Eu vivo uma vida de solidao. Vejo na academia casais malhando juntos e desejo que eu tivesse alguém pra malhar comigo: uma amiga ou meu marido. Eu nao tenho ninguém.
Outro dia, depois de ir à agencia de emprego, parei numa confeitaria, tomei meu cappucino com minha torta de chocolate extremamente sozinha ao som barulhento de umas seis mulheres que ali se reuniram para bater papono mesmo instante que eu tentava livrar-me de minha solitude. Tentei nao me aborrecer com o barulho alegre delas, enquanto direcionava meu olhar para as pessoas e movimento da movimentada esquina de duas avenidas.
Na minha solidao, leio livro e escuto o áudio do mesmo para aprender alemao.
Estou lendo no momento a traducao para o alemao de Ines del alma mia, de Isabel Allende. Eu nao li o original nem a versao em portugues, mas estou entendendo tudo na versao alemä e tenho me emocionado. Ines, uma heroína feminista em plenos anos de 1500! Wow!
Acabo de ler uma mensagem no grupo borderline do Facebook de alguém que diz " eu nao tenho talento nenhum"... É Assim que me Sinto também. Ironia da vida, eu sempre fui Boa aluna, tirava Notas altas, aprender para mim sempre foi entretenimento. Mas na época do vestibular, eu nao tinha idéia de qual seria a carreira da minha vida. Desde a adolescencia, comecei a delinear meu futuro como jornalista. Mas aí, sou pequena e morena com nariz e cabelo afro- na TV Brasileira nao há chance para afrobrasileiro: todo mundo é branco europeu (há excessoes, o que confirma a regra) além disso, pelo meu tamanho Mignon, associado ao fato de que nao passei no primeiro vestibular, me convenceram de que eu deveria escolher outra carreira. Mas eu nao tinha idéia. Tinha umas vontadezinhas de tentar filosofia e sociologia, ou letras...
Perdida, surtada, sem fazer nada, acabei indo fazer um curso tecnólogico. E Agora estudo outra coisa mas provavelmente vou largar esse também.
Se eu pudesse voltar no tempo, teria feito letras e também sociologia. Eu teria sido uma ótima professora de redacao e literatura. Ainda que esse blog seja uma coletanea de erros ortográficos, acredite-me: outrora eu fui um primor. Minhas redacoes eram sempre retidas pelos professores para servir de exemplo em aulas futuras. E na adolescencia, sofrendo amores platonicos e bloqueada pela falta de Auto estima, eu escrevia poemas maravilhosos o tempo todo. E divivia meus dias de solidao lendo os de Cecilia Meireles e Cora Coralina.
Mas eu mudei. Anos se passaram. Sou uma adulta envolta em nebulas de angústia e solidao.



