pré-menstrual, a instabilidade emocional piora, claro.
Sim, a Border se caracteriza por ter sua sensibilidade emocional muito mais facilmente afetada que as demais pessoas. E porque seria diferente nessa tao fadada TPM?
Pois sim, o grande surto do mes passado se deu justamente na TPM. Esse mes, como estou super medicada, os sintomas foram controlados. Mas nao consegui dormir bem nos últimos tres dias, tenho pesadelos, suo tanto que tenho de me levantar no meio da noite para trocar o pijama e a roupa de cama, porque estao encharcados de suor.
Essa noite,  o sangue desceu e junto com ele uma terrível depressao. Céus, como me é difícil viver em minha própria pele. Auto-estima, como queria ter-te!
Passo horas me olhando no banheiro do espelho,
odiando cada uma dessas manchas que estragam meu rosto,
as marcas de espinhas,
os pelos no rosto.
Por que tenho tantos pelos?
Falta-me o dinheiro para ir à depiladora.
Madruguei e passei horas arrancando o bigodinho com a pinça.
 E esse cabelo? Aff!
E tenho de ir à aula hoje. Professor responderá às dúvidas para a prova da próxima aula. Nem sei se tenho dúvidas, pois ontém nao estudei direito. Nem sei se quero/consigo terminar esse curso, até hoje nunca achei o estágio obrigatório para fazer.
Em dias depressivos assim, tudo o que penso é que eu nao tenho qualquer lugar e chance nesse mundo. Há dias nao pensava na morte, mas essa manha só penso nisso.

05/04/2013

Modus operanti do Borderline- Parte I Modus infantil

Noutro post, falei da minha imaturidade emocional e como isso me leva a comportamentos infantis. Além dos citados, esse comportamento se extende à total ausencia de conexao e atendimento das minhas necessidades básicas: nao tomo água, porque nem reparo que estou com sede; fico horas com fome antes de perceber isso; ignoro os sinais da bexiga para que vá ao banheiro...
Aí, depois de longo tempo das necessidades tentando se fazerem perceber (como uma crianca deixada sozinha em casa, sim?), me vejo com dores de cabeca, irritacao, cansaco, tristeza. No caso de um bebe, ele chora para chamar a atencao do cuidador, näo é? No  meu caso, meu humor muda.
...
Nisso, estamos fazendo terapia. Nao a de casal, mas uma específica para Borderline (DBT) e o marido tem vindo junto em algumas sessöes para aprender também. Ontem, esse tema do infantilismo foi abordado. Confirmei com a terapeuta que essa é sim uma das facetas de minha personalidade.
( o Border tem quatro MODUS OPERANTI:
1)a crianca carente de atencao e cuidado= dependencia emocional, medo de abandono, esperar que o outro resolva seus problemas);
2)o adulto saudável e equilibrado;
3)o adulto evasivo e desajustado;
4)o adulto controlador e punitivo.
Esses quatro Modus operanti podem todos se manifestar ou nao. Eu manisfesto os quatro!
Quando estamos sendo o adulto saudável e equilibrado, geralmente somos adoráveis (por isso pessoas amadas nos amam tanto e tentam relevar os nossos  outros Modus).
O trabalho da terapia é justamente fazer prevalecer o Modus adulto saudável e equilibrado.
Ontem, portanto, tivemos o seguinte diálogo na terapia:
Eu: Sim, é verdade que me comporto como um bebe... às vezes...
ele: pois é, no meio do nada, por exemplo passeando no parque longe de tudo, ela me diz que está com sede/quer ir ao banheiro, etc
eu: Daí, doutora, ele faz uma cara de desanimo e responde mal educado: "e daí? Nao posso fazer nada." mas eu nao pedi a ele que fizesse nada, só comentei o que quero/preciso
ele: nanananinao, ela comenta num tom de bebezinho pedindo pra eu providenciar uma solucao!
Finalizamos a sessao combinados de que ele nao vai interpretar meus comentários como ordem de solucao e eu vou trabalhar o modo como ajo, até me perguntando: porque tenho de comentar isso? Estamos  longe de tudo, consigo esperar mais um pouco caladinha?

