Às tres da tarde, já é escuro, quase noite.
Um silencia.
Nem mesmo o ronrronar do gatinho. Onde estará ele hoje?
Um silencia.
Nem mesmo o ronrronar do gatinho. Onde estará ele hoje?
Escuro e solitário, Menina nunca foi tao sozinha nessa vida.
Pela manha, foi ao trabalho. Dá bom dia, recebe ordens, ouve elogios quando acerta, ouve desaforos quando erra, e só. Em seu expediente, a comunicacao se resume a isso.
Chegou do trabalho. Comeu. Foi dormir.
Comeu uma enorme porcao de lasanha hoje.
Já está gravidíssima.
Bem conhece várias mulheres que engordaram 30 quilos na gravidez e nunca conseguiriam emagrecer.
Mas vai manter a forma para quem?
Hoje entende as pessoas que chegam a 300 quilos. A vida é uma bosta.
Comeu uma enorme porcao de lasanha hoje.
Já está gravidíssima.
Bem conhece várias mulheres que engordaram 30 quilos na gravidez e nunca conseguiriam emagrecer.
Mas vai manter a forma para quem?
Hoje entende as pessoas que chegam a 300 quilos. A vida é uma bosta.
Às 16 horas, acorda e desce para comer de novo. Fome. Mas nao quer comer nada do que tem na geladeira. Ganhou do maridinho abacates caros que estao a se perder na cozinha. Olha para eles e deseja outras coisas. Queria comer um pastel, uma pamonha ou uma coxinha, a musse de maracuja da irma mais nova, ou o frango cozido no fogao à lenha na casa da irma mais velha, ao som da alegria das criancas sendo felizes numa pureza infinita. E gente reunida pela casa cheia. E a tapioca que a mae só se anima muito raramente a fazer...
Saudade do povo.
E aquela diversidade de vitaminas feitas na cantina daquela empresa grande? Mais de dozes anos se passaram, ainda se lembra dos sabores de lá.
Saudade do povo.
E aquela diversidade de vitaminas feitas na cantina daquela empresa grande? Mais de dozes anos se passaram, ainda se lembra dos sabores de lá.
E das amizades. Eram tao legais. Partiu e fez amizades por onde quer que tenha ido, exceto dessa vez. Dessa vez, nao fez uma amizade. Sabe que quando nao se pode ter algo, tem-se de aprender a viver sem isso, sempre o conseguiu. Sempre se superou. Mas nao consegue viver nessa bolha.
Pega comidas incombináveis e vai comer na poltrona da sala de estar. Come olhando para a arvore de natal instalada toscamente no terraco: marido pegou o pinheiro cultivado num vaso, o enfeitou com as luzinhas e o colocou sobre um carretel que aguarda ser pintado para virar móvel do novo ambiente a ser criado próximo ano no jardim. Com o timer, ninguem nem precisa se ocupar de ligar e desligar.
Esse ano está sem qualquer espirito festivo. Nao buscou a caixa de itens natalinos no porao, nem fez as guirlandas de porta e do advento. Nao decorou nada.
Nao mandou presentes nem cartao para ninguem do Brasil. Sempre faz questao de mandar, porque sabe da alegria da mae e da sobrinha, quando chega o carteiro.
Menina come nem sabe o que, porque o gosto é como se comesse papel. Nem se alimenta, só enfia comida boca a dentro, porque nao tem nada para fazer. Ve que a arvore está assimetrica no ambiente, a mesa sem forro; que feiúra! Mas nao vai consertar. Tem até mesmo um impulso de ir lá e destruir tudo. Está tudo triste, feio e escuro mesmo.
17 horas. Conutinua comendo. Do chá ou suco que preparara nem prova.
17 Horas. Devia ir se arrumar para ir à aula. Nao vai hoje de novo.
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