Comecei esse blog. Ainda bem que o fiz. Porque estou numa crise. Daquelas que a única idéia/ impulso que me ocorre é o de me matar. Estou sozinha. Meu marido está no trabalho. Minha cabeca está doendo, girando.
Tenho de fazer a janta. Ontem, quando ele chegou, a pia estava lotada, eu nao havia feito a janta, estava na cama. Ele nao disse nada. Mas fez aquela cara... Comeu do que havia na geladeira. Mais tarde, me propus a fazer uma sopa, nao consegui. Voltei para a cama, ele teve de terminar e me servir.
Agorinha, estive procurando uma cena do filme A mighty Heart. A cena em que a Jolie fica sabendo que o marido dela morreu. daí ela chora. Chora igualzinho eu choro. Mas ela chora por algo real, comprensível. Eu choro dramaticamente daquele jeito por coisas insignificantes. Noutro filme, uma personagem chorava igualzinho,mais dramático ainda que a Jolie naquela cena. Aí essa personagem ganha de outro uma máscara, com a qual pode chorar mundos e fundos sem incomodar ninguém.. Ao ver essa cena, meu marido na hora pulou de alumbramento: tá aí uma coisa que eu deveria ganhar.
Porque meu marido já se acostumou com meu choro brutal, ele já nao se contorce mais de medo de que o mundo venha abaixo, ou eu traga abaixo, mas ele ainda é dominado pelo temor de que os vizinhos dos apartamentos de baixo, de cima e dos lados venham bater à nossa porta exigindo silencio ou mesmo chamem a polícia porque quando eu dou a choradeira borderline, realmente parece que alguém morreu do meu lado ou algo gravíssimo aconteceu.
Insignificantes para os outros. Porque para mim, borderline que sou, pequenas coisas causam grandes feridas.
Desde que voltei das férias no sábado, só penso em me matar. Poucas horas depois que voltei, arrependi-me de te-lo feito. Eu havia partido para passar de seis meses a dois anos fora, enquanto meu marido termina os estudos dele. Mas, lá, com minha mae, eu nao fiz nada do que me propusera: eu nao procurei a minha antiga terapeuta que tanto me ajudou, eu nao fiz o concurso para o qual me inscrevera, eu nao contactara a universidade para transferir o curso. Passei os dias prostrada e deprimida. Fiquei com medo de me matar por lá e dar esse trabalho e desgosto para minha mae e a pequena.
Quando eu aprontei para vir embora, a pequena nao quis que eu viesse. Ela me adora. Ela me faz bem e eu a ela. Algo valioso para me agarrar à vida. Mesmo que eu´já nao tenha mais sentido em viver, agora estaremos conectadas e eu tenho de viver nem que seja por esses momentos bons que eu a proporciono.
Entao que eu choro absurdamente. Agora mesmo estive chorando. Estou sem terapeuta, nao tenho ninguém com com falar. E a angústia de ter de arrumar um emprego qualquer. E o ódio de ter tido uma formacao completa perdida, e fazer uma outra que nem sei se vou conseguir terminar. E apesar de sempre estudar e trabalhar, eu sempre fui uma das melhores alunas de todas as minhas classes escolares e academicas. E já andei com gente inteligentíssima que me achava igual, vejam bem. Uma prima de um ex é tal que o apelido dela na família é enciclopédia, daí que enquanto eu andei por lá eu fui o Tomo II . Mas hoje eu virei uma tonta. Ontem,. nao conseguia acertar o relógio do PC e comecei a chorar. Meu marido tomou-o das minhas maos e o fez em 3 segundos, murmurando algo que diz(viu, tapada). Estou virando uma retardada.
Pela manha, falei com minha conselheira e ela me disse que eu nao devia trabalhar esse semestre, deveria somente me tratar. Deveria me enconstar por motivo de saúde e me concentrar na terapia.
Mas trabalhar me faria bem. Se nao tenho o que fazer, procrastino o tempo todo. Deveria estudar. as aulas comecam na segunda. Mas estou em panico de ir. Sei que olharäo na minha cara e serei desprezada pela louca que me julgam, que ninguém quererá ser minha amiga. Que me sentarei sozinha na sala. Ainda bem que só sete aulas por semana: uma na terca, 4 na quarta e duas na quinta. Nao haverá intervalo para sentar sozinha no refeitório.
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