Chegou a casa. Encontrou uma mae e uma irma em estado infinito de alívio ao ve-la. Haviam-na procurado a noite toda. Deram parte na policia de seu desaparecimento, e lá mesmo souberam que ela passara por ali.
Também na busca vieram a saber de seu desfalecimento em praca pública. No desespero da mae, apareceu uma mulher generosa que em pouco tempo recolheu um monte de doacoes alimenticias e até dinheiro para a mae pagar as contas de agua, luz e afins.
Menina nem mesmo sabia ao certo o que acontecera com ela. Nao falara da carta para ninguém. Dormiu o dia todo. Às seis da tarde, uma semana depois, ligou no número que constava na cartinha improvisada num papel de embrulho.
- Alo?
-Oi, sou eu. Voce me deixou uma carta naquele dia de manha. Parece que voce me acudiu. Estou ligando para agradecer
-Já estou quase chegando em casa. Eu moro no outro lado da cidade. Moro com minha irma. Contei de voce para ela. Ela está terminando a comida. Vem jantar aqui com a gente, ela quer muito te conhecer. Ai, que bom que voce ligou, meu bem! Senti muito sua falta. Nao paro de pensar em voce um minuto.
E menina foi. Um barracaozinho num cortico ocupado mais por nordestinos. O cubilo do Mazinho e da familia de sua irma conseguiam ser mais fétidos e caqueticos do que o cortico onde menina morou na primeira infancia. E era mais confuso e triste do que o barracao sem piso nem reboco nem janelas apropriadas onde menina cresceu. Ali nao devia morar ninguem. Eram os fundo de uma garagem ou depósito.
Apesar do triste lar, o Mazinho e sua irma eram adoraveis. E encantados com menina. Fizeram questao de lhe dar o peito do frango, lhe ofereciam suco e tudo o mais. Enternecida ficou, mas era asfixiante, quis ir logo embora dali.
- Adorável de sua parte, mas eu nao posso dormir aqui. Eu tenho, quer dizer, eu tinha uma passagem comprada para Araguaína amanha Vou visitar meus irmaos por parte de pai pela primeira vez. Dois deles eu nunca vi. Nao sei como vou fazer, voltei à delegacia e fiz um adendo ao boletim de ocorrencia, pois a passagem estava na minha carteira furtada.
A viagem é por meio de uma agencia de excursao clandestina. Mesmo sem nenhum documento, ela foi lá e convenceu a mulher a deixa-la embarcar.
Nas duas semanas que passou no Tocantinhs, Mazinho ligou todos os dias para ela. Como sempre a mae dela atendia e dizia que ela ainda nao voltara.
Para voltar, o meio irmao lhe pagou a passagem e a cunhada lhe preparou um lanche para comer nas 14 horas de viagem.
Logo no inicio da viagem, sentou-se ao seu lado um desses tocantinenses que tem tipo indigina, essa pelo moreno vermelha linda, o cabelo preto lustroso e macio e ainda por cima um corpo definido- exposto ali no apertadojeans lavado de marca e na camiseta babylook. Um look totalmente de qem curte sertanejo, um tipo que geralmente nao atraía menina, que odeia sertanejo.
O rapaz cheirava bem. Nao fumava, e estava acompanhado do lindo filho que sentado na poltrona de frente dele se virava a casa segundo para dizer algo ao pai. Menian sempre achou lindo pais que cuidam dos filhos. Ele era tao atencioso com o menino.
-Cade sua mulher?
- Tenho mulher nao. Meu filho mora com a mae dele lá em Araguaína mas vem passar as férias aqui comigo.
-Ah.
Foi só anoitecer e eles comecaram a se beijar tao calorasamente que o povo no bus inteiro ficou encabuldo em como um casal ja casado assim há tempo, com um menino de cerca de sete anos, podia ainda ter tanto fogo mesmo em público.
Namoraram a viagem inteira, ele também se apaixonou, firmaram ali mesmo namoro: ele era mestre de obras em Brasilia e iam ter um namoro a distancia com encontros no fim de semana. Um eu venho, no outro voce vai.
Mazinho nunca mais foi atendido ou recebeu uma ligacao de menina. Pra ele, provavelmente permanecerá pra sempre na memória a menina em transe que é mais perfeita do que a perfeicao na cama.
Para Menina, fica ainda hoje o choque de ter transado menstruada com um total desconhecido e o alívio por sair ilesa, sem nunca ter tido uma DST.
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