16/04/2013

Medo, incertezas e amizades

Certa vez, num outro blog, comentei que eu acho que há mais gente boa que ruim no mundo: choveram comentários de que eu estou enganada, de que a natureza do ser humano é a maldade em Carne devido à nossa egoística personalidade.
Semestre passado eu vivi o Inferno, as crises tomaram conta de mim e eu tive de abandonar o semestre academico, viajei um tempo longo o bastante pra meu marido arrumar uma amante e gastar toda o dinheiro que tínhamos (ele) no cassino e em gamblings...
Fevereiro e Marco foram o clímax dessa crise com o maior surto de minha vida e minha tentativa de suicidio deitando-me na linha do trem no meio da madrugada.
Mas eis que depois de 10 dias no hospital me vi razoavelmente bem, inclinada a controlar esse mal que me aflige a alma, a reconstruir meu relacionamento e aprender a viver e a gostar de viver. Desde entao, tenho encontrado tanta ajuda. Anjos aparecem no meu caminho o tempo todo.
Semana passada, estava chateada porque o limite negativo do banco fora atingido e nao consegui tirar nem dez para ir tomar um café com a Maria. Ela me convidou assim mesmo e me passou uma nota de 50 para eu pagar quando puder!
Hoje, amanheci terrivelmente mal, sentindo me um lixo, fracassada. Os vomitos continuam, mas nao sei se devo ir ao médico porque desconfio que seja mais uma gastrite nervosa. Fui à faculdade. Cheguei um pouco mais cedo e sentei-me a uma mesa da lanchonete. Arrazada porque até agora nao estudei para a prova de amanha, e nao fiz os exercícios que devia para hoje, nao fui à academia, nao tenho meditado, nao faço nada do que devo pra cuidar do meu bem estar e sucesso.
Deliberava mesmo em abandonar de vez esse curso. Mas vou fazer o que da minha vida? Matar-me sempre me vem à mente quando  vejo que nao tenho jeito nessa vida.
Apareceu o Clemente, um dos poucos na turma do semestre anterior que eram legais comigo. Ele estava surpreso em me ver. Pensou que eu abandonara já desde antes o natal. Expliquei-lhe que estou pegando só duas matérias já passadas e que depois do meio do ano repetirei todo o período que abandonei pela metade. Ele conversou amigavelmente comigo, realmente interessado em saber como vou indo. Fui-lhe sincera e expliquei que nao quis mais seguir com a turma porque trata-se de um período terrivelmente estressante e eu nao estou em condicoes de lidar com isso, precisso pegar leve esse semestre e fazer terapia, etc. Ele se despediu me desejando tudo de bom. Fiquei tao tocada.
Aí, chego na sala, a minha Amiga me pergunta se vi o email do Professor, digo que nao- porque fiquei Sem Internet haja vista que nao tinhamos dinheiro para pagar a conta.
Ela me diz que havia um trabalho a ser feito em dupla, mas que ela já  fizera por nós duas! Ela me passa a folha pra eu assinar e me dá uma cópia do trabalho pra eu me inteirar. A gratitude que sinto nao consigo expressar o suficiente em palavras.
Lágrimas me vem aos olhos, tenho vontade de me levantar e ir chorar no banheiro, mas se eu sair abruptamente da sala, vai piorar tudo como no semestre anterior. Olho para baixo, deixo os cabelos cobrirem-me a cara e enxugo as lágrimas que insistem em escorrer! A maquiagem borra-me  cara toda, nada escuto da explicacao dessa matéria que me é tao difícil. O Professor, santamente, finge me ignorar.
Enquanto espero o bus, uma mulher volta a cara para o sol para aproveitar esse solzinho de outono agradável com o ventinho. Queria ter feito uma foto, ela era tao feliz naquele instante com uma coisa simples como esse dia lindo de outono.

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