Já tres vezes eu abro o blog pra postar um coisa e esqueci o que era no momento em que faria.
Vou aproveitar e contar um pouco do passado. Entao eu tinha um namorado. Maconheiro, que fumava o dia todo e nao trabalhava, mas o pai era rico e o sustentava. Nao tinha emprego, mas era poeta, compositor, dancarino, ator, filósofo e alterofilista- nem tanto, mas o foi aos quinze anos e aos trinta e dois, tinha um corpo de deus grego. O pessoa mais interessante e inteligente com quem já convivi, embora nao tenha terminado nem a oitava série para horror de uma familia de cinco irmaos sendo tres médicos, um engenheiro e ele, meu deus grego. E como fazia amor perfeitamente, espetacularmente. E como esteve comigo na descoberta do meu transtorno, nas crises. " Nao me deixa, nao, Uma, voce é borderline, quem vai te aceitar do jeito que voce é? Além disso, voce me abandona porque está insatisfeita, mas isso é parte de seu transtorno: mesmo que transformada numa rainha e vivesse com o mundo a seus pés, ainda estará sempre insatisfeita, se sentindo angustiada e vazia. Portanto, fica comigo porque eu te amo tudo"
Nao sei se ele era bipolar, mas tinha o TOC. Um Toc`er e uma borderline juntos, pensa? E durou uns cinco anos entre indas e vindas, beiinhos no cangote e estupros.
Sim, estupros. Às vezes, eu surtava. Nao, muitas vezes eu surtava, porque ele sumia, quando eu tava mais carente. Aí ele reaparecia, a gente se encontrava, eu me derreita de amores, mas nao queria transar, pra dar-lhe a licao de que ele nao pode se dar o direito de só me procurar quando quisesse sexo. Às vezes, ele entrava no jogo e me tratava como a crianca carente que insiste em se manifestar em mim: eu me deitava na rede uma tarde longa e ele toda hora vinha me perguntar se eu queria algo, me trazia água, abacaxi fatiado, enfim nao insistia no sexo até que eu tomasse a iniciativa.
Mas ás vezes, ele, depois de insisti delicadamente, simplesmente forcava e penetrava. daí eu chorava horas infinitas, ía embora, ele me ligava, eu gritava "Estuprador, voce me violentou", mas acabava sempre voltando porque era uma paixao avassaladora e mesmo no estupro eu acabava cedendo e transando enfim, muitas vezes acabava se transformando de uma coisa forçada em algo prazeroso, no que ele concluiu que isso era um fetiche meu de brincar de estupro.
Mas aí uma vez ele me estuprou anal. No dia seguinte, eu contei para minha terapeuta (que desconhecia essa outra faceta descrita acima) e ela duvidou de mim "Será que ele te violentou mesmo? Porque as vezes casais fazem esse joguinho de dizer nao, mas quer dizer sim".
Cara, eu pirei pra idiotice dela, mas ela era adorável e me ajudava muito, deixei pra lá, mas foi aí que eu enxerguei a realidade: eu era forçada e permanecia. Até entao, eu nunca tinha feito anal, eu nao queria, ficou evidentíssimo que era estupro e mesmo minha psicóloga me orientava a negar isso.
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