18/04/2013

Borderline Modus Operanti II

Ou a transicao entre o adulto desajustado e o adulto equilibado
(Tudo que eu escrevo aqui se refere a minha experiencia extremamente pessoal. Pode ser que alguns conceitos teóricos sejam influenciados/embasados nos muitos livros e artigos que leio. Leio para me informar e tentar me ajudar. Agora mesmo estou lendo dois maravilhosos trabalhos de Auto ajuda, ambos em alemao, sem traducao para o portugues.)
Como adulto desajustado, eu sou uma Pessoa extremamente tímida, Sem habilidade social alguma, do tipo que no trabalho vai embora Sem dar tchau para os colegas de trabalho. Gente, eu sou tímida o bastante pra ter medo de dizer tchau para os outros! Eu nem falava "oi" para meus vizinhos quando morava com minha mae, numa vila onde todo mundo se conhecia e passam tardes sentados à porta da rua tagarelando e cuidando da vida uns dos outros. Pensa que Fama de antipática eu tinha?!
Também no meu Modus operanti adulto desajustado: eu nao tenho a menor nocao do que realmente fazer da minha vida. Eu tenho um curso superior que fiz nas coxas, com semestres repetidos/ abandondos, trancados/. Aí arrumei um emprego bom indiretamente ligado à minha área, logo arrumei um conflito pessoal com o chefe, ("nao damos, certo, ele me odeia", etc.)
Eu vivia entediada, infeliz, consumida em frustracao, porque tinha ambicoes de um emprego muito mais satisfatório... Mas hoje, no buraco professional que me encontro, olho para trás e vejo que o que abandonei por livre e impulsiva vontade era algo bom, que eu em sä consciencia  nunca largaria sem ter algo garantido pra substituir.
Eu nao fazia nada da vida a nao ser perseguir meu namorado da época querendo mais atencao, mais comprometimento, marcar casamento, etc. Outro dia uma Amiga comentou que ele era um cara ausente, mas qual, eu é que devido à esse medo terrível do abandono do ser amado, sufocava-o com minha carencia estratosférica. Eu podia ter feito tantas coisas naquela época: mas como borderline no modo adulto desajustado, eu me concentro 100% em um único problema e nao consigo fazer mais nada.
Aí a roda da instabilidade gira e o adulto ajustado se apresenta: aí eu queria fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora: ioga, curso de filosofia, natacao, curso de ingles, estudar para concurso, fazer um projeto de mestrado- e me preparar- e ser aceita numa federal da vida para a minha pós graduacao.
Esse momento em que eu me jogava para construir o máximo no mínimo de tempo (tudo já pra ontem) é uma tentativa do border de compensar o tempo perdido nos Modus Infantis e desajustado. Querendo realizar tanto, o Border experimenta o estress, e sob o estress, vem as crises. Mas antes dela, vem uma das melhores fases do relacionamento, ou  a boa fase é a causa do modo ajustado, ainda nao sei bem identificar a causa-efeito nesse modelo circular.
Aí comeca a faze-las todas ao mesmo tempo, se ocupando com outras coisas que nao o relacionamento amoroso em si, nisso o seu par vai ter uma trégua do sufoco, porque voce na fase adulto ajustado é uma pessoa super competente, hiper ativa, multitask, dinamica, flexibel, amorosa, carinhosa, super na cama. É o céu para seu par e ele/a acha que voce ainda tem jeito nessa vida e decide que se voce permanece nesse boa vib, ele/a vai querer passar  o resto da vida contigo...
Mas digamos que o parceiro te ama o suficiente e passa a jogar bem contigo: passa a te dar toda a atencao do mundo, aí voce se desliga desse "problema do medo de ser abandonada" e ver as coisas que deixou de fazer: Quer pedir um financiamento e comprar o próprio ape pra finalmente sair da casa da mae, quer financiar o carro, quer viajar  o país e o mundo, talvez tenha de fazer o mestrado numa particular...Mas o salário só dará para fazer UMA dessas coisas, e inicia-se a angústia de ter de escolher, a frustrante dor de nao poder fazer tudo ao mesmo tempo, porque o border é um desespero em Carne que nao consegue esperar nem seguir uma passo de cada vez. E vem a crise, e as continuas faltas ao trabalho, a depressao, e a mudanca de Modus.

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