04/04/2013

Momentinhos diários

"Palavras nao podem descrever  a dor que eu Sinto quando nada Sinto"

" Um border é ninguém sob muitos alguéns"
" Onde nesse mundo tem um Lugar onde essas lembrancas e esse sentimento que eu tenho nao possam me alcancar? Momentaneamente procuro esquece-los, ignorá-los... O que mais poderia eu tentar? E Agora?"
Domingo de Páscoa com família toda reunida na casa da tia-madrinha do marido. Minha sogra, sogro, cunhados, mulher e filha de um cunhado, marido e eu viemos todo para cá. Ao chegarmos, brindamos o dia com um vinho rose, todos se cumprimentaram e se abracaram (essas duas  famílias sao como de comercial de margarina e afins). Depois, sentamo-nos para comer.
O tio faz na  Páscoa uma deliciosa comida asiática; de entrada, uma sopa de cogumelos silvestres e palmito de bambu; o primeiro prato, um frango desfiado ao molho sweet and sour; o segundo prato, fritado adocicado com cebola roxa caramelada. De sobremesa, bolo cheese cream e torta sacher.
Por causa dos remédios, nao posso beber. Arrisquei-me ao rose inicial, mas logo segui só com suco natural.
Trocam-se  presentes, os chocolates infinitos recebidos de diversas pessoas, cujas calorias nunca me ajudaräo a emagrecer. Minha sogra decidiu-se bem: ao invés de um ovo de páscoa, me deu uma bromélia linda vermelha vinho- na mesma cor da blusa chique que estou usando hoje ccom flor no cabelo também da mesma cor.
Vermelho vinho passa bem comigo. Um toque super dramático. Minha querida Amiga riu do ursinho degolado, segundo ela, um gesto super passional e dramático tipíco de gemininiano. Geminiana, filha de Oxum, borderline. Essa sou eu: uma tempestade Monsoon nas palavras dela.
Carreguei na maquiagem, especialmente em olhos ultra contornados. Quando nao estou muito bem mas me arrumo super, todo mundo fica feliz, porque é isso: todo mundo quer se livrar do abacaxi. Eu pretendo que estou bem, eles pretendem que acreditam e todo mundo tem um dia legal. Ontem, dobrei na dose do rivotril e no truxal para garantir que eu nao ía surtar quando eventuais comentários sobre meu  último surto.
Naquele surto, entre outras loucuras, peguei uma mala e coloquei TODAS AS ROUPAS do meu marido. Esvaziei o guarda roupa dele, a máquina e o varal, enchi malas e mandei pra doacao. Ele ficou só com a roupa do corpo. De forma que ele tem de comprar um guarda-roupo novo à medida que vai precisando. POrtanto, hoje ele está elegantemente vestido numa roupa nova. A tia comentou, me deu medo de que fossem falar das minhas loucuras, me adiantei e falei em Tom de Humor "sim, sobrou-lhe somente a roupa do corpo, que ele teve de pagar a multa..." a tia e a sogra gostaram da piada e ficaram um tempo nela, descontraiu-se.
Mais tarde, liguei para minha  mum. Fiquei um tempo sozinha lá no quarto de hóspede.
Chegou mais gente na casa, desci e encontrei a mesa cheia. Nao sabia onde sentar. Meu marido e o irmao estavam na sala vendo futebol, fui ter com eles. Esqueci o drive da Internet, tive de atravessar a sala de jantar de novo para ir até o Quarto... Sinto constrangida de passar onde estao e ser o objeto do olhar alheio. Eu tenho horror de ser o objeto do olhar alheio em situacoes em que acho que vou ser julgada a Freak.
Passei a escrever esse post para ter o que fazer, o jogo acabou, marido e cunhado seguem pra onde estao reunidos, eu to com vergonha de ir pra lá. Odeio ser esse ser Sem habilidade social.
...
Meu marido volta à sala de tv, baixinho me chama para ir pra sala de estar me juntar aos outros:
-uai, eu vim pra cá porque voce estava aqui vendo futebol. daí voce saiu e me deixou aqui sozinha!
-Bom, eu tava aqui vendo só jogo que acabou, portanto, fui pra lá!
Ele se senta perto de mim, continuo escrevendo. Porque estrago tudo? Ele fica lá parado me olhando escrever, temeroso de que eu vá comecar a chorar do nada aqui ou queira ir embora do nada (o que nao seria possível porque viemos no carro dos meus sogros).
A sogra espia pela porta de vidro, e vem até nós e nos salva:
-Bora pra lá, meus filhos, vamos beber uma rodada de schnaps. Levantamo-nos e  nos juntamos aos outros, Sem drama- por hoje!
Um dia de cada vez!

