12/02/2013

Do coracao

Tenho 32 anos. Quase a metade da minha vida tenho lidado com e passado por dificuldades devido a esse transtorno. Sei que sem ele, eu teria tido uma carreira de sucesso. Eu nao seria essa pessoa fracassada (pelos padroes capitalistas). Mas de uma coisa sou infinitamente grata: dei sorte no amor.
A sorte muito grande mesmo, porque, veja bem, pessoas com personalidade limítrofes, sao desesperadamente carentes, temerosas de serem abandonadas, dependentes emocionais, caóticas com suas emocoes.
De forma que eu passei a adolescencia e inicio da vida adulta atormentando meus namorados para casar, para me darem mais atencao, para viverem exclusivamente em funcao de mim. Milhares de vezes ouvi que os sufocava, que eu era insupertavelmente melindrosa, dramática, chantagista emocional, difícil, etc. E apesar de tudo, todos eles me amaram lindamente. Nenhum deles nunca pode me deixar. Todos sofreram com minha partida.
Um deles, o mais importante deles, amava-me deveras tudo. Sabe, tem gente que diz banalmente "te amo tudo", ele nunca me disse. Depois, sim, disse quando tudo já havia acabado entre nós e eu me casaria no dia seguinte com um outro. Mas hoje eu vejo que ele me amara tudo. E tentara tanto me ajudar. Criara o canto do emburrado pra que eu pudesse ir para aquele comodo nos momentos de crises. Era para eu pegar o bastao e bater nas paredes, canalizar essa fúria. Esse mesmo me disse que nao importava o quanto eu conquistasse, eu sempre seria essa pessoa infeliz, insatisfeita, emburrada com a vida. É que o viver pra mim é mais angústia, grande parte do tempo.
Eu era jovem e imatura. Eu achava que o problema eram os outros. Que o dia que achasse o cara que me desse toda a atencao que me era devida, essas crises de medo de abandono e carencia seriam coisa do passado.
Depois desse cara sabido, veio o outro. O da prima-enciclopédia. Mais uma vez um relacionamento bonitinho, cheio de amor e respeito foi danificado pelas minhas crises de instabilidade emocional.
Aí eu tive sorte de encontrar O cara que me dava a  atencao e dedicacao que eu chamais recebera. Achei que a minha busca tinha terminado. Noivamo-nos com seis meses de namoro. Com um ano e cinco meses, casamo-nos. O primeiro ano no casamento também foi uma lua de mel. Meus sintomas instáveis desapareceram quase por completo nesse período. Depois em Maio de 2011 uma crise violenta trouxe meu antigo eu.
Um eu deprimido e angustiado, sem auto-estima, que se auto-odeia a maior parte do tempo. Que sente medo das pessoas, que dá umas crises de choro na faculdade e envolve todo mundo ao redor no drama e que depois fica morrendo de vergonha de aparecer por lá por receio do julgamento alheio, por vergonha da própria fraqueza.
Um eu que maltrata e inferniza o adorado marido. O qual é infinitamente santo e tem toda a paciencia do mundo para perdoar, me envolver em seu infinito amor e tentar me ajudar.

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