25/10/2017

Tres meses

As grávidas sofrem de pressao alta. Sim claro, porque grávidas  nao sentem gosto de nada! 
Nunca fui de polvilhar um salzinho a mais no prato. Irrita-me quando fazem isso com a comida que cozinhei. Eu sei,  acham minha comida sem sal. Na verdade, eu, minha mae e minhas irmas cozinhamos lindamente, usamos tanto tempero. Amo nossa comida. Mas, tem gente, tipo marido, que mesmo sem provar, já salpica  o prato.

Desde mes passado, venho sentido gosto de nada e aderi ao horroroso hábito dele de salgar o prato. Mas depois da primeira colherada.
Além da falta de paladar, também me ocorreu coisa que nunca imaginei: nao posso ver café. Há dois meses, minha cafeteira foi desativada por tempos indeterminados. E, no trabalho, quando passo perto daquelas máquinas de café automáticas, me vem o vomito na hora.
Eu, que bebia café até sete vezes por dia.

Desde junho, o blog ficou esquecido. Nem a senha lembrava mais, tive de pedir outra.
Deveria ter começado o TCC. Mas fui curtir o verão, nadar, remar, subir montanha, ficar simplesmente horas deitada na rede estendida na varanda a tarde inteira de pois de chegar do trabalho.
Fui à capital visitar lindas amigas e a melhor cidade do mundo. Ah se eu pudesse.

O outono chegou e com ele a vida ao normal: trabalho de manha, dormir à tarde, aulas à noite. Minha vida resume-se literalmente a isso. Fim de semana, se estou mais ou menos bem, estudo, senão, somente durmo, durmo, durmo. Certeza que eu era um gato ou urso polar noutra vida.
A casa, uma sujeira! Que Menina Borderline não é dessas super mulheres poderosas que conseguem cumprir jornada dupla e ainda ter uma casa brilhando.

A vida seguia seu ritmo entendiante.
Mais deprimida do que nunca, mas estranhamente, seis meses de emprego novo sem nunca ter faltado um dia. Um atestado médico sequer. Apesar das diversas dores e doenças psicosomaticas, já estava se acostumando a seguir a onda, ir levando. Viver de verdade, nem sabe o que pode significar. Existência, apenas.
Fala disso com a terapeuta semanalmente, que acha. "Menina, você ainda é nova. Larga esse marido, vá reencontrar sua autonomia, se redescobrir e encontrar um novo amor".
- Você não entende, é justamente essa loucura de "encontrar o amor" que me trouxe a esse estado zumbi de existência. Porque eu não tenho vida própria. Eu não deve ter ficado nem dois meses da minha vida sozinha. Acho que eu sozinha comigo mesma não posso".
Já nem mais lembrava da ideia de  tentar engravidar. Sexo continuava raro e raso por aqui. Meados de agosto, rolou uma rapidinha que eu nem sentiu.
Meados de setembro começaram os vômitos, as náuseas, os enjoos.

E gravidez fez Menina contente? Que nada. Tem mais pensamentos suicidas que antes.
Bem que a terapeuta, doida varrida que diz tudo o que pensa, avisara:  "Sei não, assim, desequilibrada, a maternidade não parece ser apropriada".
- Mas, tem gente supostamente super equilibrada e normal que como mãe são uns capetas. Tem muita gente infeliz e perturbada mesmo tendo nascido em "perfeitos ideais".
- É verdade, teve de concordar a terapeuta.

Em agosto, dia 17, a Concepcion desse filhote de borderline sem nocao.

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