03/04/2013

Montanha russa emocional

Se tem uma coisa que eu nao sou, é emocionalmente madura.
Eu nao tenho maturidade emocional nenhuma. Eu sou como a musica da Cassia Eller (Uma garotinha esperando o onibus da escola... que ainda nao aprendeu a amar (como adulto))
Mas a ficha demora tanto a cair. Passei doze anos da minha vida em relacionamentos avassaladores nos quais meus namorados eram levados ao limite da tolerancia com minha vida emocional  no modo montanha russa. Ouvi milhares de vezes que sou mimada/birrenta/ milindrosa... e tudo isso depois dos vinte!
Aí, um dia  apareceu um anjo. Que logo se materializou no tao sonhado  Amor Perfeito: infinitamente dedicado, infinitamente paciente, infinitamente doce, infinitamente cuidador, infinitamente equilibrado emocionalmente.
Gentil e docemente, meu marido se acostumou a fazer muita coisa por mim, mas volta e meia, antes de executar algo, ele dizia:  voce é como um bebe! Por isso que eu te chamo de my Baby, porque voce é tao frágil.
Cuidador! Gente, tudo que alguém emocionalmente saudável nao quer: ter de ser uma babá do ser amado.
Eu, de verdade, me comporto muitas vezes como um bebe: minha mochila ou mesmo bolsa tá sempre pesada e ele tem de carregá-la pra mim. Mal saímos de casa, eu: to com fome/ quero ir ao banheiro/ to cansada/ nao to gostando-quero ir embora/ emburro por qualquer frustracao.
Em crises de depressao, ele tem, depois de chegar em casa do trabalho, de pegar na minha mao pra eu me levantar, insistit para eu escovar os dentes, trocar meu pijama, ir da uma caminhadinha no parque porque vai me fazer bem. Aí, ele que trabalhou enquanto eu passei o dia toda na cama, tem de lavar a louca e cozinhar. (Quem tem filho, dá pra reconhecer claramente que ele desempnha a funcao materna, sim?) Será que minha mae nao cuidou de mim, esse é meu Trauma?
Comporto me como menina mal educada, tipo: estamos visitando os pais dele, estamos à mesa bebendo, jogando baralho, etc, pode ser que alguém diga algo algo tao banal e tenue que para ninguém significa nada, mas me fere os sentimentos, eu me levanto, sem falar nada, vou para o quarto e fico lá horas emburrada.
Nessas saídas, as pessoas pensam que eu fui ao banheiro, mas como eu nunca volto, meu marido vai lá me ver e me encontra com o humor estragadíssimo por causa de algo normal dito, mas que eu levo muito pessoalmente, ou porque interpretei uma olhada como crítica implicita a mim.
O fato é que minha sensibilidade emocional é de níveis estratosféricos.
Esse é um post pré programado. È Quinta feira, estamos na estrada para passar o fim de semana do feriado com os pais dele. Combinamos uma coisa: nao se falará da crise monumental, ele nao vai narrar detalhes escabrosos de como agi, mas pode faze-lo se quiser - quando eu nao estiver presente. E ele me pediu para nunca abandonar o Ambiente infantilmente como eu  to acostumada: que eu pretenda que recebi uma mensagem e diga que minha mae/irma/ sobrinha está on line e eu preciso me ausentar pra skypear com elas

