Tem uma coisa que eu queria muito: ser boa com internet, programas e afins, mas sou terrível. Por isso, iniciar um blog é uma tarefa difícil. Queria um layout bacana, personalizado, queria aquelas tabs e tal, mas vai assim, como eu: simples
Mas já inicio mentindo: eu nao sou simples. Sou a pessoa mais complicada desse mundo. Tresloucada. Quando estou no mode Normal on, acho que sou adorável, porque sou uma pessoa realmente muito amada e querida por todas as pessoas que já conheci na vida. Mas como na fábula dos porcos espinhos e o frio, nao se pode aproximar muito, que se machuca, de forma que muitas dessas pessoas que me amam (ou já amaram) às vezes tem de se afastar. Algumas se afastam tanto que já nao dá mais pra sentir o calor emanado delas, mas tudo bem, eu as entendo e continuarei amando-as pra sempre.
Eu sou assim, eu nunca cesso de amar alguém. Eu ainda amo todos os meus amores passados, mas amo sem dor e traumas, alegro-me por tudo o que cada um representou e contribui(u) pra minha vida. Uma vez até participei do Grupo MADA (mulheres que amam demais anonimas), porque devido ao meu diagnóstico, volta e meia eu me via em caos nos relacionamentos...
Acredito que o sou desde o nascimento. Mas só o descobri mais tarde. Aos dezessete anos, perdi meu irmao. Ele morreu num acidente, eu fiquei muito mal, abandonei o emprego sem nem ligar apra avisar. Deixei de ir às aulas. Era outubro. Só passei de ano porque minhas notas eram excelentes e com o sistema de peso da época, eu já fora aprovada no terceiro bimestre. Sem ir às aulas ou ao trabalho de recepcionista de meio período, dediquei-me a ficar o dia todo na cama, mórbida a chorar, depois as lágrimas secaram e eu continuava lá deitada na cama semi-morta, sem comer, sem nem mesmo tomar banho ou escovar os dentes. Cobri a janela com com uma colcha de retalhos escura. Eu me entendia melhor com a escuridao absoluta.
Minha mãe pirara também. Antes dessa total caída minha, tive de acudi-las muitas vezes: no meio da noite, de baixo de chuva torrencial, ela saía rua afora gritando meu irmao. Uma dia, ela, que também morria aos poucos, incapaz de superar a perda, me arrastou da cama e me jogou debaixo do chuveiro. Minha amiga apareceu, ajudou-a a me vestir e me levaram para uma clínica onde fui internada para tratamento de depressao.
Com os remédios e a terapia, reagi, um novo ano letivo comecou. Mudei de escola, terminei o ensino médio (era segundo grau na época) e segui para o vestibular e afins.
Mas eu já nao era a mesma. Eu mudara muito. Eu me tornara uma pessoa extremamente instável e complicada. Nao parava no emprego, fazia tempestades incríveis no namoro. Trocava de namorado toda hora. Abandonava o emprego, abandonava a faculdade. Caía em depressoes terríveis seguidas de período instável e ativo onde se achava que eu tinha melhorado. Mudaram meu diagnóstico para Bipolar. Transtorno cujos sintomas e medicamentos nao batiam realmente comigo.
Um psicólogo bacana, depois de muita troca e busca por médicos e resposta, determinou que o que eu tinha era Borderline, ou transtorno limite de personalide.
Limite de que? Limite entre neurose e psicose. Eu nao escuto nem vejo coisas inexistente, mas meu descontrole emocional é tal que eu às vezes, eu nao consigo fazer coisas normais, banais. E eu choro escandalosamente por coisas simples...
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