Nao, nao largou tudo e foi embora para buscar a felicidade. Até porque, há muito TEMPO, já perdera a esperanca de que uma dia seria feliz.
Partiu, simplesmente.
Fugir, talvez...
Tediosa vida que vinha levando.
Vivendo emocoes nenhuma.
Menina sempre parte.
Incomodada se sentiu, partiu.
Queria nao ter partido das outras vezes.
Perdeu tanto, outroras
Mas dessa vez, tinha nada para perder.
Livre como um passarinho, partiu.
Em busca de novos veroes.
Quanto ao novo namorado, bem, se uma dia disse à irma que ía sem nenhum sentimento, expressou-se mal: nunca haviam transado, mas tinham ficado e houvera a química.
Menina nao dorme com ninguém se nao houver essa misteriosa química. "Mas e os sentimentos?" insiste a irma em saber.
"Amor?" Bem, irma, menina desconfia que ela nem saiba o que é o amor. Os dois únicos longos e duradouras relacionamentos que teve foram pautados por paixoes avassaladoras. E menina anda mais calma agora, menos surtada. E essa mesma forca que a faz surtar é que a faz amar loucamente. Menina nao sabe se viverá outra paixao avassaladora.
Ele é diferente de tudo que já viveu. Ele é hiperintrovertido, praticamente nao tem quaisquer amizade, exceto os companheiros para as práticas de seus esportes e hobbies: o esqui, o ciclismo e o motocross. Tem uma oficina completa e passa horas lá remontando as motos que compra. Tem 45 anos e nunca morou com namorada. Há dez anos, construiu essa casa enorme para casar, mas descobriu que era traído e desistiu do matrimonio. Saiu da casa dos pais mesmo assim. Há uma década, deixa toda a roupa limpa amontoada no sofá, ignorando guarda-roupas e comodas nos tres quartos e corredores. Deve ser um choque para ele ter o modo de vida ultraindividualista invadido assim de repente. E repensar a questao do matrimonio - já disse à mae, que se for com menina, já mudou de idéia: pretende novamente se casar.
Ele está gostando da menina. Já havia se apaixonado à primeira vista. Agora está encantado. Quer que menina goste dele, e da casa, o bastante para ficar. Porém, como socializar nao é com ele, e o relacionamento com os vizinhos se resume a um educado cumprimento ao passarem uns pelos outros, menina até agora nao foi apresentada a ninguém. Só saem de casa para ir ao supermercado, ou à casa da sogra para tomar café e comer bolo ou almocar. Nisso, ele aproveita para ler o jornal que o pai assina.
Ah, outro dia foram ao Happy hour do pessoal do motocross. E na sexta passada tinha uma convencao de esportes. Foram ver se tinha uma bicicleta em conta para a menina. Mas, ele ficou mesmo interessado em comprar aquela motinha cross para ela. 85cc. Porque ele, na descida com a bicicleta, faz mais de 100km/h... Como é que menina vai acompanhá-lo? Melhor mesmo é ela curtir a motocross ao lado dele na bike...Menina tem carteira AB. Mas nunca pilotou nada que nao fossem motonetas.
Menina nao está feliz, mas, estranhamente, nao está infeliz! Essa ausencia de um sentimento é algo extraordinário e novo na vida da menina descontente. Borderlines habitam mundos de extremos: ou está tudo ótimo ou está tudo desesperador. Agora, nem um nem outro. Nao está tomando antidepressivos, nem mesmos os comprimidos de Grifonia, raiz africana tida como antidepressivo natural. Mas tem feito ioga e meditacao. Dia ou outro se lembra dos comprimidos de Omega 3/6/9 . E se disciplina a comer fruta em cada refeicao.
E, acima de tudo, curte cozinhar. E nunca, mas nunca, sente saudade do trabalho ou daquela vida sem carinhos e beijinhos, e sexo, muito sexo, e amassos, e massagens e banhos e banheira a dois e assistir à TV esfregando os pés uns nos outros, tomando um vinho perfeito.
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