01/04/2013

Os conselhos recebidos II

Mas nao seguidos.
Falei aqui dos sábios conselhos recebidos, mas houve uma centena deles, cada cabeca uma sentenca, já diz o ditado. Pois, além dos conselhos citados no post anterior e pelos quais me sinto muito feliz e as pessoas que me deram-nos sao por mim muito admiradas, sao lindas e sábias além de amigas de verdade para toda hora.
De outras cabecas, recebi conselhos por assim dizer um tanto couriosos: uma disse que eu devia apimentar mais minha relacao, que ela ia passar aqui no fim de semana para irmos à sexshop comprar todas as fantasias possíveis: de enfermeira, diaba, empregada.. Que as pernas e o bumbum dela estao sempre abertos para o marido qualquer que sejo o humor ou situacao dela, o marido sempre vai achar em casa pra comer, nao precisando comer buceta fora...
De outra, a la anos cinquenta, ouvi que a culpa é minha porque eu sou assim por demais displicente: eu nao passo roupa; se nao estou com vontade, eu nao cozinho; minha casa nao prima pela limpeza a brilhar como um brinco de diamantes...
Enfim, segundo essa pessoa que me é muitissimo próxima e querida, eu deveria ser melhor dona de casa a fim de garantir a fidelidade no casamento. Engracado é que meu pai saiu de nossas vidas (minha mae é obcecada com limpeza e vive para cuidar do lar e da família) pra se juntar a uma mulher porca e preguicosa e ele sempre foi muito melhor pra ela e as filhas dela do que pra nós.
Eu sei muito bem que homem nao liga muito pra limpeza (há excessöes, claro) e quando a maioria deles quando mora sozinhos, nao cozinham, mas vivem de pedir pizza e comida chinesa.
Quem me deu esse conselho acima é muito bem intencionada e até está fazendo campanha na igreja pra minha crise sarar logo, obrigada querida, mas ela, veja bem, é vítima do machismo e nem se dá conta: outro dia, o marido dela tava desempregado e ela tava sustentando a casa sozinha. Num domingo, a convidei para ir ao clube e ela disse que nao poderia porque teria de lavar roupa (nao tem máquina) e arrumar a casa. "Ora, retruquei, seu marido passou a semana inteira  fazendo nada enquanto voce trabalha, ele deveria ter lavado roupa: quem fica em casa cuida do outro que está a trazer  dinheiro. Pois pegue aí umas roupinhas suas e da menina e lava lá na máquina de  sua mae enquanto  vamos nadar e  deixe as do seu marido pra ele mesmo lavar  e aprender"
Outra conselheira recomendou mais extremo  ainda no controle dos acessos à internet dele: que eu chame um técnico para me ensinar a ver o histórico de navegacao mesmo depois de apagado, que parte do processo de reconciliacao inclua-me o direito de controlar a conta do telefone dele e todos os acessos virtuais via celular também. Ou seja, se meu marido deve viver num Big Brother, sendo controlado o tempo todo para eu garantir a fidelidade.
Nessa mesma linha, outra me disse que a culpa de ser traída é minha: porque onde já se viu, mulher viajar sem o marido, coitado, deixando-o sem ninguém para cuidar dele. Tadinho é incapaz de cozinhar e limpar por si mesmo e nao pode viver sem sexo por seis semamas.
Enquanto durar um casamento a liberdade e a individualidade serao banidas para sempre.
E voce, já foi traída? Perdoou? Quais conselhos recebeu?