05/06/2014

Se Madalena eu fosse

Se pudesse perdoar... Porque o amor que sinto ainda é o mesmo, senão mais forte, pois que  a perda aumenta o valor. Mas paralelo ao desejo de perdoar: a angústia de ceder, de aceitar, e de acreditar que sem a devida lição ele faria o mesmo sempre. Como os rios que não se misturam. Sentimentos da mesma substancia, mas tao distintos que não se podem fundir.
Porque a vida inteira critiquei as mulheres que fazem papel de bobas, que se deixam enganar e perdoam infinitamente... Ah, mas eu as entendo agora, pois também só queria perdoá-lo. Parti para dar-lhe a lição, mas a pena maior quem recebe sou eu.  Se pudesse, faria como Madalena, que perdoa sempre. 
Na tela da poltrona a frente, no meu voo de volta a casa, assisto a um filme muito emocionante. Anjos e demonios, (Winters Tale). Cada um teria um milagre aqui na terra. E o narrador do filme me esclarece: amamos para salvar.
Para salvar. Não foi esse meu amor com ele o salvamento maior meu e dele de nossas respectivas carencias e solidão? Não temos nós dois exatamente uma capacidade infinita de amar o outro? Deus, como o amei e como fui lindamente amada.
Ah, se borderline eu não fosse e pudesse ter controle sobre minhas emoções. A fúria de ter sido enganada, o ódio de mim mesma por não ter percebido. E, ao mesmo tempo, da mesma substância, mas comos os rio negro e solimões, correndo paralelamente,  o sentimento de verdeiramente amor: eu o entendo, abandonei-o várias vezes- fora as inúmeras ameaças de ir embora; ele sozinho, coração partido pelo abandono, buscou refúgio.

Eu mesma não agia assim antigamente com F? Era M.A. partir, eu me sentia arrazada pelo abandono e me lançava em braços de Chico. Oh Querido, eu o entendo e o perdoo. Não pude ficar, pois a dor de ir contra meus princípios é de uma agonia infinita. E minhas crises de ciúmes me tornavam cada dia mais insuportável. 
Eu não tenho paciência com pessoas insuportáveis.

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