Se pudesse perdoar... Porque o amor que sinto ainda é
o mesmo, senão mais forte, pois que a
perda aumenta o valor. Mas paralelo ao
desejo de perdoar: a angústia de ceder, de aceitar, e de acreditar que sem a
devida lição ele faria o mesmo sempre. Como os rios que não se misturam. Sentimentos da mesma substancia, mas tao distintos que não se podem fundir.
Porque a vida inteira critiquei as mulheres que fazem papel
de bobas, que se deixam enganar e perdoam infinitamente... Ah, mas eu as
entendo agora, pois também só queria perdoá-lo. Parti para dar-lhe a lição, mas
a pena maior quem recebe sou eu. Se pudesse, faria como Madalena, que perdoa
sempre.
Na tela da poltrona a frente, no meu voo de volta a casa,
assisto a um filme muito emocionante. Anjos e demonios, (Winters Tale). Cada um teria um
milagre aqui na terra. E o narrador do filme me esclarece: amamos para salvar.
Para salvar. Não foi esse meu amor com ele o salvamento
maior meu e dele de nossas respectivas carencias e solidão? Não temos nós dois exatamente uma capacidade infinita de amar o outro? Deus, como o amei e como fui
lindamente amada.
Ah, se borderline eu não fosse e pudesse ter controle sobre
minhas emoções. A fúria de ter sido enganada, o ódio de mim mesma por não ter
percebido. E, ao mesmo tempo, da mesma substância, mas comos os
rio negro e solimões, correndo paralelamente, o sentimento de
verdeiramente amor: eu o entendo, abandonei-o várias vezes- fora as inúmeras ameaças de ir embora; ele sozinho,
coração partido pelo abandono, buscou refúgio.
Eu mesma não agia assim antigamente com F? Era M.A. partir, eu me sentia arrazada pelo abandono e me lançava em braços de Chico. Oh
Querido, eu o entendo e o perdoo. Não pude ficar, pois a dor de ir
contra meus princípios é de uma agonia infinita. E minhas crises de ciúmes me tornavam cada dia mais insuportável.
Eu não tenho paciência com pessoas insuportáveis.
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