Então, passando o dia comigo nas cachoeiras e trilhas, amiga pensara que eu estava bem, feliz até! Ledo engano. Nos momentos de certo alívio, em que pareço bem, são dos momentos mais perigosos: porque naquele momento de alívio, a mente tem a capacidade clara e fria de raciocinar e saber: esse momento bom de serenidade vai durar pouco. Muito pouco. Efemeridade que logo será substituída pela onipresente angústia eterna.
Nem tento mais agarrar essa efemeridade, tentando com que ela permaneça. Qualquer dia morro, espero que não demore muito. Já que viver me é uma dor. Se pelo menos coisas boas tivessem acontecido. Mas qual. Quase dois meses e nada concreto:
-zero entrevista de emprego (exceto uma, em que fui incrivelmente esculachada pelo entrevistador cruel e sádico);
- Centenas de brigas em família;
- Conflito odioso com a mãe;
-Desespero pra arrumar logo um trabalho e sair da casa DELA;
Marido veio me visitar. Passeamos juntos. Nada foi nem mesmo conversado em como vai ficar a nossa história. Agora, ele volta pro país dele, pro emprego novo dele, pra terapia dele.
Eu tenho de arrumar um emprego. Tenho ainda cinco mil reais, quanto tempo vai durar? Antes desse dinheiro acabar, se não estiver empregada, terei de vender o carro. Há três semanas estive me sentindo ótima, mas logo passou. Culpa plena: nunca mais fiz as coisas a que me propus para cultivar a minha sanidade emocional. O chamado para me reconciliar com tudo e com todos ficou para piada de humor negro.
Se pelo menos minha mãe não fosse a neurótica que é, eu estaria num ambiente mais propício para eu equilíbrio. Ou se eu tivesse mais compaixão, eu não a odiaria por ser como é.
Meu marido até chorou num dos dramas enormes que rolou. E, pior, ele disse que eu sou igualzinha a ela.
A morte, eu me odeio, porque tudo o que eu queria ser era diferente. Mas com ele, nem nosso lar, eu era diferente: eu não sou essa louca que inferniza todo mundo ao redor por causa da casa, não fico a gritar ordens às pessoas como se elas fossem escravas, não banco a estraga prazeres...
Ora, ela não tem amiga nenhum, ninguém a suporta enquanto eu sempre fui tida como simpaticíssima, sempre muito bem vinda e querida em qualquer sociedade/grupo que me aproxime.
Que sou ser igual ela, porque ele disse isso?
Nenhum comentário:
Postar um comentário