Entrou na vida da menina quando ela tinha nove anos.
Era uma tarde quente de um dia que talvez fosse de férias. Ou devia ser um fim de semana, pois a mãe estava em casa. Naquela exata tarde, a mãe foi tomar café na casa da vizinha. As amoreiras estavam carregadas. Cada criança tinha seu próprio pé de amora assim como outras árvores frutíferas, pois mãe trabalhava na superindencia de parques e jardins da cidade e trazia mudas. Um para a irmã mais velha, outro era do irmão e o mais bonito era o da menina, que sempre teve dedo verde.
Era uma tarde quente de um dia que talvez fosse de férias. Ou devia ser um fim de semana, pois a mãe estava em casa. Naquela exata tarde, a mãe foi tomar café na casa da vizinha. As amoreiras estavam carregadas. Cada criança tinha seu próprio pé de amora assim como outras árvores frutíferas, pois mãe trabalhava na superindencia de parques e jardins da cidade e trazia mudas. Um para a irmã mais velha, outro era do irmão e o mais bonito era o da menina, que sempre teve dedo verde.
Naquela tarde ensolarada, o irmão da menina subiu no pé de amora que pertencia a ela. Sacudiu os galhos, ela ía recolhendo as frutinhas pretas que caíam no chão. Como o irmão era forte, umas poucas sacudidelas renderam bastante amorinhas para encher o copo do liquidificador. A menina estava muito contente: ia pedir à mãe que fizesse um delicioso suco.
Mas irmão e irmã não concordaram com a idéia. Roubaram-lhe a jarra e foram distribuir as frutas entre a criançada da rua.
A menina, muito chateada foi procurar a mãe.
- Mãããããe, snif, ele, snif pegou as amoras do meu pé (de amora) e deu para os outros, Buá buá... eu queria tanto um suco,
- Menina, me deixa de ser chata. Não posso ter um minuto de paz! Vá brincar. Deixa de criar caso por nada!
- Mas mãããããe! Eram minhas amoras. Buá.
- Minha filha, daqui a pouco vocês colhem outras amoras e eu faço um suco, tá bom?
- Tá bom nada, mãe. As amoras eram minhas, eu cuido tão bem do meu pé. Nunca deixo de agoar, por isso minhas árvores dão muito mais frutas. Buá, eles roubaram tudo de mim.
-Oi, psiu. Disse o velho de cabeça branca, muito alto, de pele rosada. Tal feitura lhe rendeu o apelido de alemão. "Psiu, menina linda, chora, não, Vem cá no tio. Que foi?"
A menina conta a estória aos prantos. Dramalhona que só ela.
- Pois acabou-se o motivo do choro. Toma aqui esse dinheiro, compre lá uns pacotinhos de suco, faça várias jarras e tome o que quiser com suas amiguinhas.
O desconhecido enxuga as lágrimas da menina. Pronto, está contente agora? Vai lá. E o que sobrar de troco é seu, viu? Compre balinhas para adoçar essa carinha.
A menina vai.
Mais tarde, o alemão, como quem nao quer nada, dá uma passadinha para ver como vai a menina. Experimenta o suco. Toma assento. Conversa vai, conversa vem, fica para jantar. Já está tarde, fica para dormir. Durante nove anos. Com a mãe e as filhas.